Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia
Redação da Aleteia / ACI Digital
Como surgem as intenções de oração do Papa?
María Álvarez de las Asturias
Como ajudar um casal que se separou?
Padre Reginaldo Manzotti
Oração para pedir luz ao Senhor
Padre Reginaldo Manzotti
5 lições de vida para ser feliz
Prosa e Poesia
Os recomeços
Vatican News / Redação da Aleteia
Papa aos juízes: não buscar interesse pessoal

A descanonização da Santa Gianna Beretta Molla

Public Domain
Compartilhar

Ela escolheu morrer para não ter que abortar - e isso que era médica. Mas parece que hoje isso é pecado maior que matar.

Todo o filho tem o direito de ser gerado pelos pais biológicos, que devem ser casados (e não por técnicos em laboratório), e de por eles, ambos e dois, ser criado e educado. Este direito óbvio, em virtude da dignidade incomensurável de cada pessoa em qualquer idade, é, nos dias que correm, espezinhado por legislações torpes e aberrantes, geralmente repudiado pela mentalidade reinante, por grande parte de cristãos e, mesmo, por membros da Hierarquia, um pouco por todo o mundo.

Infelizmente, por diversas circunstâncias, isso (ser criado e educado por ambos) nem sempre é possível ou, pelo menos, torna deficiente a sua realização. Por exemplo, a morte de um dos pais, a prisão prolongada, o serviço militar em terras estrangeiras numa guerra, por tempo indeterminado, uma doença crônica incapacitante, a violência doméstica (psicológica, física ou moral), (o adultério, motivo que pode ser bastante para uma separação, a poligamia), a conjunção poli-amorosa, etc. Tudo isto é de modo geral compreendido e aceito pela generalidade das pessoas e, em certa medida, pela Igreja.

Porém, quando se trata dos filhos (de católicos validamente matrimoniados, que se divorciam pelo civil e “casam” civilmente) que são fruto dessa relação civil, objetivamente adulterina, considera-se um imperativo absoluto a permanência nesse estado, tido como único meio para não cometer uma grave injustiça para com os rebentos. Claro que, se os pais se decidem a viver como irmãos para o maior bem da prole que se quer salvaguardar, é compreensível que partilhem a mesma morada e se entreajudem no cuidar dos filhos.

Mas naqueles casos em que um quer viver abstinente e o outro não aceita? Deve, aquele que quer, submeter-se à prepotência fornicadora do outro? Evidentemente que não. E nessa circunstância terá que separar-se, terminando definitivamente com a situação objetiva de adultério público e permanente, mas continuando, conforme as suas possibilidades, a contribuir para a criação dos filhos. Caso contrário, deveríamos, por exemplo, descanonizar e condenar como gravemente injusta a Santa Gianna Beretta Molla.

Esta médica ginecologista era casada e tinha três filhos quando ficou grávida de uma quarta criança. Descobriu-se (então) que ela tinha um fibroma no útero e havia três opções: retirar o útero doente (o que ocasionaria a morte da criança), abortar o feto ou, a mais arriscada, submeter-se a uma cirurgia perigosa para preservar a gravidez. Gianna (como médica tinha plena consciência do que lhe viria a suceder) não hesitou e disse: “Salvem a criança, pois ela tem o direito de viver e ser feliz!“.

A cirurgia ocorreu em 6 de setembro de 1961. Deu entrada para o parto no hospital de Monza na Sexta-Feira Santa de 1962. No dia seguinte, 21 de abril, nasceu Gianna Emanuela. Sempre fiel, afirmava: “Entre a minha vida e a do meu filho, salvem a criança!“. Gianna faleceu no dia 28 de abril de 1962, em casa.

Perante as alternativas que lhe foram aconselhadas – não só por médicos, mas também por familiares e pelo próprio marido, lembrando-lhe os três filhos que deixaria desamparados da sua presença materna -, a primeira era moralmente lícita, legítima. E, não obstante, ela pôs em primeiro lugar a filha que trazia dentro em si.

Se não foi gravemente injusto, muito pelo contrário, o abandono previsto (mas não desejado) a que Santa Gianna B. Molla votou os filhos em virtude da sua entrega magnânima de amor, por que será gravemente injusto um pai ou mãe entregar-se também com semelhante longanimidade, renunciando a um comportamento gravemente imoral, para não mais ofender a Deus, unir-se a Jesus Cristo e viver em comunhão com o Seu Corpo que é a Igreja – podendo continuar, embora com limitações, acompanhando os seus filhos e contribuindo para a sua criação?

Padre Nuno Serras Pereira, via blog Senza Pagare. A grafia original portuguesa foi adaptada para o uso brasileiro.

Aleteia Top 10
  1. Lidos