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Cientistas revelam níveis tóxicos de arsênico em poços da bacia do Amazonas

BRASIL

Rodrigo Soldon - (CC-BY-ND-2.0)

Agências de Notícias - publicado em 10/04/18

Os poços de pouca profundidade cavados na bacia do Amazonas para evitar que as pessoas bebam dos rios contaminados contêm água que supera em até 70 vezes o limite recomendado de arsênico – anunciaram pesquisadores.

As amostras obtidas em 250 lugares do Amazonas na primeira grande análise realizada nos poços da região também revelaram níveis perigosos de manganês e de alumínio, destacaram os cientistas em uma entrevista coletiva em Viena.

“Devido aos rios contaminados, muitas comunidades rurais aproveitam a água subterrânea”, disse à AFP a cientista e coordenadora do estudo, Caroline de Meyer, do Instituto Federal Suíça de Ciência e Tecnologia Aquáticas.

“Em algumas áreas da bacia do Amazonas, a água subterrânea contém estes elementos em concentrações potencialmente prejudiciais para a saúde humana”, completou.

“A contaminação não deveria ser subestimada”, frisou.

Os níveis de manganês detectados eram até 15 vezes superiores aos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e os de alumínio, até três vezes acima do limite.

A presença dos elementos se deve a causas naturais, e não à poluição industrial.

A exposição crônica ao arsênico está ligada ao câncer de fígado, rim e bexiga, assim como a doenças cardiovasculares. Também é associada a abortos espontâneos, pouco peso ao nascer e problemas de desenvolvimento cognitivo em crianças.

Em Bangladesh, onde este problema é conhecido há várias décadas, pesquisadores calculam que provoca quase 40.000 mortes prematuras ao ano.

O manganês em doses tóxicas pode provocar danos neurológicos permanentes, enquanto os efeitos de uma exposição contínua ao alumínio são menos conhecidos.

As comunidades rurais da bacia do Amazonas dependem tradicionalmente dos rios e da chuva para suprir suas necessidades de água. Mas o aumento da poluição provocada pela mineração, a exploração florestal e as atividades industriais provocou a criação de poços.

– Acaso químico –

“Retiramos amostras de poços que têm mais de 20 anos e outros recentes de apenas algumas semanas”, disse Meyer na reunião anual da União Europeia de Geociências.

Realizado em conjunto com pesquisadores peruanos e brasileiros, o trabalho de campo mediu as concentrações químicas, sem examinar os impactos para a saúde.

“Não podemos afirmar quantas pessoas estão afetadas”, declarou Meyer.

São necessários muito mais dados para identificar os locais onde os níveis de toxicidade são especialmente elevados, e as áreas, altamente dependentes dos poços, completou.

As consequências de ingerir arsênico podem demorar anos para se tornarem visíveis, inclusive décadas. E, na região, o nível de conscientização sobre este problema é muito reduzido.

Por uma pura questão de acaso químico, o nível de intoxicação talvez tenha sido mitigado pelo fato de, geralmente, a água contaminada com arsênico também conter ferro, o que torna o líquido avermelhado.

Neste caso, as pessoas tendem a deixar a água repousar para que as partículas – incluindo as de arsênico – baixem até o fundo.

As descobertas anunciadas em Viena são preliminares e serão apresentadas formalmente em uma publicação científica durante o ano, segundo Caroline de Meyer.

A bacia do Amazonas, drenada pelo rio Amazonas e por seus afluentes, tem 7.500.000 quilômetros quadrados e atravessa oito países.

(AFP)

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