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Quando percebi que o autismo do meu filho realmente foi um dom

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Aleteia Brasil - publicado em 15/05/18

Eu estava com medo ter mais um bebê, mas acabou sendo uma bênção inesperada

Por Nicole Jankowski*

Quando eu soube que estava esperando um terceiro filho, apenas dez meses depois que meu segundo filho nasceu, eu sentei na escada da nossa pequena casa e chorei.

Embora seja constrangedor admitir agora, eu chorei pelo meu corpo, que tinha apenas começado a voltar a sua forma antiga. Eu chorei sobre quão exausta eu estava e sobre como seria cuidar de três crianças com idade inferior a quatro. Minha filha, Annabella, uma garota precoce de três anos de idade, estava sempreà beira de um desastre, esperando que eu virasse as costas para riscar as paredes ou derramar açúcar no chão da cozinha.

Como eu poderia ter outro bebê sendo que eu não podia ajudar o bebê que eu já tinha?”

Mas, principalmente, eu chorei porque no fundo eu sabia que havia algo errado com meu filho que completaria um ano. Algo terrivelmente errado que até mesmo os médicos não conseguiam identificar. Dominic nunca sorria. Ele ainda não tinha falado ou engatinhado. Foi um sentimento terrível. Como eu poderia ter outro bebê sendo que eu não podia ajudar o bebê que eu já tinha?

Enquanto sentei na escada, calculando os meses até o nascimento do outro bebê, senti um terror transbordar de mim. Como eu iria lidar com o que eu tinha certeza que seria um diagnóstico devastador para o meu filho mais velho no meio de uma nova gravidez? Como eu poderia lidar com as crescentes necessidades de Dominic e um bebê recém-nascido também? Meu mundo estava mudando tão rápido. Torci minhas mãos, eu segurava minha barriga. E eu chorei.

O verdadeiro início da nossa nova família

É quase engraçado, agora, quando eu penso nisso.

Porque o meu mundo inteiro, de fato, estava mudando, mas mudando de uma forma que eu nunca tinha considerado naquele momento de tristeza, sentada no fundo da escada.

Foi então que, durante essa gravidez, a base da nossa família começou a se unir. À medida que os meses se passavam e minha barriga crescia, uma calma surreal caiu em cima de mim sem explicação – a sensação de que tudo ficaria bem e que eu estava, de alguma forma, viajando para o caminho que eu deveria viajar.

Finalmente senti como se estivesse segurando respostas em vez de medo”.

Mesmo quando Dominic finalmente foi diagnosticado com autismo, alguns meses depois, parecia que eu estava agora segurando respostas em vez de medo. Pela primeira vez, as pessoas – médicos, terapeutas, professores e amigos – pronunciavam em voz alta a palavra que estava dentro de mim por tanto tempo. Autismo. Só de ouvir um diagnóstico fiquei mais tranquila, pois parecia que poderia finalmente enviá-lo para um tratamento. E foi então que eu entendi algo sobre a minha gravidez que eu não tinha conseguido entender naquelas semanas iniciais: ter um terceiro filho não seria um fardo com outro “desafio”, seria dar ao meu filho deficiente – e, claro, a mim mesma – o maior presente do mundo: o amor sem fim de uma família.

Uma família que iria aceitar o filho exatamente como ele nasceu para ser.

Nossa família só tem crescido ao longo da última década. Meu ex-marido e eu finalmente tivemos quatro filhos, e nos divorciamos quando Dominic tinha sete anos. Eu casei há três anos com um homem que tem dois filhos maravilhosos e amáveis; Anna tem nove e Ryan tem sete. Assim, enquanto a carga de trabalho se multiplicou exponencialmente ao longo do tempo em nossa casa, eu ainda sou muito grata. Nossos outros filhos deram ao meu filho com autismo tantos presentes que eu nunca poderia ter imaginado aquele dia, nas escadas.

O dom da amizade familiar

O autismo é uma deficiência de isolamento social. Mesmo quando a pessoa quer fazer amigos e construir ligações, muitas vezes ele não sabe como construí-las. Mas meu filho Dominic, com cinco irmãos e irmãs em casa, tinha um círculo social construído desde o início.

A deficiência do meu filho foi um presente para os meus outros filhos também”.

Irmãos sempre são os nossos primeiros amigos na vida – eles criam os limites naturais para a forma como interpretamos e existimos no mundo. Eles nem sempre estão dispostos a ceder, a compartilhar; às vezes eles pegam nossas coisas. Estas são habilidades e situações que uma criança, especialmente com autismo, precisa entender. Dominic aprendeu a conviver dentro dos limites seguros da sua família, com pessoas que o amam incondicionalmente, antes de chegar às realidades mais duras do mundo em geral.

O dom de um grande sistema de apoio

Eu não vou viver para sempre. Embora eu queira que Dominic viva tão independente quanto ele puder, me conforta saber que ele terá um lugar para ir no Natal e Ação de Graças. Que ele sempre terá irmãos para observar se ele tem se lembrado de cuidar de si mesmo, uma irmã para lembrá-lo de substituir sua escova de dentes e ter certeza que ele pagou seus impostos. Anna levará biscoitos e Ryan sempre terá tempo para um jogo do Super Mario Brothers. E por causa de sermos uma grande família, as crianças aprenderam a compartilhar e isso diminuiu o que poderia ser um fardo se Dominic tivesse apenas um ou dois irmãos.

E, em muitos aspectos, embora pareça estranho, a deficiência do meu filho foi um presente para os meus outros filhos também.

O dom da perspectiva

Meus filhos perceberam que não ter um novo jogo de vídeo game não é a pior coisa que pode acontecer. Mesmo que eles não gostem disso, eles compreendem que há maiores desafios do que ter um telefone celular. Eles foram expostos a um olhar mais atento com a forma de como sobreviver no mundo com autismo. Eles sabem que alguns ruídos repentinos muitas vezes causam dor física, e como é frustrante para o seu irmão ter que usar um computador apenas para falar.

O dom da bondade e empatia

Por causa de Dominic, eu sei que todas as cinco crianças têm uma compreensão mais profunda de todas as pessoas com diferentes capacidades, não apenas aquelas com autismo. Para as pessoas que são cegas ou surdas, idosos, adultos com doenças crônicas, entre outros.

Eu mudaria o diagnóstico do meu filho agora? Talvez eu o fizesse. Possivelmente não”.

“Mama”, meu filho de três anos, Gabriel, sussurrou-me uma vez, enquanto estávamos na fila do caixa atrás de um homem que estava repetindo a mesma frase para si mesmo e balançando para frente e para trás. “Aposto que ele tem autismo, como Dominic”. E eu pensei, de repente, que enquanto as pessoas adultas teriam chamado aquele homem de “louco” ou seriam impacientes com ele, meu filho pré-escolar e eu apenas esperamos pacientemente, com conhecimento de causa. Eu tenho certeza que nós dois pensamos em seu irmão mais velho, em como realmente era significativo a gentileza e a paciência de estranhos.

O efeito cascata

O autismo é um presente que eu não tinha pedido para receber e certamente mudou toda a nossa família. Então, às vezes eu me pergunto: eu mudaria o diagnóstico do meu filho agora? Talvez eu o fizesse. Possivelmente não.

Alterar o autismo em meu filho – que é tão contente como qualquer criança na minha casa – alteraria as cascatas que se multiplicaram em torno de nós, por causa de sua deficiência. Seria reconstruir a nossa grande família, como ela tem crescido em conjunto, de forma pacífica, unida, nos apegando uns aos outros e isolando-nos do mundo. A nossa maneira de levar o mundo em nosso ninho e deixar a paz nos manter juntos.

Dominic tem 12 agora e seu irmão mais novo Frankie, o meu terceiro filho, quase 11. Frankie é o guardião de Dominic, da maneira como foram predestinados por Deus e configurados para algum propósito que eu não posso nem começar a questionar. Eu não questiono mais. Estou muito ocupada vivendo e amando minha família.

Eu chorei uma vez, nas escadas da minha pequena casa, há muito tempo, porque eu não sabia exatamente o que seria de nós. E agora que a casa está muito cheia – e os desafios são muitos –, eu sei com certeza que eu sou melhor exatamente por causa do que nos tornamos.

Texto Original: http://forher.aleteia.org/articles/when-i-realized-my-sons-autism-was-a-gift/

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