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Especialistas e governantes debaterão no Brasil a crise global da água

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Cristian Ungureanu-(CC0 1.0)

Agências de Notícias - publicado em 18/03/18 - atualizado em 18/03/18

Os sinais de perigo pelo consumo desenfreado de água e o aquecimento global estão dando lugar a uma realidade dramática com cidades à beira do desabastecimento e rios poluídos, que será debatida na semana que vem em Brasília, durante o 8º Fórum Mundial da Água.

Com o caso de Cidade do Cabo – que em breve poderia ficar sem água corrente – como emblema, 15 chefes de Estado e de governo, 300 prefeitos e dezenas de cientistas e ambientalistas analisarão as sequelas das mudanças climáticas, a exploração excessiva de recursos e as pressões populacionais sobre o elemento mais crítico do planeta.

Espera-se que o evento reúna 40.000 pessoas em Brasília entre 18 e 23 de março.

“Temos um aumento do número de barragens, de automóveis, a produção industrial cresceu, a população cresceu e a resposta de conservação e proteção ainda é muito frágil comparado com os impactos que já começam a se manifestar”, disse à AFP Ney Maranhão, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), que regula o uso de recursos hídricos no Brasil.

O esgotamento dos lençóis freáticos, a proliferação de barragens e a poluição de rios são também parte do “telão de fundo” que se instalou na Terra com o início do aquecimento global, afirmou Maranhão em uma entrevista recente.

Ricardo Medeiros, diretor do fórum e membro do World Water Council – entidade com sede em Marselha (França) que organiza este encontro trienal -, acredita que a chave também passará por encontrar respostas de gestão além do capítulo ambientalista.

– Evitar outras ‘Cidades do Cabo’ –

“A água tem sido tratada como um elemento transversal a todas as atividades, mas sempre em segundo plano. O central agora é o reconhecimento da água não com aquele discurso tradicional de um bem essencial à vida”, mas de que “é o elemento que induz o desenvolvimento” econômico, disse à AFP.

Colin Strong, do World Resources Institute, coautor de um estudo que propõe mapear a gestão pública da água no mundo, concorda que a problemática deve ser abordada de diferentes ângulos.

“As narrativas tradicionais claramente não estão funcionando”, respondeu a uma consulta por e-mail.

“A administração [da água] é uma ação tangível que permite enfrentar um risco concreto (…) e embora seja certo que a Cidade do Cabo vive uma seca, as secas podem ocorrer e ser controladas se existe um plano para responder à crise. Mas se as cidades não têm um programa de contingência para a água que lhes permitam superar a escassez, haverá mais Cidades do Cabo”, acrescentou.

A Cidade do Cabo poderia ficar sem água potável em menos de três meses, embora segundo as autoridades isso não deveria ocorrer se forem cumpridas as previsões de chuvas dos próximos meses e se for mantido o nível atual de consumo.

– A água, fonte de cooperação ou de conflito –

A chegada do fórum à América do Sul pela primeira vez coincide também com um momento crítico no país anfitrião, por cujo território passa 18% da água potável do planeta.

A populosa região nordeste do Brasil atravessa a seca mais prolongada de sua história, e Brasília tem desde janeiro de 2017 severas restrições ao consumo após uma queda de suas reservas.

“A água tem que ser um elemento que una as comunidades, as nações, e não a matéria-prima da próxima guerra mundial como se costuma dizer. O fórum tentará compartilhar boas práticas, responsabilidades, soluções, experiências e em grande dimensão a cooperação entre nações”, disse Medeiros.

O ponto de partida formal dos debates será na segunda-feira, quando a Unesco divulgar seu informe anual sobre o estado do recurso no planeta “Soluções Baseadas na Natureza para a Gestão da Água”.

(AFP)

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