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Cantor norte-americano espalha mensagem de amor e salvação do universo

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Father John Misty

Carlos Messias - publicado em 12/05/18

Father John Misty critica os excessos e a falta de propósito no mundo capitalista

Está marcado para 1º de junho o lançamento de God’s Favorite Customer, quarto álbum do cantor norte-americano Josh Tilman sob o nome Father John Misty. Apesar da blasfêmia no nome do disco (que, em português, fica: “O Cliente Favorito de Deus”), o trabalho não deve abordar temas religiosos ou espirituais. Pelas quatro canções que já foram lançadas, como a romântica (e quase apelativa) “Just Dumb Enough to Try”, o músico – um dos maiores talentos da música pop atual – parece estar seguindo em direção mais comercial.

Não fosse a cronologia que não bate, pois a gravação do álbum teve início no ano passado, isso poderia parecer uma reação direta ao desempenho de Misty na mais recente edição do prêmio Grammy, que ocorreu em janeiro. Ele estava indicado em duas categorias pelo seu álbum anterior, Pure Comedy, de 2017, entre elas a de melhor disco de música alternativa, porém ganhou apenas o prêmio de melhor embalagem. Dias depois, num show em Sydney, na Austrália, o músico expressou revolta por seu álbum ter sido apreciado, literalmente, pela capa (ou seja, só por sua aparência) e não pelo conteúdo.    

Compreendendo a obra-prima conceitual que Father John Misty criou em Pure Comedy, não é difícil se solidarizar com o cantor. Trata-se de uma epopeia que critica os excessos e a frugalidade dos tempos modernos, ao mesmo tempo em que sugere salvação por meio do humanismo. Embora tenha crescido em uma família evangélica, o músico não se diz religioso. Há, no entanto, um aspecto espiritual envolvendo sua persona. Antes de se lançar como Father John Misty, Josh Tilman, hoje com 37 anos, já tinha lançado oito discos, numa linha mais folk melancólica, usando o próprio nome. Até que, por volta de 2010, viveu algo que considerou uma experiência mística. A partir de então, deu uma guinada artística radical e adotou o nome “Pai João Enevoado”. Tudo pode parecer uma grande tiração de sarro, mas o trabalho do músico é sério e suas letras são carregadas de significado.  

Como comprova a faixa-título de Pure Comedy, que abre o disco, na qual o compositor faz uma caricatura das contradições do homem contemporâneo, criticando guerras e extremismo religioso, entre outras mazelas. Como ele resume nos últimos versos: “A única coisa que faz com que [os humanos] se sintam vivos é a luta pela sobrevivência, mas a única coisa que eles desejam é algo para anestesiar a dor. Até que não sobre mais nada humano, apenas matéria aleatória suspensa no escuro. Sou obrigado a dizer, mas um ao outro é tudo que nós temos.”

Nas canções Total Entertainment Forever e Ballad of the Dying Man, ele critica não só a cultura de celebridade como a necessidade do homem contemporâneo de estar entretido 24 horas por dia, seja pela timeline da rede social ou pelo aparelho de televisão, sem se atrever a olhar para si nem questionar as direções que o mundo está seguindo, referindo-se aos humanos como “macacos dementes”.

Já em Things it Would Have Been Helpful to Know Before the Revolution, o autor faz uma previsão surrealista do futuro, no qual, em face do aquecimento global, o povo se liberta da condição de oprimido pela indústria e pelo comércio, retoma o controle do planeta e retorna à natureza, permitindo, assim, que as calotas polares voltem a congelar.

Assim, ao longo de 1h14 de duração, o músico faz uma miscelânea de cenários devastadores e mensagens positivas. Na última faixa, In Twenty Years or So, ele lança a previsão científica de que em cerca de 20 anos a espécie humana pode chegar a sua extinção. Rende-se, porém, ao otimismo, contando, quem sabe, com uma continuidade espiritual após tão caóticos desdobramentos da vida na Terra. “Não há nada a temer”, ele crava.

Dado o talento do músico para transitar entre estilos e criar melodias irresistíveis – quando assim deseja –, muito provavelmente ainda vamos ouvir falar muito de Father John Misty. Resta esperar, no entanto, que as pessoas passem a escutar o que ele tem a dizer.

Galeria

Ouça

Álbum Pure Comedy

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