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Casei, mas não quero ter filhos!

COUPLE GETTING MARRIED
Shutterstock
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Um filho não pode ser pensado à medida da própria comodidade. Ele será sempre,“o dom mais excelente do matrimônio”

Caros amigos, uma reflexão acerca da geração de filhos pede, antes, uma reflexão acerca da realidade da qual ela depende: o matrimônio. A Igreja, considerando atentamente os dados da Bíblia e da sua Tradição, propõe como elementos essenciais do matrimônio cristão a unidade, a indissolubilidade e a fecundidade (Cf. Gn 1, 28; 2, 24, Mt 19, 4-6). De fato, é dupla a finalidade da união conjugal: o bem dos cônjuges, que se entregam um ao outro no amor, e a transmissão da vida, como transbordamento desse amor que sentem um pelo outro e que não pode se esgotar no interior do próprio casal (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2363).

Na realidade, por sua própria natureza, o matrimônio está ordenado à geração e à educação dos filhos (Cf. Gaudium et spes, 50). O mesmo Deus que criou o homem e a mulher e os entregou um ao outro, confiou-lhes a sublime missão de colaborar com Ele na obra da criação, quando lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gn 1, 28).

Um casal, portanto, que se fecha à transmissão da vida – sem que exista um motivo suficientemente grave e justo – acaba por negar um elemento intrínseco ao matrimônio, isto é, que está na própria essência do sacramento que receberam ao se casarem. Lembremo-nos de que uma das perguntas feitas ao casal durante a celebração litúrgica do matrimônio os questiona se estão dispostos a receber, com amor, os filhos que a eles forem confiados por Deus.

É fato que, hoje, muitos casais optam por não ter filhos e são diversos os motivos que podemos elencar para tentar explicar esse fenômeno. Em primeiro lugar, temos a chamada cultura do individualismo, que propõe o eu como valor absoluto e cujos efeitos, como bem sabemos, são altamente destrutivos às relações humanas. Uma consequência muito concreta dessa mentalidade é a ideia que filhos restringem a liberdade do casal, sendo, por isso, um obstáculo à concretização de seus projetos individuais. Para estes, os filhos são uma dívida, não uma dádiva (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2378). É crescente, também, a chamada cultura do provisório, que leva as pessoas a rejeitarem tudo o que pede responsabilidade e compromisso. Além disso, a atual situação econômica e os diversos problemas sociais acabam por produzir nas pessoas a sensação de instabilidade e de medo em relação ao futuro.

“A tarefa fundamental do matrimônio e da família é estar a serviço da vida” (Catecismo da Igreja Católica, 1653), de modo que a recusa dessa missão divina por parte dos que podem realizá-la é, no mínimo, uma contradição. Naturalmente que não estamos fazendo uma reflexão saudosista, que pretende reproduzir no presente o passado, quando os casais, não obstante os poucos recursos materiais, tinham muitos filhos. De fato, a geração de um filho não é, somente, um ato biológico, mas pressupõe aquilo que o Papa Francisco chama de responsabilidade geradora (Cf. Amoris laetitia, 82), no sentido de que a vida gerada precisa, necessariamente, de acompanhamento material, afetivo e espiritual por parte dos que a geraram. A Igreja é mestra ao ensinar que o matrimônio está, naturalmente, ordenado à transmissão da vida, mas é mãe ao instruir seus filhos sobre a maneira verdadeiramente humana e cristã de viver o dom da paternidade e da maternidade: respeitando a vontade de Deus, de acordo e esforço comuns, considerando as condições do tempo e da própria situação e com responsabilidade generosa.

É importante dizer, ainda, que o matrimônio não foi instituído tendo em vista, somente, a procriação (Cf. Gaudium et spes, 50). Lembremo-nos de que há casais que, mesmo depois de recorrerem aos recursos médicos legítimos, não podem gerar filhos. A adoção, para eles, pode ser um caminho válido para realizar a paternidade e a maternidade de maneira generosa, oferecendo um lar e amor a quem está privado de um ambiente familiar adequado.

De fato, as dificuldades e exigências do tempo presente não podem ser ignoradas. Porém, um filho não pode ser pensado à medida da própria comodidade. Ele será, sempre, “o dom mais excelente do matrimônio” (Catecismo da Igreja Católica, 2378). Deus dá a missão, mas concede, também, a graça necessária para bem realizá-la!

Por Padre Jefferson Antônio da Silva Monsani, via A12