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O pecado original é herdado?

ORIGINAL SIN
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Por que a doutrina do pecado original é tão importante?

A doutrina do pecado original não foi deixada de lado, muito pelo contrário – ainda que haja um discernimento à luz dos novos dados oferecidos pela ciência. De fato, os papas ressaltaram sua importância capital na fé cristã e na compreensão da natureza humana e do problema do mal no mundo.

O pecado original não tem nada a ver com o sexo nem está escrito nos genes.

A doutrina do pecado original é hoje, para muitos, uma dificuldade: desacreditada pelo racionalismo e aparentemente negada pela ciência, cada vez está menos presente na catequese e nas homilias.

É difícil compreender como os homens estariam carregando o castigo merecido por um casal – Adão e Eva – cuja existência pertence ao mundo dos mitos. O pecado original é herdado? Que gene o transmite? Há contágio durante o ato sexual, como diziam alguns pensadores? Mas, então, a sexualidade é um pecado? O que significa a “maçã”? Por acaso a serpente não é um sinal fálico para os antigos cananeus? Além disso, se é hereditário e se apaga com o Batismo, por que o filho de pais batizados tem de ser batizado também?

O erro está em pensar no pecado de Adão como em uma falta pessoal: com esse primeiro pecado histórico do homem, entrou no mundo o poder do mal, o poder diabólico, que desde então tem um domínio tal sobre o gênero humano, que só a morte de Cristo podia romper.

Em que consistiu esse “pecado original”? O Catecismo da Igreja Católica desenvolve isso nos pontos 397 a 412: é a desconfiança do homem na bondade do seu Criador, é separar-se dele.

Este “estado de pecado” é transmitido aos homens não porque estes são gerados sexualmente, ou seja, a causa não é o sexo – porque o sexo seria mau, segundo alguns –, mas o próprio fato de ser gerado, de ser homem (a palavra que o Magistério usa é “propagação”). As pessoas, devido àquele pecado concreto, desde o primeiro momento em que começam a sua existência, se veem privadas do equilíbrio original para o qual foram criadas, e desse “estado” de desequilíbrio interior, de submissão ao poder do mal, não podem sair por si mesmas.

O capítulo 3 do Gênesis não faz um relato histórico da origem do homem, mas explica uma verdade religiosa e antropológica: existiu uma Queda que condiciona todo o gênero humano.

Segundo os exegetas, os primeiros capítulos do Gênesis foram escritos aproximadamente na época do desterro, compilando diversas tradições anteriores, o que significa que evidentemente não foram compostos como uma crônica histórica. Além disso, alguns dos seus elemento recordam textos mitológicos da Babilônia e da Pérsia.

No entanto, o sentido do relato efetivamente introduz verdade religiosas totalmente novas com relação às demais religiões: ao revisar os relatos mitológicos, a relação entre o homem e a divindade, ou a explicação da origem do mal, percebe-se que são diferentes dos outros.

O Gênesis foi composto em uma época em que o pensamento judaico, à luz da Revelação de Deus, se pergunta pelo problema do mal. E o Gênesis enuncia, a respeito disso, uma série de verdades fundamentais: Deus criou o homem bom e livre, à sua imagem e semelhança, e destinado à complementariedade entre homem e mulher. Mas o homem utilizou a liberdade que Deus lhe havia dado para rebelar-se contra Ele, por instigação de um poder maligno, e, desde esse momento, caiu no poder desse mal.

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