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Espiritualidade

A pedagogia do presépio

NATIVITY

CC0

A12 - publicado em 21/12/17

Diante do presépio conseguimos sentir que nenhum bem material é mais confortável do que aquela manjedoura

Vivemos à procura do melhor método para educar. Métodos que são oferecidos por muitas ciências, principalmente pela Pedagogia e pela Psicologia. Necessitamos buscar, pois educar é, sem dúvida, a mais árdua e bela tarefa humana. As ciências têm muito a nos oferecer. No entanto, diante do Presépio nossa busca chega ao fim, pois nele contemplamos o mais eficaz e infalível método para aqueles que pretendem educar e serem educados para a verdade e para a plenitude.

“Tudo seria bem melhor

Se o Natal não fosse um dia

E se as mães fossem Maria

E se os pais fossem José

E se os filhos parecessem

Com Jesus de Nazaré.”

Na canção de Padre Zezinho estão retratadas as consequências de uma educação que escolheu como método a Pedagogia do Presépio. É a essência de tudo o que precisamos para construir a sociedade do amor e fazer reinar a paz, o respeito e a justiça. Se todos os dias fossem como o Natal, viveríamos plenamente os sentidos da vida. Todos os dias, ao amanhecer, deveríamos dizer: é Natal!

Como seria uma “Sociedade-Presépio”? Papa Bento XVI, na Audiência do dia 22/12/2010 nos ajuda refletir:

“O presépio é expressão da nossa expectativa, que Deus se aproxima de nós, que Jesus se aproxima de nós, mas é também expressão da ação de graças Àquele que decidiu compartilhar a nossa condição humana, na pobreza e na simplicidade. Alegro-me porque permanece viva e, aliás, se redescobre a tradição de preparar o presépio nas casas, nos postos de trabalho, nos lugares de encontro. Este testemunho genuíno de fé cristã possa oferecer também hoje a todos os homens de boa vontade um sugestivo ícone do amor infinito do Pai por todos nós. Os corações das crianças e dos adultos possam ainda surpreender-se diante dele.

Até a cena da Gruta de Belém José e Maria fizeram uma longa e árdua caminhada: sofrimento, dor, portas fechadas, perseguição, mas a certeza de que foram escolhidos para que, através deles, Deus se fizesse um de nós. Eles caminharam para “Aquele Lugar” para que o Salvador nascesse.”

Na Homilia na Basílica Vaticana, em 24/12/ 2016 Papa Francisco ensina sobre a importância de contemplar o Presépio:

“Deixemo-nos tocar pela ternura que salva. Aproximemo-nos de Deus que Se faz próximo, detenhamo-nos a olhar o presépio, imaginemos o nascimento de Jesus: a luz e a paz, a pobreza extrema e a rejeição. Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas marginalizações, as nossas feridas não curadas, os nossos pecados. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a minha vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe pura e simplesmente obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim.”

Se cada dia fosse como o Natal, filhas e filhos, honrariam os pais e teriam uma relação intima com Deus, assim como Jesus o fez. “Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar” (Ex 20, 12). O Catecismo da Igreja Católica ensina:

“A observância do quarto mandamento comporta a respectiva recompensa: «Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar» (Ex 20, 12) (3). O respeito por este mandamento proporciona, com os frutos espirituais, os frutos temporais da paz e da prosperidade. Pelo contrário, a sua inobservância acarreta grandes danos às comunidades e às pessoas humanas”. (CatIC §2200)

Se cada dia fosse como o Natal, os pais seriam como Maria e como José e cuidariam com ternura, exemplo e autoridade dos filhos que a eles foram confiados. “Os pais devem considerar seus filhos como filhos de Deus e respeitá-los como pessoas humanas. Educar os filhos no cumprimento da Lei de Deus, mostrando-se eles mesmos obedientes à vontade do Pai dos Céus”. (CatIC §2222)

Se cada dia fosse como o Natal, nossas casas seriam como os presépios e irradiariam a fé, a esperança, a alegria e a união.

“Os pais são os primeiros responsáveis pela educação de seus filhos. Dão testemunho desta responsabilidade em primeiro lugar pela criação de um lar no qual a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado são a regra. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes. Esta requer a aprendizagem da abnegação, de um reto juízo, do domínio de si, condições de toda liberdade verdadeira. Os pais ensinarão os filhos a subordinar “as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais.” Dar bom exemplo aos filhos é uma grave responsabilidade para os pais”. (CatIC §2223)

Todos nós, que direta ou indiretamente temos a responsabilidade de educar, não nos esqueçamos jamais da Pedagogia do Presépio. Diante dele enchemo-nos de paz, de esperança, de júbilo. Diante dele tornamo-nos sensíveis e até frágeis, pois ele nos impulsiona à reflexão sobre nossas vidas e, consequentemente, sobre o que já vivemos.

Diante do Presépio lembramo-nos de todos os que já passaram por nós. Lembramo-nos daqueles que deram sentido a nossa existência, mas também daqueles que nos fizeram mal. Diante do Presépio desarmamo-nos de nossa soberba e enchemo-nos do desejo de solidariedade e de justiça. Diante do Presépio, juramos fidelidade ao projeto de Deus e renovamos nossa fé.

Diante do Presépio entramos na cena e interagimos com os animais, com José, com Maria e até pegamos o Menino Jesus no colo. Diante do Presépio conseguimos sentir que nenhum bem material é mais confortável do que aquela manjedoura. Diante do presépio temos a certeza de que a Família é o porto seguro, que Deus nos amou ao extremo, que Jesus é o nosso Salvador e único Senhor e que a vida só faz sentido se amarmos uns aos outros. Essa é a Pedagogia que nos permite educar sem medo e sem erros.

Por Joana Darc Venancio, via A12

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