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Temer candidato à reeleição, uma ideia que cresce no Brasil

favela
Shutterstock-lazyllama
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Teria sido completamente incongruente há alguns meses, após duas tentativas fracassadas de tirá-lo do poder por corrupção, mas a ideia de que o presidente Michel Temer pode ser candidato à reeleição tem avançado no país.

O presidente – que chegou ao poder em 2016 apenas em razão do impeachment de Dilma Rousseff, de quem foi vice-presidente – afirma com veemência que não se apresentará a um novo mandato.

“Eu não serei candidato”, voltou a assegurar Temer na sexta-feira, conforme o ruído em torno de sua futura candidatura à presidência em outubro se amplificava.

“Não devemos acreditar muito”, estima David Fleischer, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), acrescentando que “todos sabem que Temer está tentando preparar sua candidatura”.
Menos de oito meses antes da eleição, dois fatores deram substância à hipótese de que o mais impopular de todos os presidentes brasileiros planeja continuar no cargo.

Primeiro, um vasto espaço permanece desocupado no espectro político, entre os números um e dois das intenções de voto: à esquerda, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, na extrema direita, Jair Bolsonaro, deputado nostálgico da ditadura militar (1964-85).

Lula é considerado politicamente morto por quase todos os analistas após sua condenação a 12 anos e um mês de prisão por corrupção. Bolsonaro desperta medos e colide com um “teto de vidro” em torno de 20%.

Nem no centro, nem à direita, não há figura de peso. Marina Silva, ex-senadora e pré-candidata à presidência pelo seu partido Rede, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o deputado Rodrigo Maia (DEM), ou o ministro da Economia, Henrique Meirelles, tateiam o terreno.

Mas, acima de tudo, a hipótese de Temer (MDB) foi posta em órbita pelo decreto do presidente dando ao Exército o comando das operações de segurança no estado do Rio de Janeiro, sobrecarregado pela violência.

Defendendo uma campanha contra “a metástase do crime organizado”, o presidente Temer provavelmente fez seu melhor discurso e talvez a melhor cartada de seu mandato, posando como o homem forte que pode “restaurar a ordem”.

– ‘Já é candidato’ –

Seu decreto é aprovado por 83% dos cariocas, de acordo com uma pesquisa solicitada pelo governo. Esta é a primeira vez que o presidente, cuja taxa de aprovação nacional afundou para 6%, satisfez tantas pessoas, que sofrem diariamente com os tiroteios, balas perdidas e assaltos à mão armada.

“Não tem nada de eleitoral nesta questão”, defendeu Temer.

O decreto foi rapidamente denunciado, porém, como uma manobra desse animal político para permanecer no Palácio do Planalto. Aliás, ajudou a enterrar uma impopular reforma da Previdência prometida ao fracasso no Parlamento.

E, “com a intervenção militar, não se fala mais sobre a Lava Jato, ou das medidas de austeridade. O assunto está mudando”, aponta Glauber Sezerino, analista do site de informação Autres Brésils.

“Temer está pensando em se cacifar para ser presidente, quer pegar votos do Bolsonaro”, também lançou Lula.

Bolsonaro, por sua vez, acusou o presidente de caçar em suas terras: “Temer já roubou muita coisa aqui, mas o meu discurso não vai roubar, não”, escreveu nas redes sociais.

Na semana passada, o Planalto teve de desmentir as palavras de Elsinho Mouco, marqueteiro de Temer, que havia dito que ele “já é candidato”.

O jornal O Globo informa, no entanto, que Temer “constrói sua candidatura” pedindo aos ministros que lancem campanhas positivas sobre a ação do governo.

Aposta nos saldos positivos do crescimento, inflação e desemprego depois de dois anos de recessão histórica, mesmo que os déficits públicos permaneçam gigantes e a classificação do Brasil seja ainda mais reduzida pelas agências de rating.

– ‘Vampiro’-

Representado no último carnaval do Rio como vampiro empoleirado em uma pilha de dinheiro, Temer poderia ser eleito para um período de quatro anos?

“Seria uma missão quase impossível”, diz Fleischer, “porque seu governo é extremamente impopular e é alvo de tantas acusações de corrupção”.

“Mas a configuração pode mudar, se Lula não for candidato, se nenhum candidato forte aparecer no centro e se Temer tiver bons resultados nos próximos dois meses”, completou.

“Não é impossível que Temer se apresente, mas não vejo sendo eleito”, considera Sezerino.

Além da corrupção, ele evoca “sua falta de carisma” e “esse crescimento econômico que não será realmente sentido antes do final do ano”.

O Exército continua a ser uma instituição popular no Brasil, mas a opinião “pode ​​se virar muito rapidamente”, se “a intervenção não der resultado positivo e se as denúncias de violações dos direitos humanos se acumularem”, como muitos temem.

Finalmente, surge a questão da saúde desse presidente de 77 anos que passou por quatro cirurgias nos últimos meses.

“Em uma situação normal, seus sérios problemas de saúde seriam um fator negativo”, disse Fleischer.

(AFP)

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