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Professores tentam fazer alunos esquecerem terror do Estado Islâmico em Mossul

CHRISTIANS IRAQ

Jean-Matthieu GAUTIER I CIRIC

Agências de Notícias - publicado em 09/01/18

Cidade foi libertada do domínio do grupo extremista em julho do ano passado

Em Mossul, os professores se formam para aprender a acompanhar seus alunos propensos a ter pesadelos e comportamentos violentos, traumas herdados de três anos de reinado do grupo extremista Estado Islâmico (EI) e de nove meses de combates nesta cidade iraquiana.

No ginásio da universidade desta cidade do norte, onde os extremistas do EI foram expulsos há seis meses, dezenas de professores cercam um instrutor que desenha em um quadro branco “a árvore problemática” de seus alunos.

Na base estão “os pais mortos”, “o espetáculo das decapitações”, “as destruições”, mas também a “pobreza” que obriga algumas crianças a deixar a escola para trabalhar.

No topo, nas folhas, “o sorriso que precisa retornar”, “a esperança” e “o otimismo”. Esses são os objetivos que esta formação deve permitir que os professores ajudem seus alunos a alcançar.

Com jogos, brincadeiras e atividades esportivas, Nazem Shaker ensina homens e mulheres, alguns traumatizados pelo EI e seus assassinatos, a ouvir e acompanhar os alunos.

Em primeiro lugar, procuram ajudar as crianças a se reconstruir e se livrar do estresse, da pressão e más lembranças. Mas também, ensinar-lhes “a viver juntos” e “desarraigar a violência”.

Noamat Sultan, diretor de uma escola, observa dia a dia o comportamento violento dos alunos.

“Um dos nossos alunos era particularmente agressivo e provocava os colegas de classe”, relata à AFP. Após mais uma briga, “conversamos com ele e soubemos que seu pai e seu irmão morreram em uma explosão”.

A partir desse dia, comunicando-se com colegas e com a ajuda de “seu irmão mais velho”, Sultan e seus professores prestaram mais atenção e ouviram esse aluno. “Nós já conseguimos convencê-lo a não sair da escola”, diz o diretor.

Rasha Ryadh, professor de Educação Física, sente todos os dias em seus alunos “a enorme pressão psicológica que sofreram quando viram execuções, mortes, explosões, a morte de parentes”.

Cenas de horror que as crianças lembram, de dia na escola ou de noite em pesadelos.

Mas se Rasha faz a formação, é porque está convencida de que essas crianças “estão prontas para responder positivamente aos programas de reabilitação, porque querem se livrar das memórias que os levam de volta ao tempo do EI”.

Este é o caso de Ahmed Mahmud que, com apenas 12 anos, diz que está “esgotado” por tudo que viu com os jihadistas.

“Estamos cansados e sabemos que tudo isso não terminou. Quando entro em sala, não tenho a minha cabeça livre para estudar”, explicou à AFP.

“Penso no tempo do EI, lembro-me das pessoas executadas, como meu tio. Jogavam pessoas dos telhados e nos forçavam a olhar”, diz ele.

Além do terror dos extremistas, os nove meses de batalhas deixaram profundas marcas.

Osama, de 12 anos, parou de falar no dia em que quase todos os edifícios em sua rua desabaram sobre seus vizinhos, onde tinha amigos de sua idade, destruídos pelos bombardeios aéreos, diz sua mãe.

“Por semanas, ele não falou uma palavra, às vezes sai da casa sem nos contar e caminha por horas sem rumo, muitas vezes tivemos dificuldade em encontrá-lo novamente”, diz a mulher de 33 anos.

E desde aquele dia “ele não come mais, não toma banho sem minha ajuda ou a de seu pai”.

Osama não voltou à escola este ano. Mas aqueles que sim, assistem às aulas em locais destruídos e superlotados, diz Sultan.

(AFP)

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