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Homossexualidade e ordenação sacerdotal (II)

INDIA PRIESTS
NOAH SEELAM I AFP
Indian Catholic priests renew vows during the mass of the Chrism at Saint Mary's Church in Secunderabad, the twin city of Hyderabad on March 22, 2018.
The Mass of the Chrism refers to the religious ceremony of anointing with consecrated oil (chrism) as part of ecclesiastical functions. / AFP PHOTO / NOAH SEELAM
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Da parte do candidato, “primeiro responsável pela sua formação”, espera-se firmemente que aja com clareza e lealdade

A “Instrução sobre os critérios de discernimento vocacional acerca das pessoas com tendências homossexuais e da sua admissão ao Seminário e às ordens sacras”, da Santa Sé, cuja análise iniciamos na semana passada, demonstra, no Capítulo 3, o seguinte: a vocação sacerdotal é um chamado de Deus que requer a livre resposta do homem. Contudo, não se pode esquecer que esse chamado se dá por meio da Igreja, na Igreja e para o serviço da Igreja. Desse modo, não basta querer ser padre, é preciso adequar-se às condições propostas pela Igreja para se chegar à ordenação sacerdotal.

Leve-se em conta na formação os aspectos humano, espiritual, intelectual e pastoral do candidato ao sacerdócio, destacando-se a formação humana capaz de fazer com que seja percebida no candidato às sagradas ordens a sua maturidade afetiva.

São chamados, pois, a grande responsabilidade quanto ao que será ordenado o Bispo (no caso dos seminaristas diocesanos) ou o Superior Geral (no caso dos religiosos), o reitor do seminário ou formador de casa religiosa, o diretor espiritual dos formandos, o confessor, e o próprio candidato ao presbiterato.

A Instrução parece enfatizar bem a missão do diretor espiritual que, apesar do segredo da direção, deve tratar com o formando temas como a castidade sacerdotal (celibato), a maturidade afetiva específica do padre e a necessidade de notar no seu dirigido as qualidades primordiais exigidas de quem almeja ser ministro de Deus.

Pela via negativa, o mesmo diretor deve analisar bem as qualidades do candidato em sua personalidade, observando se ele não apresenta “distúrbios sexuais incompatíveis com o sacerdócio”. Caso ele pratique atos ou ao menos tenha fortes tendências homossexuais, o diretor espiritual (e também o confessor) deve desestimulá-lo de seguir o caminho do sacerdócio ministerial.

Da parte do candidato, “primeiro responsável pela sua formação”, espera-se firmemente que aja com clareza e lealdade ante seus formadores, não lhes escondendo a própria homossexualidade que, segundo o Documento, o impede de ser sacerdote.

Na Conclusão, é reafirmado o apelo para que os Bispos, Superiores Gerais e todos os responsáveis pela formação dos futuros sacerdotes estejam atentos, a fim de que os ensinamentos da Igreja – especialmente os contidos na Instrução – sejam seguidos à risca para o bem do próprio formando e da Igreja de Cristo.

Eis, pois, o conteúdo da Instrução aprovada pelo Papa Bento XVI, em 31 de agosto de 2005, e publicada pela Congregação para a Educação Católica em 4 de novembro do mesmo ano.

Em complemento: o sacerdote jesuíta Gianfranco Ghirlanda escreveu a respeito da Instrução um artigo para a conceituada revista La Civiltá Cattolica, edição de 3 de março de 2007, no qual analisa a possibilidade de a Igreja recorrer à Psicologia a fim de obter melhor avaliação dos candidatos às Ordens Sacras.

Ele diz que a consulta psicológica poderia ser realizada como auxílio no discernimento do candidato ao Seminário e às ordens sacras, uma vez que tal recurso está subentendido nos cânones 241,§1; 1029; 1031,§1 e 1051,§1, além de expressamente mencionado para admissões ao noviciado nos Institutos religiosos no cânon 642. Observa, porém, o sacerdote jesuíta que esse acompanhamento psicológico requer autorização do próprio candidato e há de supor “uma psicologia que se baseia sobre uma antropologia cristã”.

Para Ghirlanda se o candidato tem tendências homossexuais, o psicólogo – com prévio consentimento do candidato – traçará, junto com os formadores, uma pedagogia adequada que ajude o jovem a melhor fazer seu discernimento vocacional (cf. Revista Atualização n. 325, mar/abr 2007, p. 169-170).

 

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo.

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