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Os cristãos que tentam aliviar o horror das crianças sem nome do Estado Islâmico

Gail Orenstein/NurPhoto/REX/EAST NEWS
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Centenas de filhos inocentes de estupros são rejeitados pela sociedade. 70% das crianças na Síria sofrem hoje transtornos mentais.

As estruturas principais do autoproclamado Estado Islâmico foram desmanteladas na Síria, mas o que restou das crianças que nasceram durante os anos de horror impostos pelo mais sanguinário, covarde e brutal dos grupos terroristas da história recente do planeta?

GŁÓD W SYRII
AFP/EAST NEWS
Chris Huby / Le Pictorium/East News

A ONG Save The Children tem alertado sobre a dramática situação atual das crianças do país, arrasado em grau extremo.

Em seis anos de guerra, muitos dos pequenos nunca viveram outra coisa. A guerra, para eles, é a realidade. As bombas e rajadas assassinas são, para eles, a normalidade. A destruição é a imagem que eles têm do mundo. Sangue, cadáveres, pranto e gritos de desespero são para eles o cotidiano.

REFUGEE
UNHCR - S. Rich-CC

Muitas crianças foram forçadas a fugir para o exterior, em trajetos tão perigosos e mortais quanto ficar entre os escombros da terra natal sob o fogo cruzado. Muitas nunca chegaram a nenhum destino. Tanto entre as que sobreviveram ao êxodo quanto entre as que sequer tiveram a chance de tentar fugir, a ONG declara que as consequências são alarmantes:

“70% das crianças sírias sofrem estresse pós-traumático. Ele costuma levar à depressão, a condutas violentas e à tendência ao suicídio”.

Em assentamentos de refugiados sírios como os do Líbano, o drama das crianças é visível, audível, tangível, na forma de terrores noturnos e até de sequelas físicas, como as mechas precoces de cabelos brancos por causa do terror sobrevivido. Uma grande parte dessas crianças, de míseros 6 anos de idade quando muito, presenciou o assassinato ou a morte dramática de pelo menos um familiar.

ALEPPO
Evgeni Zotov-(CC BY-NC-ND 2.0)

Os filhos do estupro do Estado Islâmico

Existe ainda um drama talvez maior: o das crianças que não têm sequer identidade. Não têm nome. Não estão registradas em lugar nenhum. Muitas são rejeitadas pela sociedade. São os filhos inocentes, mas estigmatizados, do Estado Islâmico: crianças que nasceram durante a ocupação jihadista, geradas em estupros e casamentos forçados.

Testemunha desse cenário dilacerante é o pe. Firas Lutfi, frade franciscano sírio da Custódia da Terra Santa. Via Rádio InBlu, emissora da rede da Conferência Episcopal Italiana, ele descreve o horror da atual “normalidade” na região:

“Essas crianças nasceram de casamentos forçados, impostos pelos jihadistas. Nestes 6 anos, nasceram centenas de crianças e a sociedade não as aceita nem reconhece. São condenados por serem filhos de jihadistas, ‘gente ruim’, consideradas como não-sírios”.

Facebook Latin Parish St. Francis in Aleppo
Fray Ibrahim con monjes franciscanos en Alepo

Para atender essas crianças que de nada têm culpa, os franciscanos de Aleppo criaram um projeto.

“Não podemos deixar essas crianças à margem da sociedade. Estamos implantando um programa de prevenção e educação, mas também registrando e legalizando a existência delas. É um projeto ambicioso, mas queremos ser aquela gota no oceano que faz a diferença. Pelo menos 2.500 pessoas estão envolvidas nesse projeto, e esse número é só o das pessoas que nós conhecemos”.

A árdua tarefa está sendo realizada em parceria com o mundo muçulmano, visando ajudar essas crianças sem nome:

É um desafio grande, porque nenhuma organização internacional quer abordar este problema. Temos pequeninos de 1 a 6 anos que nunca foram à escola, e que, mais básico ainda, não têm sequer um registro legal na sociedade. Estamos trabalhando num projeto para que o parlamento reconheça a identidade dessas crianças. Também queremos apoiar as mães, ensinar a elas um trabalho e oferecer às crianças a oportunidade de recuperar os anos escolares perdidos”.

ADEM ALTAN /AFP
© Mohammed Zaatari/AP/SIPA