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O que se sabe a respeito da missão da OPAQ na Síria

ALEPPO,SYRIA

Varun Shiv Kapur | CC BY 2.0

Agências de Notícias - publicado em 16/04/18

Os investigadores da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) iniciaram sua missão na Síria após um suposto ataque com armas químicas no dia 7 de abril na cidade de Duma, perto de Damasco.

Quais as tarefas dos investigadores? Eles poderão realizar sua missão? Qual o possível impacto de suas conclusões?

– O que é a OPAQ? –

A OPAQ, com sede em Haia, é responsável por supervisionar a aplicação da Convenção para a Proibição das Armas Químicas. O organismo foi criado em 1997, ano de entrada em vigor da convenção, que pretende erradicar as armas químicas do mundo.

A organização venceu o Prêmio Nobel da Paz em 2013 “por seus esforços consideráveis para eliminar as armas químicas”.

Sua missão de investigação foi criada em 2014 “para determinar os fatos ao redor das acusações de utilização de substâncias químicas tóxicas […] na Síria”.

A OPAQ realizou posteriormente os trabalhos que permitiram a destruição das reservas de armas químicas declaradas no país.

– Qual o objetivo na Síria? –

A missão de determinação de fatos desembarcou no sábado em Damasco para investigar as acusações sobre o uso de armas químicas em Duma, o último reduto rebelde reconquistado pelo regime perto da capital síria.

De acordo com alguns socorristas, mais de 40 pessoas morreram no ataque, que teria sido executado com gás de cloro e uma substância neurotóxica parecida com o gás sarin, de acordo com avaliações preliminares.

O regime sírio nega qualquer responsabilidade, mas foi acusado por Estados Unidos, França e Reino Unido, que no sábado executaram ataques aéreos de represália na Síria.

A missão da OPAQ, convidada pelo governo sírio, determinará se armas químicas foram utilizadas em Duma, mas não identificará os autores.

Os investigadores da OPAQ já organizaram reuniões com representantes do governo de Damasco, mas ainda não entraram em Duma.

– Como os especialistas trabalham? –

Os investigadores da OPAQ podem recolher “mostras químicas, ambientais e biomédicas”, entrevistar vítimas, testemunhas, médicos e inclusive participar em autópsias, explica a organização.

“Nunca há uma descoberta milagrosa. Na maioria dos casos, nenhuma prova por si só será suficiente”, explica Ralf Trapp, consultor e membro de uma missão de determinação anterior.

“As equipes da ONU e da OPAQ se baseiam nas opiniões e no respaldo do departamento de segurança da ONU e seus contatos locais”, explicou Trapp.

– Obstáculos –

Durante suas investigações no local, a missão será escoltada por autoridades sírias. O trabalho dos especialistas não será fácil em Duma, cidade que será visitada mais de uma semana depois do suposto ataque.

A cidade, devastada por uma violenta ofensiva do regime iniciada em 18 de fevereiro, foi declarada no sábado uma área sem a presença de rebeldes. O exército iniciou operações para a retirada de minas.

“Os investigadores buscarão também provas que mostrem que local (do ataque) foi alterado”, explica Ralf Trapp, que ressaltou a necessidade de encontrar meios para comprovar as provas apresentadas por terceiros.

– Qual o impacto? –

As potências internacionais, lideradas por Estados Unidos e Rússia, pediram uma investigação sobre o ataque de Duma. Mas não aguardaram os resultados da OPAQ.

Os presidentes americano, Donald Trump, e francês, Emmanuel Macron, afirmaram ter provas do uso de armas químicas antes dos bombardeios de represália.

A Rússia acusou as potências ocidentais de atuarem com base em “encenações” para encontrar um “pretexto” e bombardear a Síria. O país afirmou que seus especialistas já haviam investigado em Duma e não encontraram nada.

Alguns críticos dos ataques ocidentais consideraram que as potências deveriam ter esperado as conclusões da OPAQ.

Após o início da missão, os investigadores apresentarão um primeiro “relatório de situação”, mas o documento final deve demorar várias semanas.

(AFP)

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