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O Papa Francisco não faz nada a respeito da Venezuela?

VENEZUELA
Shutterstock-David Ortega Baglietto
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Assim como ocorreu contra Pio XII, supostos católicos acusam Francisco de omissão, covardia e até, pasmem, cumplicidade

O atual regime ideológico da Venezuela, autoproclamado como “o socialismo do século XXI“, tem demonstrado reiteradamente que não apenas não dialoga como ainda tenta esmagar a oposição de todas as formas possíveis. Esse esmagamento inclui entre seus alvos, como sempre ocorre sob regimes ditatoriais, os bispos católicos que denunciam os seus crimes.

VENEZUELA
Andrés E. Azpúrua-(CC BY-ND 2.0)

O chavismo continuado por Nicolás Maduro tem agora mirado contra os bispos dom Antonio López Castillo (foto abaixo), que, numa recente homilia, arrancou veementes aplausos dos fiéis ao pedir que a Venezuela seja salva da corrupção, e dom Victor Hugo Basabe, que rezou publicamente para que a Venezuela se livre da “praga corrupta” que leva “milhares de venezuelanos a fuçarem no lixo à procura de lavagem para matar a fome”. O ditador Maduro os acusou de “crimes de ódio” – por dizerem o óbvio.

LOPEZ CASTILLO
Conferencia Episcopal Venezolana
Monseñor Antonio López Castillo, Arzobispo de Barquisimeto
HUNGER
(Photo by Roman Camacho/NurPhoto)
Venezuelanos vasculham lixo em busca de comida

Como a Igreja tem lidado com o regime chavista?

Os assim chamados “ataques diretos” não costumam fazer parte do modo de agir do Vaticano, porque a encrespação dos ânimos sempre gera riscos de represálias contra a população católica.

Por isso, episcopado venezuelano e representantes do Vaticano na Venezuela têm procurado mediar o profundo conflito que sangra o país há anos, enfrentando uma sinuca semelhante à que teve de ser encarada pela Santa Sé em relação ao nazismo alemão na primeira metade do século passado.

O dilema, naquele e neste contexto, é basicamente o mesmo: como equilibrar conteúdo firme e forma conciliadora para, ao mesmo tempo, opor-se a um regime opressor e evitar que o regime se torne ainda mais brutal contra os oprimidos?

Este dilema se repete em quaisquer países opressores nos quais o risco do confronto aberto derramaria mais sangue inocente. É o caso, por exemplo, da China, de Cuba, do Vietnã e de todos os países africanos e asiáticos que sofrem grande influência do fanatismo islâmico.

A opção da Igreja costuma ser, por isso mesmo, a ação mediadora nos bastidores, juntamente com declarações pontuais mais fortes, mas sem provocar ruptura total. Essa fórmula tem sido considerada a menos passível de provocar piora drástica na já dramática situação que caracteriza os regimes autoritários.

© DR

Tanto o Papa Pio XII (diante dos regimes opressores dos anos 1930 e 1940) quanto o Papa Francisco (diante dos regimes ditatoriais da nossa época) têm de pagar o preço de ser acusados de omissos, covardes ou até cúmplices – inclusive, como se não bastassem os ataques de fora, por parte de supostos católicos mais propensos a crucificar o Papa do que a propor estratégias responsáveis, sensatas e realistas.

O caso finlandês

É muito recomendável e instrutivo que os críticos conheçam a história de Carl Gustaf Emil Mannerheim, líder da Finlândia durante a Segunda Guerra Mundial.

Portrait de Carl Gustaf Emil Mannerheim © wikipédia

Mannerheim tinha o desafio quase impossível de manter a Finlândia livre, ao mesmo tempo, do domínio da Alemanha nazista, por um lado, e da invasão da União Soviética e sua ditadura comunista, por outro. Ele precisou encarar um delicado jogo de equilíbrio visando o bem do seu povo – a mesma coisa que tinha de ser feita pelo Papa Pio XII e com o mesmo objetivo.

No entanto, apesar de terem se baseado na mesma e sensata lógica, Mannerheim é até hoje um herói na Finlândia, enquanto Pio XII ainda é bombardeado pelos que, tergiversando a realidade, o acusam de ter sido o “Papa de Hitler“. E isso que Pio XII salvou muito mais judeus do que Mannerheim e, obviamente, muitíssimo mais do que aqueles que lhe apontam o dedo…

Para saber mais sobre estes dois líderes e entender melhor a complexidade da sua situação, leia este artigo:

“Presidente de Hitler” não, mas “Papa de Hitler” sim?