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UE aposta em grande coalizão na Itália para evitar paralisação

SPELACCHIO
Photo by Andrea Ronchini/NurPhoto
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Em caso de risco de paralisação na Itália após as eleições legislativas de 4 de março, a União Europeia (UE) trabalha por um acordo de grande coalizão entre os partidos pró-Europa do país, que confirmaria o retorno ao cenário continental do eterno Silvio Berlusconi.

“Gostaria que a Itália, depois de 4 de março, pudesse dispor de um governo que governa, com um apoio parlamentar”, afirmou recentemente o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, resumindo o sentimento geral na capital do bloco continental.

Aos 81 anos e com uma condenação por fraude fiscal nas costa que o inabilita para um cargo público, Silvio Berlusconi permanece como um símbolo do partido Força Itália e se considera uma forte influência na terceira maior economia da zona do euro.

No fim de janeiro, Juncker o recebeu como um amigo em Bruxelas e a influente chanceler alemã Angela Merkel, que pressionou em novembro de 2011 para obter sua renúncia, o considera novamente um parceiro político.

O presidente francês, Emmanuel Macron, conversou várias vezes com Matteo Renzi, o líder do Partido Democrático (PD), que formaria a outra parte da ‘grande coalizão’ italiana e que apresenta como candidato o atual primeiro-ministro, Paolo Gentiloni.

O objetivo deste movimento, similar ao adotado para que o social-democrata Martin Schulz aceitasse negociar um governo de coalizão com a chanceler alemã Angela Merkel, é impedir a chegada ao Palácio Chigi do Movimento 5 Estrelas (M5S), afirmou uma fonte europeia.

“A opinião pública italiana está se inclinando para os partidos antieuropeus que têm um discurso anti-imigração”, alerta outra fonte em Bruxelas.

O M5S, um partido antissistema fundado pelo humorista Beppe Grillo, tem 28% das intenções de voto, enquanto o PD aparece com 22% e a coalizão liderada pelo Força Itália, que inclui os neofascistas Irmãos da Itália, alcança quase 38%, sendo 17-18% para o partido de Berlusconi.

Caso os resultados sejam confirmados, nenhum partido poderia governar sozinho. A complexa lei eleitoral italiana, que combina um sistema proporcional e de maioria, permite obter a maioria absoluta das cadeiras no Parlamento com 40% ou 45% dos votos.

Alguns líderes europeus consideram um fato um acordo de coalizão entre as forças pró-Europa Força Itália e Partido Democrático para apoiar Gentiloni, considerado um “centrista” em Bruxelas, como chefe de Governo caso os resultados impeçam uma maioria clara.

Mas outras fontes têm sérias dúvidas.

“Tenho o sentimento de que ninguém terá maioria, inclusive uma grande coalizão”, disse um cético, para quem “existe um risco real de bloqueio de sistema” na Itália.

Na semana passada, o presidente da Comissão Europeia pediu a todos que se preparem para o “pior cenário”, ao manifestar preocupação com as incerteza que afetam a Europa, como o “aumento dos governos minoritários”.

No mesmo dia das eleições italianas, os social-democratas alemães devem se pronunciar sobre o acordo de coalizão negociado por Martin Schulz com os democrata-cristãos de Merkel.

(AFP)