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Asia Bibi: católica condenada ao enforcamento terá caso retomado no tribunal

Asia Bibi

Reprodução

Reportagem local - publicado em 26/04/18

Mãe de família está presa há mais de 8 anos no corredor da morte do Paquistão, questionavelmente acusada de blasfêmia contra o islã

O presidente do Tribunal Supremo do Paquistão, Mian Saqib Nisar, anunciou que retomará o julgamento que definirá a libertação de Asia Bibi, mulher católica, esposa e mãe de cinco filhos, condenada a morrer enforcada por causa de uma acusação internacionalmente questionada de “blasfêmia contra o islã”. Ela está presa há mais de oito anos.

Nasir fez este anúncio a Saiful Malook, advogado de Asia Bibi. Segundo a agência EFE, o juiz teria dito: “Prepare-se. Vou consertar o seu caso em breve e eu mesmo presidirei a corte”.

Uma esperança?

Juiz e advogado tiveram uma audiência no dia 21 de abril, na qual o advogado pediu o restabelecimento da sua segurança pessoal, retirada na sexta-feira, 20, por ordem do juiz aos governos federal e municipal. O juiz Nisar havia ordenado que a segurança fosse retirada das pessoas “sem título”, mas, segundo Malook, ele “concordou [com o pedido] e ordenou que a minha segurança fosse imediatamente restabelecida”.

O advogado também disse que “a família de Asia Bibi e todas as pessoas que compreendem a sua situação estão felizes com a notícia de que a sua apelação será atendida em breve”.

Um terço do Papa

Em março, Asia Bibi recebeu a visita do marido, Ashiq, e da filha Fisham, no presídio de Multan. Eles lhe entregaram um terço enviado pelo Papa Francisco, que os havia recebido pessoalmente em audiência privada no Vaticano em fevereiro (confira aqui).

Segundo a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), Asia Bibi comentou:

É a primeira vez, em nove anos, que me permitem ter um objeto religioso na minha cela”.

O caso de Asia Bibi

Em 2009, Asia Bibi bebeu água de um poço e um grupo de muçulmanas a acusou de ter “contaminado a água” por ser cristã. Ela respondeu aos insultos contra a sua fé questionando:

“Eu acredito na minha religião e em Jesus Cristo, que morreu na cruz pelos pecados da humanidade. O que seu profeta Maomé fez para salvar a humanidade?”

Esta foi a sua sentença de morte: segundo a famigerada “lei da blasfêmia”, vigente no país oficialmente islâmico, ela afrontou o profeta e, com isto, incorreu numa blasfêmia cuja pena seria o enforcamento.

Desde antes que ela fosse condenada à morte, começou a batalha legal para salvá-la. Porém, as principais autoridades que agiram pela sua libertação, o líder católico e Ministro das Minorias Shabahz Bhatti e o governador do Punjab, Saalman Taser, foram assassinados.

Em outubro de 2016, o julgamento final de Asia Bibi foi adiado porque um juiz se recusou intervir no caso.

Em novembro de 2017, mais de três mil muçulmanos protestaram durante vários dias nas ruas de Islamabad, a capital do Paquistão, para exigir que o governo executasse a mulher católica.

A lei da blasfêmia

Segundo a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, há hoje no Paquistão mais de 1.000 pessoas condenadas pela lei da blasfêmia.

Essa lei, ou conjunto de leis, se baseia na sharia, uma espécie de diretriz legislativa do islã que, em alguns países e regiões, é adotada como a legislação oficial.

A legislação islâmica prevê punições rigorosas a qualquer pessoa que insulte Alá, o islã, o alcorão, Maomé e outras personalidades da fé muçulmana. As sentenças podem incluir de chibatadas até a pena de morte.

Organizações de defesa de direitos humanos denunciam há anos que esta lei costuma ser amplamente manipulada para atender a interesses pessoais, o que inclui vinganças de todo tipo, inclusive de muçulmanos contra outros muçulmanos. É frequente que a minoria cristã no país seja alvo de acusações de blasfêmia, contra as quais é quase impossível defender-se. Os abusos são facilitados porque até testemunhos sem provas são aceitos pelos tribunais.

A oração de Asia Bibi

Asia Bibi © YouTube
Asia Bibi

Do inferno em que é mantida presa à sombra do horror de não saber o dia nem a hora em que a sua vida pode ser extirpada de modo aberrantemente cruel e injusto, ela escreveu esta prece a Jesus Cristo:

A arrepiante oração escrita pela mulher que está no corredor da morte por ser católica

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