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Marca pessoal: uma oportunidade para fazer o bem

YOUNG,WOMAN,BOLD

Bruce Mars | CC0

Miriam Diez Bosch - publicado em 23/02/18

Em muitos casos, falar de si mesmo não tem a ver com autopromoção

Jordi Collel tem uma profissão que é recente: ele é personal brander, o gestor de marca pessoal. Sua função é ajudar pessoas e instituições a serem o que são, a serem conhecidas, reconhecidas e valorizadas.

Mas falar muito de si mesmo tem seus riscos. O “autoelogio” pode ser tachado de orgulho. Mas, segundo os personal branders, não é bem assim. “Calar-se é negar-se a compartilhar o que você tem de bom”, adverte Collel, que é professor da Faculdade de Comunicação e Relações Institucionais Blanquerna, da Universidade Ramon Llull. Veja o que ele diz sobre a construção da marca pessoal nesta entrevista concedida à Aleteia.

COLLELL
Jordi Collell - Twitter

Você diz: “sou a minha marca”. Mas sou algo a mais, não sou?

Uma marca é um símbolo, um signo, uma promessa de valor. Minha marca, a sua, a de todos é uma pegada deixada no coração dos outros. Isso parece pouco para você?

Não, dito assim me parece muito…

Se deixo uma pegada, se sou uma marca, é porque os outros existem. Sem eles, não teria sentido o que estou contando. Portanto, sou um ser social. Também sou uma pessoa que está no mundo e que estou convencido de que posso mudá-lo para melhor. Como ser social, não consigo fazer isso sozinho e preciso me comprometer com os outros para fazer com que as coisas mudem. Sou uma pegada no mundo. Busco a felicidade, a plenitude, o sentido da minha vida. Sempre o fiz e creio que minha pegada não termina com a minha vida – nem a minha nem a dos outros, claro. Creio que a plenitude é trabalhada em diversos planos e somente alguns deles estão neste momento em que vivemos. A busca pela plenitude continuará depois da minha vida. Sou uma pegada transcendental.

O Evangelho pede que proclamemos a mensagem, mas sem fazer autopromoção. Como levar isso para a vida profissional?

Todos deixamos pegadas desde que nascemos, embora não percebamos isso. Quem nos rodeia nos lê e nos interpreta como pode. E essa leitura pode ser tendenciosa.

Eu tenho uma máxima: “se tu não te explicas, os outros te inventam”. E explicar-se não é autopromoção. Esta é uma falsa crença, que pode ser uma desculpa para a dificuldade que todos temos de elaborar uma comunicação pessoal potente. Não saber comunicar o que eu sou é um contrassenso.

Se eu me considero uma pessoa válida, que pode contribuir com os outros através da minha experiência e do meu conhecimento, por que vou ficar quieto? Calar-se não é um ato de humildade, é um ato de egoísmo. Calar-se é negar-se a compartilhar o que você tem de bom.

Você me dirá que, nas redes sociais, há muita fumaça e poucas nozes. Eu tenho que reconhecer que isso é certo. Mas também há muito valor compartilhado.

Observo por parte de muitas pessoas o paradoxo de esquecer a Mensagem dentro de sua mensagem. Compartilham-se conhecimentos, comunicam-se situações e eventos, discute-se, protesta-se, mas faltam elementos diferenciais. Temos que fazer um esforço coletivo para incluir na nossa mensagem elementos relevantes de nossa fé, sem cair no superficial nem na bondade em excesso. Temos que sair do armário bem equipados para podermos dar testemunho de maneira eficaz.

Eu li um livro do beneditino Lluís Duch que me fez refletir muito, pois fala do exílio de Deus, de sua ausência na vida cotidiana. Isso é algo que devemos fazer: não só refletir, mas atuar e deixar transparecer nossas mensagens pessoais?

Na minha vida profissional, nunca gostei da autopromoção. Mas sempre compartilho materiais que nos permitem refletir sobre nossa vida e sobre a marca que deixamos. Estou convencido de que só chegamos às pessoas se solucionarmos os problemas delas. E eu ofereço-lhes uma contribuição: com minha ajuda, elas podem encontrar seus lugares no mundo e alcançarem seus objetivos, terem um olhar otimista e esperançoso, serem mais felizes. E tudo isso tem muito a ver com a Mensagem.

Muita gente tem um potencial enorme, mas não sabe tirar partido disso. O que lhes falta?

Existe um axioma da publicidade que diz que se você não é visto, você não é lembrado. É precisamente isso que falta a essas pessoas. O potencial, se não for compartilhado, vira uma flor em um vaso. A chave para tirar partido de si mesmo é compartilhar, de maneira profissional e organizada, conhecimentos e experiências que sejam úteis para os outros.

Para se comunicar bem, é preciso se conhecer profundamente, saber o que você quer e ser aquele que pode contribuir. Também temos que fazer um plano e compartilhá-lo. Por isso, o personal branding tem tanto sentido. Ele ajuda as pessoas a se conhecerem e serem conhecidas, reconhecidas, lembradas e escolhidas.

Como conseguir que a comunicação seja autêntica e verdadeira?

Comunicar é gerar valor ao seu interlocutor e mostrar a ele um pouco de você mesmo.

Articular uma mensagem potente não é uma tarefa difícil, mas é complexa. Pensar bem em nossas mensagens, buscar ajuda profissional para que elas sejam mais potentes, e sobretudo, preenchê-las de conteúdo real é a única receita para que a comunicação seja autêntica, verdadeira e eficaz.

Será que o personal branding vai cair de moda?

Se desde que nascemos deixamos marcas, se nos vemos na necessidade de nos explicarmos para que não nos inventem e se temos que conhecer nossa proposta de valor, então temos a necessidade de gerenciar esta marca pela vida inteira. Portanto, o personal branding não é uma moda; é algo que veio para ficar.

Na verdade, as pessoas sempre gerenciaaram suas marcas, suas pegadas. Mas as redes sociais favoreceram a democratização desta gestão. O que antes era privativo, agora está ao alcance de todos.

O que é certo é que a maneira de comunicar evoluirá ao ritmo das ferramentas de comunicação. Seria interessante nos perguntarmos: o que faremos quando as redes sociais forem substituídas por outras coisas?

Que conselho sobre “marca” poderíamos dar para a Igreja?

A Igreja são pessoas. E é nelas que estão seus melhores embaixadores. Cuidar das pessoas, incentivar a comunidade a se expressar, contribuir com soluções (e não travas) aos problemas que as pessoas têm e, principalmente, ser luz e sinal de esperança em um momento em que a liquidez inunda todas as esferas. Tudo isso garantirá uma solidez à toda prova.

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