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Por que seus filhos precisam de amigos que não sejam da mesma idade deles?

France Stele
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As crianças perdem muito quanto tudo o que elas fazem é separado por faixa etária

Eu fui educada em casa e, desde que decidi educar meus filhos em casa também, ouço a mesma objeção de sempre: Como você acha que eles vão aprender as habilidades sociais, se em casa nunca estão com outras crianças?

Eu sempre estava rodeada de crianças: meus irmãos, meus muitos amigos e os irmãos deles também. No entanto, a resposta parece não satisfazer às pessoas, já que, na realidade, o que elas querem saber é como “eles vão desenvolver habilidades sociais se não convivem com crianças da mesma idade”.

Parece que a regra nestes dias é que as crianças estejam separadas em classes somente com outras crianças da mesma faixa etária, com uma maturidade que equivalha à delas.

Claro, isso tem suas vantagens – sobretudo para o adulto que tem que lidar com elas. Mas, historicamente falando, este tipo de ambiente é algo novo. Sejam grandes ou pequenas, as crianças perdem muitas coisas quanto tudo o que fazem está dividido segundo a idade e o nível de aprendizagem em que se encontram.

Não é difícil ver o que os mais jovens conseguem aprender quando brincam com os mais velhos.

O psicólogo do desenvolvimento Peter Grey, no artigo The Special Value of Children’s Age-Mixed Play [O valor especial das brincadeiras entre crianças de idades diferentes], descreve o conceito de “andaimes”. Ao ficarem com crianças com níveis de habilidade, maturidade e inteligência um pouco maiores que as suas, essas crianças enxergam novas possibilidades e se sentem motivadas – não forçadas – a abandonar suas zonas de conforto. Elas conseguem crescer no seu próprio ritmo, mas, ao mesmo tempo, estão expostas a novas ideias que, talvez, nunca tinham considerado.

Grey lembra o caso de meninas que estavam brincando em um parque: “Havia duas meninas de 10 anos que faziam sem dificuldade o truque de andar em pé e de costas para baixo no tobogã. Uma garota de seis anos observava aquilo e logo subiu pela escada e começou a ir tobogã abaixo em pé, mas com cuidado. Claramente, aquilo era um desafio para a pequena. Ela andava com os joelhos flexionados e com as mãos baixas, pronta para se agarrar ao corrimão, caso perdesse o equilíbrio. Ela saiu radiante de orgulho quando conseguiu chegar até lá embaixo.”

Você pode ensinar qualquer coisa a uma criança. Talvez ela se lembre; talvez não. Entretanto, lembra Grey, “a forma mais importante de aprendizagem é a observação”. Quando uma criança vê algo impressionante e decide tentar sozinha, então a implicação é maior. Ela ganhou habilidade, conquistou o conhecimento.

A oportunidade de conviver com crianças mais velhas abre todo um mundo de aspirações. Aprendem-se as habilidades pela observação e pela decisão intencional de imitar. Assim, a criança nunca vai se esquecer do que aprendeu.

Os mais velhos também aprendem com os mais novos

E não são apenas os menores que se beneficiam por estarem perto dos grandes. Outro dia, passeávamos com meu filho por um museu, quando ele colocou na cabeça que uma menina de 8 anos – com quem não parávamos de cruzar – era amiga dele.

Ele ficou diante dela e começou a conversar. Mas a menina, claramente, nunca tinha passado tempo com crianças menores que ela. Não que ela tenha sido hostil, mas ela não sabia como reagir e optou por ignorá-lo. Depois de um tempo, meu filho voltou com cara de frustração. “Mamãe, eu só queria que ela me olhasse na cara”, disse ele.

Não posso culpar a garoto, mas entendo a frustração do meu filho. Dói quando somos ignorados.

Enfim, conviver com crianças mais novas nos ensina:

  • Empatia e paciência: temos que lembrar que elas não sabem muito nem podem fazer todas as coisas que fazemos. Temos que tentar constantemente ver o mundo com os olhos delas;
  • Assertividade: temos que falar de maneira assertiva, que seja simples o bastante para que a criança entenda;
  • Responsabilidade: aprendemos a nos comprometer;
  • Satisfação: lembramos de como era a vida quando éramos pequenos, do quão longe chegamos e como crescemos em nossas capacidades.

Outros benefícios

  • Adeus à competitividade: para crianças mais velhas ou mais novas, brincar em um ambiente em que haja um espectro mais amplo de idades elimina o espírito de competitividade. Além disso, não há glória em acertar a bola no cesto mais vezes que um menino cinco anos mais novo que você. E uma criança mais nova sabe que não tem como vencer um amigo muito mais velho que ela;
  • Aproveitar a vida: isso deixa as crianças livres para brincar, cada uma ao seu próprio ritmo. Elas aproveitam sem terem que provar nada.

Enfim, na escola ou fora dela, manter as atividades não tão estritamente separadas por idades é um presente para nossos filhos.