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Iêmen enfrenta condições 'catastróficas', segundo ONU

Julien Harneis-CC

Agências de Notícias - publicado em 28/02/18

As condições de vida no Iêmen são catastróficas após três anos de guerra, com risco crescente pela fome e pelo cólera, na pior crise da humanitária da história, disse nesta terça-feira (27) um alto funcionário da ONU.

O Conselho de Segurança está reunido para discutir a situação no Iêmen, um dia depois da Rússia vetar uma resolução do Reino Unido, apoiada por Estados Unidos e França, que teria pressionado o Irã por sua incapacidade de bloquear o envio de mísseis a rebeldes huthis do Iêmen.

“Após três anos de conflito, as condições no Iêmen são catastróficas”, disse John Ging, diretor de operações humanitárias da ONU.

“As vidas das pessoas continuaram piorando. O conflito se intensificou desde novembro, afastando cerca de 100 mil pessoas de seus lares”, afirmou Ging.

Um relatório da Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicou em janeiro que 22,2 milhões de iemenitas (76% da população) precisam de ajuda.

O risco de fome também cresce, com 8,4 milhões de pessoas confrontadas com a mazela, frente aos 6,8 milhões em 2017, segundo a OCHA.

Além disso, o cólera infectou mais de 1 milhão de pessoas desde abril de 2017, no pior surto do mundo, enquanto a difteria voltou ao país pela primeira vez desde 1982, disse Ging.

Desde 2015, a Arábia Saudita lidera uma coalizão militar no Iêmen para dar apoio ao governo do presidente Abd Rabo Mansur Hadi contra os rebeldes huthis xiitas, que controlam Saná, capital do país.

“As partes continuaram com o padrão destrutivo de política de soma zero que levou o país a imergir em maior pobreza e destruição”, disse o mediador da ONU no Iêmen, Ismaïl Ould Cheikh Ahmed.

A ONU classifica a guerra do Iêmen, que deixa mais de 9.200 mortos e cerca de 53 mil feridos, da “pior crise humanitária no mundo”.

Os Estados Unidos fazem pressão para condenar e sancionar Teerã após o lançamento de mísseis de fabricação iraniana à Arábia Saudita em 2017 por parte dos rebeldes huthis do Iêmen.

Para a Rússia, o relatório da ONU não traz nenhuma prova que culpe diretamente as autoridades iranianas.

(AFP)

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