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Por que precisamos da religião em um mundo globalizado?

JOY

Reven Sanchez-(CC BY-NC-SA 2.0)

Miriam Diez Bosch - publicado em 04/04/18

Quem responde é um pesquisador da Universidade de Yale

Yale é uma universidade encantadora! Neste prestigioso centro universitário dos Estados Unidos não se estudam somente carreiras tradicionais, como Direito, por exemplo. Mas também há cursos de Teologia e são investidos dólares e mais dólares em pesquisas que têm a missão de investigar o papel da religião no mundo globalizado.

Miroslav Volf, ganhador do Prêmio de Religião Louisville Grawemeyer e diretor-fundador do Yale Center for Faith and Culture nos recebe em seu escritório para falar do papel da fé na vida pública. Volf, que é de origem croata, está convencido de que a globalização é uma enorme oportunidade para as religiões e, em especial, para a visão cristã da vida.

Em seu livro “Flourishing. Why we need religion in a Globalized World” (“Florescendo. Por que precisamos da religião em um mundo globalizado”), editado pela Yale University Press, o professor e teólogo explica que as religiões desempenham um papel determinante na vida.

Para ele, longe de ser uma “praga para a humanidade”, a religião é portadora de visões de florescimento. Volf diz que as religiões não estão separadas do processo de globalização. Embora para muita gente a religião pareça algo fora do mundo, ele argumenta que as religiões são parte da dinâmica da globalização e a globalização é parte das dinâmicas das religiões, de sua articulação moral e doutrinária, de sua formação política e cultural e de sua disseminação missionária e entre gerações.

“A globalização passa através das religiões e as religiões estão dentro da globalização”, defende.

As religiões não são um problema

Miroslav Volf é professor de Religião e Globalização e, frequentemente, se encontra com estudantes, que lhe perguntam sobre suas convicções religiosas. Ele se concentra no papel da religião, que define como um problema global que requer atenção, mas não somente como um problema. As religiões são parte “indispensável” da solução, argumenta ele.

A globalização é boa?

“Como cristão, minha visão da globalização é a seguinte: é boa se ajudar a mim e aos outros a seguirmos o caráter e a missão de Jesus; e é deficiente se não ajudar nisso”.

Volf diz que viver somente para as “realidades mundanas” pode nos levar a “um mundo de competitividade, injustiça social e destruição”. Ele sintetiza seu pensamento em várias teses:

– Se somente de “pão vive o homem”, não existem valores transcendentais e a globalização, seja na forma descartada comunista ou na forma capitalista atual, se ocupa principalmente do “pão”;

– as religiões do mundo articulam visões que geram uma nova vida (florescimento), e, no centro, está o divino. Mas elas não são meros lubrificantes para as engrenagens da globalização, como muitos acreditam;

– as religiões, por vezes, legitimaram a violência e impediram o progresso da ciência e tecnologia. Mas não são areia nas engrenagens dos processos de globalização, como muita gente teme;

– a globalização poderá contribuir para melhorar o estado do mundo somente se as visões do crescimento humano e visões morais se articularem;

– O homem não vive somente de pão. Embora a globalização viva disso, não se pode subestimar a vida espiritual de milhões de pessoas;

– a globalização pode ajudar as religiões a não se aliarem a algumas particularidades perigosas e pode fazer com que elas descubram sua genuína universalidade.

O professor Volf é o pesquisador principal de um projeto da Yale financiado pela Fundação Templeton que estuda a teologia da alegria e a busca pela boa vida.

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