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Bombardeios sírios prosseguem em Ghuta Oriental antes de votação na ONU

SYRIA AFRIN
Ahmad Shafie BILAL I AFP
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Os aviões do regime sírio prosseguiam bombardeando nesta sexta-feira, pelo sexto dia consecutivo, o reduto rebelde de Ghuta Oriental, horas antes que o Conselho de Segurança da ONU submeta à votação uma resolução de um cessar-fogo de 30 dias.

Desde domingo, 462 civis, entre eles 103 crianças, morreram nos intensos e incessantes bombardeios e disparos de artilharia do exército sírio contra esse amplo reduto, que fica próximo a Damasco e que, segundo o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, virou “um inferno”.

A Turquia pediu nesta sexta-feira à Rússia e ao Irã, os principais aliados do presidente sírio, que detenham os ataques do regime sírio.

“Rússia e Irã devem deter o regime”, declarou o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlüt Cavusoglu, considerando que a ofensiva em Ghuta Oriental e na província rebelde de Idlib é contrário aos acordos negociados por Ancara, Moscou e Teerã nas discussões de paz de Astana.

Mas o regime Assad ignora sistematicamente os apelos internacionais para acabar com o banho de sangue na região.

Nesta sexta, os bombardeios deixaram 32 mortos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

“O balanço pode aumentar, pois há muitos feridos em estado crítico e vítimas sob os escombros”, alertou a a ONG.

Os cerca de 400.000 habitantes de Ghuta, submetidos a um asfixiante sítio do regime desde 2013, sofrem com a escassez de alimentos e medicamentos.

Em função da situação, o Conselho de Segurança da ONU submeterá à votação nesta sexta-feira às 19H30 GMT (16H30 de Brasília) um projeto de resolução sobre um cessar-fogo de 30 dias na Síria para permitir a ajuda humanitária e as evacuações médicas.

Os membros do Conselho de Segurança receberam uma versão com emendas do texto inicial, negociado há duas semanas.

O novo texto se limita a “pedir” um cessar-fogo, enquanto a versão anterior usava o verbo “decidir”.

Também especifica que a trégua não será aplicável a “indivíduos, grupos, empresas e entidades associadas” a Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico. A versão precedente mencionava apenas as duas organizações.

Ainda não está claro se a Rússia, que tem direito de veto no Conselho de Segurança, apoiará a resolução. Na quinta-feira à noite, o embaixador russo na ONU, Vasili Nebenzia, disse que não havia acordo para um cessar-fogo humanitário.

O texto tem como objetivo aliviar o cerdo do regime sírio ao reduto rebelde de Ghuta oriental, fornecer ajudar humanitária urgente (medicamentos e comida) e organizar a saída de várias pessoas nesta área de quase 400 habitantes.

O projeto foi apresentado em 9 de fevereiro por Suécia e Kuwait, mas as negociações pararam e, desde então, o regime sírio bombardeia Ghuta oriental, com um balanço de mais de 400 mortos nos últimos cinco dias.

Mais de 13,1 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária, incluindo os 6,1 milhões de deslocados dentro do país desde o início, em 2011, de uma guerra civil que matou mais de 340.000 pessoas.

(AFP)

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