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Namorar sempre é a solução?

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Leszek Glasner - Shutterstock
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O namoro pode tornar-se algo negativo, se não estivermos preparados para vivê-lo

Todos nós temos a necessidade de sermos amados. São muitas as pessoas que, com o intuito de corresponder a essa carência, pagam caro e se submetem a diversas situações.

Todos nós somos carentes. Mas, se essa carência afetiva não for bem direcionada, poderá tornar-se um fator de desequilíbrio, arrastando-nos, muitas vezes, a tomar atitudes contrárias a um sadio comportamento.

Em uma sociedade, na qual as famílias são cada vez mais desestruturadas, “com mães e pais que são solteiros e filhos órfãos de pais vivos”, o índice de ausência de amor na formação de nossas crianças é assustador.

Uma criança que nunca recebeu um abraço de seus pais, que nunca recebeu carinho, ao contrário disso, foi criada em meio a gritos e grosserias, com certeza, crescerá com um enorme vazio existencial. Muitas dessas crianças, hoje, já crescidas e impulsionadas por suas carências, cometem grandes erros – somente para atrair sobre si – a atenção dos demais.

Por isso acredito que, antes de viver qualquer relacionamento afetivo, como o namoro, precisamos aprender a trabalhar nossa história, buscando a cura de nossos afetos. É claro que não precisamos ser perfeitos para namorar; mas, existem coisas em nossa vida que precisamos resolver, antes de assumir um relacionamento.

Carência com carência gera desequilíbrio

Nem sempre o namoro é a solução e, pode até tornar-se negativo, se não estivermos preparados para vivê-lo. Carência com carência só pode gerar desequilíbrio e um relacionamento doentio, no qual a cobrança será excessiva e a ternura ausente. De modo que, um sufocará o outro e a relação acabará se tornando um peso.

Existem determinadas coisas em nossa história, que somente Deus pode curar; outras, que somente nós podemos resolvê-las. Por isso, faz-se necessária a experiência do autoconhecimento, para descobrirmos nossa verdade e os passos que precisamos dar, buscando a experiência da cura interior, de modo que Deus possa trabalhar em nossa história, curando nossas feridas e marcas. Essas experiências precisam preceder nossos relacionamentos, para que o ciúme, o orgulho e nossas carências não destruam o verdadeiro afeto no relacionamento.

Namorar é bom, ou melhor, ótimo! Mas, melhor ainda é namorar pronto, do jeito certo, tendo equilíbrio no amar e ser amado, compreendendo que somente Deus pode preencher o vazio da alma e que, este espaço, o outro não pode ocupar, por mais que o forcemos a isso.

Não se deixe levar pela pressa

Amor em que, um diviniza o outro e depois o prende, é amor destemperado e doente. Antes de se viver o “nós”, é preciso trabalhar o “eu”, para que, no futuro nossos relacionamentos tenham mais qualidade e sejam mais duradouros.

Quem não se deixa levar pela pressa, mas segue o caminho proposto por Deus, colherá maravilhosos frutos, e alcançará gradativamente a felicidade em seus relacionamentos.

Tenhamos a coragem de realizar tudo do jeito de Deus e não do nosso, abrindo-nos à Sua ação libertadora em nossa vida. Somente assim, poderemos acompanhar e ser bem acompanhados pelos demais.

Deus o abençoe!

Pe. Adriano Zandoná, publicado originalmente em Canção Nova