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Amigos? Poucos, mas verdadeiros, por favor!

FOUR FRIENDS
Helena Lopes I Unsplash
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E você, prefere ter poucos ou muitos?

Admito que já senti aflição por ter poucos amigos. Já senti preocupação e até uma pontinha de culpa. Senti, no passado. O tempo me avisou que a quantidade não faz diferença. E que ele mesmo se encarrega de fazer os testes de qualidade.

Superei a fase em que me sentia mal em conseguir contar nos dedos as minhas amizades, enquanto outras pessoas não tinham dedos que bastassem. Já não me sinto menor por isso. Entendi que muitos daqueles que tinham amigos além da conta não eram mais felizes por isso.

Frequentemente eles precisavam lidar com episódios de disse-me-disse, abandono nos momentos de dificuldade e até (vejam só) disputa para ter best friend. Por essas e outras, percebi que é melhor ter poucos amigos. Manter uma agenda repleta tem lá suas complicações.

Ainda gosto de ter muitos conhecidos. Gosto de poder falar “Olá” quando os encontro por aí. Mas parei de desejar ter “um milhão de amigos”. Soube que isso não me ajudaria a cantar “mais forte”. Prefiro meia dúzia. Com essa quantidade, quase irrisória, me divirto mais e me divido menos.

Podemos jogar no mesmo time. Sentar em volta da mesma mesa. E ao redor de mim. Dou conta de olhar nos olhos de todos e interpretar seus olhares e de reconhecer suas vozes ao telefone. Tenho tempo para digitar minhas pequenas novidades e saber de suas novas conquistas. Somos mais próximos. Sobra mais amor.

Não que seja mau ter muitos amigos. Ser bem quisto é quase um sonho de consumo. Mas ter poucos amigos é gostoso e confortável. Um círculo menor exige menos e o carinho chega mais rápido. Além disso, amizades verdadeiras e que não mudarão ao sabor do vento, são bem poucas. Fora esses, os que sobram são colegas. Também somam, mas o status é diferente.

Engana-se quem pensa que uma lista de contatos cheia impede a solidão. Ao contrário. Os poucos amigos sabem da importância que têm. Não ousarão debandar quando precisar deles, nem invejarão suas vitórias.

Por tudo isso é que prefiro ter menos amigos. Mas, dos verdadeiros. Porque no fundo, percebo que esses são quase irmãos. Os laços que nos unem são mais fortes e mais duradouros, mas o jeito de se relacionar acaba sendo bem simples: Gosto deles, eles gostam de mim. É tudo que precisamos saber. Sem reservas nem cobranças.

Já não me incomoda que minha agenda esteja vazia. Os contatos que mais importam foram anotados, no fundo do coração.

(via Prosa e poesia)