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O irmão mais velho do filho pródigo e o desejo secreto das “terras longínquas”

Cardeal Ratzinger e a parábola do filho pródigo
Cardeal Ratzinger, montagem sobre pintura de Rembrandt (Domínio Público)
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"É possível permanecer em casa e ao mesmo tempo partir": um exame de consciência proposto pelo Cardeal Ratzinger, 22 anos antes de ser Papa

Em 1983, o então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, fez a seguinte e atemporal reflexão sobre o irmão mais velho do “filho pródigo”, da famosíssima parábola contada por Jesus:

* * *

Meditando nesta parábola, não se deve esquecer a figura do filho mais velho. Em certo sentido, ele não é menos importante que o mais novo, a ponto de esta história poder ter também o título, que talvez fosse mais adequado, de “parábola dos dois irmãos“.

Com a figura dos dois irmãos, o texto se situa no coração de uma longa história bíblica, iniciada com a história de Caim e Abel, retomada com os irmãos Isaac e Ismael, Jacó e Esaú, e interpretada em diferentes parábolas de Jesus.

Na pregação de Jesus, as figuras dos dois irmãos refletem, sobretudo, o problema da relação Israel-pagãos. Ao descobrir que os pagãos são chamados sem estarem submetidos às obrigações da Lei, Israel exprime a sua amargura: “Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua“. Com as palavras “Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu“, a misericórdia de Deus convida Israel a festejar.

Mas o significado deste irmão mais velho é ainda mais abrangente. Em certo sentido, ele representa o homem devoto, ou seja, todos os que permaneceram com o Pai sem desobedecer às suas ordens. O momento do regresso do pecador desperta o ciúme, esse veneno até então oculto no fundo da sua alma. Por que este ciúme? Ele mostra que muitos “devotos” também escondem no coração o desejo das terras longínquas e das suas seduções. A inveja revela que essas pessoas não compreenderam realmente a beleza da pátria, a felicidade do “tudo o que é meu é teu”, a liberdade de ser filho e proprietário. Assim, parece que também elas desejam secretamente a felicidade da terra longínqua. E, no fim, não entram na festa; no fim, permanecem de fora.

A figura do irmão mais velho nos obriga a um exame de consciência. Esta figura nos permite compreender a reinterpretação dos dez mandamentos que é feita no Sermão da Montanha (Mt 5,28). Não é somente o adultério exterior, mas também o interior que nos afasta de Deus: é possível permanecer em casa e ao mesmo tempo partir. Deste modo, devemos também compreender a “abundância”, a estrutura da justiça cristã: ela se traduz por um “não” à inveja e um “sim” à misericórdia divina.