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Vale a pena ser sempre otimista?

OPTIMISTIC

Photo by Svyatoslav Romanov on Unsplash

Javier Fiz Pérez - publicado em 01/04/18

Que dose de realismo precisamos se estivermos otimistas?

O otimismo muitas vezes é comparado à ingenuidade, e o pessimismo com o realismo. Muitas vezes, na imaginação popular, o otimista está destinado a choques e desgostos, enquanto os pessimistas são mais propensos a ficar fora de problemas e alcançar objetivos realistas. Mas o que esses termos realmente significam?

Otimismo X Pessimismo

Otimismo, da palavra latina optimum  (“o melhor”), é definida como uma propensão para ver e julgar as coisas na luz mais favorável possível. É o oposto do pessimismo, da palavra latina pessimum (“o pior”). O termo foi usado pela primeira vez pelo filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz no século XVII.

Um otimista tende a esperar um futuro favorável; em face da dificuldade, um otimista reage com uma atitude positiva e persiste. Em geral, um otimista consegue ver o lado mais positivo de cada circunstância e pessoa, tem melhor humor, persevera mais, tem melhor saúde e acaba ficando mais forte mesmo depois de situações traumáticas.

A ingenuidade não é exatamente a mesma coisa; consiste na inocência e na ausência de maldade, astúcia e segundas intenções por trás das ações de alguém.

Poderíamos dizer que a ingenuidade nasce frequentemente da falta de experiência, da falta de reflexão e de uma certa bondade inata de caráter; o otimismo é mais uma atitude em relação à vida, que pode ser escolhida e cultivada com plena consciência do lado mais sombrio da realidade.

O otimismo e o pessimismo estão, em parte, relacionados com o temperamento e o caráter de uma pessoa. O pessimismo, às vezes, é considerado mais próximo do realismo, porque tende a se concentrar mais no lado desagradável das coisas, que muitas pessoas preferem ignorar. O realismo, no entanto, é mais complicado do que apenas “ver as coisas como são”, e, como tal, não se opõe à ingenuidade ou ao otimismo.

Realismo

O realismo, como a filosofia nos ensina, é uma maneira de pensar de acordo com o que as coisas reais existem dentro e fora de nossas mentes. Existem três formas principais de realismo:

– O realismo engenhoso é uma abordagem que não reflete sobre se o conhecimento objetivo é ou não possível, e que identifica nossas percepções com os objetos percebidos, sem ver a diferença entre os aspectos subjetivos e objetivos. Ele vê um objeto como sendo nada mais e nada menos do que percebemos. Consequentemente, conclui que existem coisas exatamente como as percebemos; nossa percepção é inteiramente objetiva.

– O realismo natural é uma perspectiva influenciada por uma reflexão crítica sobre o conhecimento, que distingue o objeto e a nossa percepção dele. Continua a afirmar que nossas percepções são geralmente um reflexo fiel da própria coisa, ao mesmo tempo em que reconhecemos que a forma como percebemos o objeto também tem aspectos subjetivos.

– O realismo crítico baseia-se numa visão crítica do conhecimento e sustenta que todas as qualidades de um objeto que percebemos através de apenas um dos nossos sentidos existem em nossa consciência em reação ao estímulo externo. Essas percepções são reações da nossa consciência; são propriedades que não são objetivas, mas subjetivas. No entanto, essas propriedades pressupõem certos aspectos objetivos e causalmente relacionados do objeto que podem explicar nossa percepção dessas qualidades. (Mais objetividade é concedida às propriedades de quantidade e movimento, que podem ser percebidas por vários sentidos ao mesmo tempo).

Para resumir, um realista vê a realidade e diz: “Isso é real”. Um otimista vê seus sonhos e diz: “Isso será real”. Um otimista pode ter encontrado mais sucesso, alcançado mais seus sonhos do que um pessimista. Em outras ocasiões, pode não ter sido o caso, mas na sociedade em que somos afortunados de viver, onde há oportunidades, o meio ambiente tende a favorecer os otimistas. Os otimistas sofrerão mais contratempos do que os realistas, mas na verdade, essas dificuldades podem ser experiências enriquecedoras. No passado não muito remoto, ou em sociedades em dificuldades, talvez a opção mais inteligente seja ser um realista pessimista e evitar decepções. No entanto, onde há condições e oportunidades, pode ser muito bom ser otimista.

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