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Milhares voltam às ruas na Nicarágua pedindo justiça e democracia

NICARAGUA

AFP PHOTO / INTI OCON

Agências de Notícias - publicado em 11/05/18 - atualizado em 11/05/18

Milhares de pessoas marcharam nesta quarta-feira (9) na capital da Nicarágua convocadas por estudantes para exigir justiça e democracia, em uma nova mobilização maciça contra o governo do presidente Daniel Ortega.

A mobilização paralisou a parte oeste de Manágua, com gritos de “povo, se una” e “eram estudantes, não eram criminosos”, referindo-se aos 47 mortos pela repressão policial contra os protestos iniciados em 18 de abril.

No final do protesto, quatro policiais – incluindo duas agentes – foram feridos por disparos na zona norte de Manágua, quando os manifestantes retornavam a seus locais de origem, informou o subdiretor da Polícia Francisco Díaz, que atribuiu o ataque a “grupos de vândalos”.

O movimento de protesto começou como manifestações estudantis contra uma reforma do seguro social, mas a repressão brutal e a detenção arbitrária dos participantes causaram indignação popular e espalharam a mobilização por todo o país.

A rota definida para a manifestação desta quarta foi pequena para a imensa multidão que se reuniu na Catedral de Manágua, o ponto de partida.

Os manifestantes estavam a pé, em motocicletas e agitando bandeiras da Nicarágua, enquanto gritavam “que vão embora”, em uma mensagem a Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, os quais chamavam de “ladrões” e “assassinos”.

A marcha organizada pela Coalizão Universitária reuniu estudantes, camponeses, empresários e pessoas de diferentes partes do país, em uma nova marcha em massa em meio à onda de protestos que também deixaram 400 feridos, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh).

– Camponeses aclamados –

Uma caravana de camponeses, mobilizada há cinco anos contra um projeto de construção de um canal interoceânico, foi saudada com júbilo por moradores de bairros localizados no caminho para o local da concentração.

Os camponeses foram reprimidos e impedidos de chegar a Manágua durante suas mais de 100 marchas de protesto contra a construção do canal, projeto avaliado em 50 bilhões de dólares e cuja execução hoje está em dúvida.

A presença de moradores da aldeia indígena de Monimbo, em Masaya (sul), um reduto sandinista na luta contra a ditadura de Somoza em 1979, mas que se rebelou contra o governo nos protestos atuais, também foi aplaudida.

Líderes do poderoso Conselho Superior de Empresas Privadas (COSEP), aliados do governo nos últimos 11 anos, participaram da marcha e se declararam na expectativa do início do diálogo para democratizar o país convocado pelas autoridades.

O presidente da União de Produtores Agrícolas (Upanic), Michael Healy, manifestou que espera que “não volte a acontecer o que aconteceu quando grupos de vândalos mataram estudantes; isso não podemos permitir novamente na Nicarágua”.

Healy demandou que chega ao país uma comissão de direitos humanos para fazer a investigação e que encontrem os culpados.

“Queremos que Daniel (Ortega) vá embora porque é muita repressão o que ele está fazendo com o povo. São muitas falhas, por isso pedimos que vá embora”, disse à AFP Darling Gaitán, de 45 anos.

Marvin Gutierrez, estudante de Engenharia, quer que “a Nicarágua seja completamente livre de toda a opressão que estão fazendo agora”.

Alguns manifestantes aproveitaram o caminho, que passava pela sede do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), para deixar mensagens como “fora ditadura”, “fora corrupção”. Também gritaram “assassinos” ante a sede da Polícia.

O governo, que havia convocado uma marcha em resposta, nesta quarta-feira, em outro setor da capital, reduziu o evento para um concerto pela paz a pedido de empresários e da Igreja Católica para evitar confrontos entre as duas manifestações.

(AFP)

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