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A história dos sapatos vermelhos do Papa

RED SHOES
TIM SLOAN - AFP
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E por que o Papa Francisco decidiu não usá-los

Muitos ainda se lembram dos Papas São João Paulo II e Bento XVI com seus sapatos vermelhos – e alguns, inclusive, se perguntam por que o Papa Francisco não os utiliza.

Esses sapatos são tão antigos quanto a Igreja e têm um significado específico, assim como quase todos os elementos visíveis relacionados tradicionalmente aos Papas.

A maioria dos Papas costumava usar três tipos de sapatos: um sapato vermelho mais leve para usar no interior do Vaticano; sandálias episcopais para celebrar a missa conforme as cores litúrgicas (até 1969); e sapatos de couro vermelho, mais fortes, para serem usados em ambientes externos. É destes últimos que vamos falar.

Quanto à cor: no mundo secular, o vermelho quase sempre foi associado, de alguma forma, ao poder real, mas, na Igreja, essa cor recorda primariamente o Sangue da Paixão de Cristo e, por extensão, o amor de Deus pela humanidade, além do amor de todos os mártires que deram a vida por Cristo. Para deixar este simbolismo mais claro, os sapatos de couro vermelho dos Papas costumavam trazer ainda uma cruz bordada em dourado.

Os Papas Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II foram sepultados usando esses sapatos. O Papa Emérito Bento XVI também os usou, juntamente com outros elementos simbólicos tradicionais.

BENEDICT XVI
Shutterstock-Eugenio Marongiu

Já o Papa Francisco preferiu continuar usando os sapatos pretos com que já estava acostumado e que são feitos pelo mesmo sapateiro argentino há mais de 40 anos: Carlos Samaria.

Setores mais agressivos da mídia laica, que fizeram o impossível para atacar de todas as formas o pontificado de Bento XVI, chegaram a noticiar, falsamente, que os sapatos do pontífice eram um símbolo de luxo, embora o significado desses sapatos fosse público e tradicional no papado já fazia séculos e séculos. Aliás, também foi noticiado, com a mesma falsidade, que o trono do Papa era de ouro maciço, quando se trata na realidade de madeira pintada. Esses mesmos setores da mídia também procuraram levar a crer, com todas as desculpas imagináveis, que existiria uma “ruptura radical” entre os pontificados de Bento e Francisco, tese que os dois Papas já negaram repetidas vezes, frisando constantemente a continuidade, a coerência, o apreço recíproco e a mútua colaboração. É visível que existem diferenças de estilo pessoal, que são acidentais, mas é igualmente notória a coesão em torno à doutrina e à fidelidade da Igreja ao Evangelho, que é o essencial e imutável.

Os sapatos vermelhos, enfim, são apenas um símbolo, que, embora bonito e singelo, é secundário, não obrigatório – por isso mesmo é que o Papa Francisco não os está usando, optando por evitar polêmicas desnecessárias a respeito de algo que não é essencial. Dito de outra forma: ele preferiu sacrificar um aspecto simbólico que poderia tranquilamente ser entendido em seu significado próprio e edificante, mas que não é indispensável, e fez isto a fim de priorizar a concórdia com pessoas dispostas a arranjar polêmicas estéreis que simplesmente não valem a pena diante de temas muito mais relevantes.

POPE FRANCIS
© Antoine Mekary - ALETEIA
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