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As ferramentas de propaganda russas usadas nas eleições de 2016 nos EUA

ORLANDO SIERRA / AFP
The American flag is seen through the eye slit of a riot police shield as supporters of the presidential candidate for the Opposition Alliance Against the Dictatorship, Salvador Nasralla, protest against the reelection of President Juan Orlando Hernandez in elections marred by suspicions of fraud, outside the US Embassy in Tegucigalpa on December 21, 2017.
Honduras's leftwing opposition on Wednesday urged days of intensified protests to challenge President Juan Orlando Hernandez's claims that he won a new mandate in a November election marred by suspicions of fraud. It called for a demonstration in front of military command headquarters in the capital Tegucigalpa to decry "murders" which it claimed took place during robust crackdowns by security forces.
/ AFP PHOTO / ORLANDO SIERRA
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Contas falsas em redes sociais, comentários a favor e contra Donald Trump, manifestantes pagos: uma vasta operação de propaganda foi conduzida da Rússia para promover a vitória do candidato republicano à Casa Branca, em 2016, segundo a Justiça americana.

O procurador especial Robert Mueller, encarregado de investigar um possível conluio entre a equipe de campanha de Trump e a Rússia, acusou 13 cidadãos russos de conspirar para fraudar as eleições nos Estados Unidos.

O auto de acusação detalha uma empreitada de desestabilização através das redes sociais, financiada com milhões de dólares.

– Os instigadores –

A campanha, que teria começado em 2014, era chefiada por uma sociedade sediada em São Petersburgo, denominada “Agência de Investigação na Internet”, financiada por Evgeny Prigojine, um homem próximo do presidente russo, Vladimir Putin.

A agência supostamente realizou “uma guerra de informação contra os Estados Unidos”, mediante o uso de identidades falsas nas redes sociais e em mídias digitais, com o objetivo de criar “instabilidade política com o apoio de grupos radicais, usuários insatisfeitos com a situação econômica e social e dos movimentos da oposição”.

A operação foi realizada desde o início das primárias republicanas e democratas para favorecer Trump e prejudicar Hillary Clinton.

Em setembro de 2016, a agência se beneficiou de um orçamento mensal de mais de 1,2 milhão de dólares por suas operações.

– Contas falsas –

A agência criou várias páginas, inclusive concorrentes de Facebook e Instagram, dedicadas a relações raciais (“Blacktivistes”), imigração (“Fronteiras seguras”) e religião (“Muçulmanos Unidos da América” e “O Exército de Jesus”) com a finalidade de desinformar.

Segundo o informe, também controlou várias contas falsas de Twitter e Facebook favoráveis a Trump. Uma delas, do Partido Republicano no Tennessee, vazou informações falsas sobre uma investigação por fraude eleitoral nas primárias democratas na Carolina do Norte.

A partir de 2016, a agência difundiu amplamente alguns hashtags para influenciar os ‘trending topics’ do Twitter (#Trump2016 o #Hillary4Prison).

Dias antes da votação, a “Blacktivists” finalmente pediu voto para a candidata ambientalista Jill Stein e a “Muçulmanos Unidos da América” ​publicou uma mensagem que dizia que “a maioria dos muçulmanos se negam a votar em Hillary Clinton”.

– Compras publicitárias –

A agência, supostamente, “produziu, comprou e publicou” espaço publicitário na rede, “apoiando expressamente o candidato Trump e se opondo a Clinton”, inclusive mediante a promoção de manifestações ou comícios. Para manter isso, a empresa teria aberto de forma fraudulenta contas bancárias nos Estados Unidos usando documentos de identidade falsos, pagos via PayPal ou com moedas virtuais.

A compra de publicidade política por parte de estrangeiros é proibida nos Estados Unidos.

– Organizando manifestações –

Utilizando identidades falsas e contas falsas nas redes sociais, os operadores da agência contataram grupos de apoio locais a Trump para organizar manifestações e recrutar ativistas, inclusive na Flórida, um estado-chave, onde o republicano venceu. A agência supostamente pagou a uma dublê de Hillary, vestindo o uniforme usado por presos nos EUA, durante uma manifestação em West Palm Beach. Em seguida, teriam pago a ela uma viagem para participar, com trajes de presidiária, de um ato em Nova York.

Segundo os informes, a agência financiou e fez publicidade de outros comícios depois das eleições, inclusive duas manifestações rivais celebradas no mesmo dia em Nova York e uma marcha contra Trump em Charlotte.

– Contatos com a campanha de Trump –

A acusação não aporta nada que possa sustentar um possível conluio entre a equipe de Trump e a Rússia. Simplesmente se refere a um voluntário da campanha em Nova York “sem saber”, contatado pelos operadores russos e que forneceu gratuitamente material de campanha.

– Eleição arranjada? –

O número dois do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Rod Rosenstein, assegurou que não havia indícios de que o resultado final das eleições tenha sido influenciado por essa vasta campanha de propaganda.

(AFP)

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