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Redação da Aleteia

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“O diabo é mais do que um mito”, diz Papa Francisco

Public Domain
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Em sua nova exortação apostólica, o Santo Padre diz qual é o melhor remédio contra o demônio

O Papa Francisco defende, no seu mais recente documento, que a santidade é uma “luta constante contra o demônio”, o qual considera “mais do que um mito”:

“Não pensemos que [o diabo] é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia. Este engano leva-nos a diminuir a vigilância, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O demônio não precisa de nos possuir. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios”, alerta, na exortação apostólica ‘Gaudete et Exsultate’ (Alegrai-vos e exultai).

O texto recorda que a oração do Pai-Nosso se conclui com um pedido de oração contra “o Maligno”:

“A expressão usada não se refere ao mal em abstrato; a sua tradução mais precisa é ‘o Maligno’. Indica um ser pessoal que nos atormenta. Jesus ensinou-nos a pedir cada dia esta libertação para que o seu poder não nos domine”, explica Francisco.

O documento observa que esta presença do mal consta nas primeiras páginas da Bíblia, que termina com a vitória de Deus sobre o demônio:

“Não admitiremos a existência do demônio, se nos obstinarmos a olhar a vida apenas com critérios empíricos e sem uma perspetiva sobrenatural. A convicção de que este poder maligno está no meio de nós é precisamente aquilo que nos permite compreender o motivo pelo qual, às vezes, o mal tem uma força destruidora tão grande”, observa o pontífice.

O texto recorda os casos de possessões demoníacas narrados nos Evangelhos para sublinhar que nem todos eram situações de “doenças psíquicas”.

Francisco apresenta a vida cristã como uma “uma luta permanente” contra as tentações do diabo:

“A corrupção espiritual é pior que a queda de um pecador, porque se trata de uma cegueira cômoda e autossuficiente, em que tudo acaba por parecer lícito”, adverte.

A ‘Gaudete et Exsultate’ convida ao “discernimento” para saber distinguir o que vem do Espírito Santo do que “deriva do espírito do mundo e do espírito maligno”.

Este esforço, admite o Papa, é dificultado pelas muitas possibilidades de ação e distração:

“Todos, mas especialmente os jovens, estão sujeitos a um zapping constante. É possível navegar simultaneamente em dois ou três visores e interagir ao mesmo tempo em diferentes cenários virtuais. Sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências da ocasião”, alerta.

O pontífice pede por isso que os cristãos façam, todos os dias, um “sincero exame de consciência”.

O conjunto de reflexões da terceira exortação apostólica conclui-se com uma referência à Virgem Maria:

“Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para Lhe explicar o que se passa connosco”, escreve Francisco.

O Papa deseja que a sua nova exortação ajude a Igreja a “promover o desejo da santidade”.

(Agência Ecclesia)