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Ditador da Venezuela acusa bispos católicos de “crimes de ódio”

LOPEZ CASTILLO

Conferencia Episcopal Venezolana

Monseñor Antonio López Castillo, Arzobispo de Barquisimeto

Francisco Vêneto - publicado em 19/01/18

Enquanto isso, assim como ocorreu contra Pio XII, supostos católicos acusam Francisco de omissão, covardia e até, pasmem, cumplicidade

Enquanto opositores do regime ditatorial chavista são sistematicamente assassinados na Venezuela, o ditador do país em frangalhos, Nicolás Maduro, ordenou nesta semana uma investigação sobre o que chamou de “crimes de ódio”, cometidos, segundo ele, pelos bispos católicos que criticam o seu “governo”.

Durante uma transmissão de rádio em rede nacional, Maduro aludiu a declarações de dois bispos: dom Antonio López Castillo (foto), que, numa recente homilia, arrancou veementes aplausos dos fiéis ao pedir que a Venezuela seja salva da corrupção; e dom Victor Hugo Basabe, que rezou publicamente para que a Venezuela se livre da “praga corrupta” que leva “milhares de venezuelanos a fuçarem no lixo à procura de lavagem para matar a fome”.

Nicolás Maduro acusou os bispos católicos de “gerar confrontos entre venezuelanos, violência, morte, exclusão e perseguição” – como se ele próprio, por acaso, estivesse fomentando concórdia, paz, vida, diálogo e respeito.

No mesmo dia de mais essa declaração estapafúrdia e mentirosa, autoridades venezuelanas divulgaram ter matado Óscar Pérez, policial opositor acusado de terrorismo. Ensanguentado, Pérez publicou vídeos em redes sociais, instantes antes de ser morto, afirmando que o seu grupo estava sob ataque do regime chavista.

“Não estamos atirando e eles continuam nos atacando”, disse Pérez. “Estamos tentando negociar porque há pessoas inocentes aqui, há civis… Eles literalmente querem nos matar”.

E mataram.

O regime que não dialoga e que tenta esmagar a oposição de todas as formas aponta o dedo também contra os bispos que apenas afirmaram o óbvio.

Episcopado venezuelano e representantes do Vaticano na Venezuela têm procurado mediar o profundo conflito que sangra o país há anos, numa sinuca semelhante à que teve de ser enfrentada pela Santa Sé em relação ao nazismo alemão.

O dilema, naquele e neste contexto, é basicamente o mesmo: como equilibrar conteúdo firme e forma conciliadora para, ao mesmo tempo, opor-se a um regime opressor e evitar que o regime se torne ainda mais brutal contra os oprimidos?

O mesmo dilema ocorre em quaisquer países opressores em que o risco do confronto aberto derramaria mais sangue inocente, como a China, Cuba, Vietnã e todos os países africanos e asiáticos que sofrem grande influência do fanatismo islâmico.

A opção da Igreja costuma ser a ação mediadora nos bastidores, juntamente com declarações pontuais mais fortes, mas sem provocar ruptura total. Essa fórmula tem sido considerada a menos passível de provocar piora drástica na já dramática situação.

Tanto Pio XII quanto Francisco, porém, pagam o preço de ser acusados de omissos, covardes ou até cúmplices – inclusive, como se não bastassem os ataques de fora, por parte de supostos católicos mais propensos a crucificar o Papa do que a propor estratégias responsáveis, sensatas e realistas.

Adendo: seria muito interessante que os críticos conhecessem a história de Carl Gustaf Emil Mannerheim, líder da Finlândia durante a Segunda Guerra Mundial. Ele tinha o desafio quase impossível de manter a Finlândia livre, ao mesmo tempo, do domínio da Alemanha nazista, por um lado, e da invasão da União Soviética, por outro. Ele precisou jogar um delicado jogo de equilíbrio visando o bem do seu povo – a mesma coisa que tinha de ser feita pelo Papa Pio XII e com o mesmo objetivo.

No entanto, apesar de terem se baseado na mesma e sensata lógica, Mannerheim é até hoje um herói na Finlândia, enquanto Pio XII ainda é bombardeado pelos que, tergiversando a realidade, o acusam de ter sido o “Papa de Hitler“. E isso que Pio XII salvou muito mais judeus do que Mannerheim e, obviamente, muitíssimo mais do que aqueles que lhe apontam o dedo…

Para saber mais sobre estes dois líderes e entender melhor a complexidade da sua situação, leia este artigo:

“Presidente de Hitler” não, mas “Papa de Hitler” sim?

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