Aleteia
Segunda-feira 19 Outubro |
Santos Mártires Canadenses
Religião

Carta Pastoral e Campanha da Fraternidade 2018

RIO DE JANEIRO

AFP PHOTO / Mauro PIMENTEL

Employing urban combat tactics, Brazilian army military police personnel patrol along an alley in the Rocinha favela in Rio de Janeiro, Brazil on September 25, 2017.

Vanderlei de Lima - publicado em 19/02/18

O jornal Testemunho de Fé, de 21-27/01/2018, p. 9-16, trouxe, na íntegra, a Carta Pastoral “Bem-aventurados os que constroem a paz (Mt 5,9)”, assinada por Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Cardeal Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro.

O documento segue a linha da Campanha da Fraternidade deste ano (cf. n. 3) cujo tema é “Fraternidade e superação da violência” e o lema “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8) e pode ser lido no site da Arquidiocese do Rio: www.arquirio.org.

O que aqui nos cabe dizer é que a referida Carta parece ter se limitado muito à superação da violência pela conversão do coração de cada ser humano (cf. n. 34), mas não considerou a maldade humana, fruto do pecado, presente no mundo. Tal maldade chama cada um à conversão, mas também à firme defesa do bem frente ao mal.

É certo que Cristo mandou amar os inimigos e deu-nos exemplos fortes, tais como: “se alguém esbofetear a sua face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,39). Isso, porém, não significa que o cristão será sempre um bobo a não saber reivindicar os seus direitos ou um fantoche nas mãos dos inimigos. O Senhor Jesus usou palavras fortes como: arrancar o próprio olho (5,29), amputar a mão direita (5,30), dizer apenas sim ou não (5,36), entregar o manto a quem desejar a túnica (5,40) etc. para conseguir fazer sua mensagem calar fundo nos ouvintes, mas nunca elas foram interpretadas ao pé da letra.

Dom Estevão Bettencourt, OSB, alerta: “O entendimento literal destas expressões teria feito dos discípulos de Jesus, no início do cristianismo, um rebanho simplório, posto à mercê de todo aventureiro ou explorador; uma tal ‘prática do Evangelho’ só faria promover o mal no mundo, dando ocasião a que ímpios e criminosos acabassem por sufocar a causa do direito, do amor e da verdade. As gerações cristãs, desde o início da nossa era, bem entenderam o sentido metafórico e hiperbólico das citadas frases de Mateus 5-7” (Parábolas e páginas difíceis do Evangelho. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, s/d, p. 187).

O próprio Cristo deu exemplo de que é lícito ao cristão reagir ao ser injustamente atacado. Quando foi agredido pelo guarda da corte do Sumo Sacerdote, Ele lhe inquiriu, chamando-o a ver sua injustiça ao perguntar: “Se falei mal, dá testemunho disto; mas se falei bem, por que me bates?” (Jo 18,23).

Por conseguinte, permanece inabalável o direito à legítima defesa (Catecismo da Igreja Católica, n. 2263-2264) ou o dever das autoridades e das forças de segurança de defenderem a população refém da criminalidade (idem, n. 2265-2267). A não contemplação de quem trabalha nas áreas da Justiça e da Segurança Pública, muitas vezes primeiras vítimas da violência que, infelizmente, grassa o País, na Carta, talvez se deva a razões de delimitação do tema. Isso, contudo, jamais quer dizer que a Mãe Igreja exclui esses importantes pontos ou os responsáveis pela segurança. O cidadão comum tem direito à legítima defesa e as autoridades públicas possuem o dever de defender o povo. Para aprofundamento: Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 379-383; 402-405 e 500-507, em especial. Site: www.vatican.va.

Note-se que o Papa Francisco, assim como seus antecessores, dentre os quais vários santos canonizados, entende ser fundamental a conversão do coração, mas, neste mundo marcado pelo pecado, não abre mão de ter à sua volta seguranças armados.

Portanto, as Polícias Militar e Civil, os Guardas Civis Municipais, os Agentes Penitenciários, bem como o Ministério Público e o Judiciário estão na linha de frente no combate à violência. Podem não ser, devidamente, valorizados, mas merecem nossa louvável atenção.

Quando você, amigo(a) leitor(a), encontrar-se com um deles não deixe de cumprimentar e parabenizar esse “anjo da guarda”. Afinal, ele se dispõem a dar a vida pelo próximo; ou seja, por mim, por você e pelos seus (cf. Jo 15,13). Pense nisso!

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo.

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Tags:
ConversãoMalViolência
Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
st charbel
Reportagem local
Por acaso não está acontecendo o que São Char...
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
FATIMA
Philip Kosloski
Fotos raras dos 3 pastorinhos de Fátima
POPE FRANCIS GENERAL AUDIENCE
Reportagem local
As 3 orações que o Papa pediu para rezarmos e...
Pe. Gilmar
Reportagem local
Brasil: padre desaparece e manda mensagem com...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia