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As pequenas maravilhas de um dia

A. e I. Kruk
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Quando seu dia estiver muito ruim, tente fazer este exercício (e não deixe que o "quase" feliz te atrapalhe!)

Em alguns dias, o coração parece nublado e cheio de espinhos. Tudo parece terrivelmente fora do lugar. Principalmente eu mesma.

Para suprir esse vazio, tento me concentrar em cada coisa minimamente incrível que possa encontrar no caminho fazendo uma lista mental.

Passei por um jardim com a grama sendo cortada. Pedaços minúsculos e verdes brilhantes se espalhavam no ar exaurindo um odor indescritível. Natureza, ar livre, orvalho, terra. Uma junção de tudo. Com certeza aquilo estaria na lista. Era quase inspirador.

Não havia nuvens no céu, apenas as camadas azuis como uma piscina gigante. Parecia ser possível mergulhar ali, nadar sem jamais submergir. Isso quase me fez sorrir.

Próximo à estação do metrô, em uma avenida extremamente movimentada, um rapaz tocava em seu violão. Era uma das minhas músicas favoritas e a voz era bonita. Era um ritmo que me fazia sentir confortável e acolhida. Isso quase me fez ter esperança.

Encostada com a cabeça na janela do metrô, entre túneis escuros e o barulho discreto dos passageiros, recordei que tinha recebido uma mensagem mais cedo. Liguei o celular e toquei na notificação vibrante. Não era uma mensagem importante ou grande, eram apenas frases curtas do meu amigo perguntando como eu estava. Mostrava que alguém se preocupava comigo. Isso quase me fez acreditar.

Pescando um endereço na minha bolsa lateral, observei que tinha trazido um dos livros de romance da minha autora favorita. Ainda não tinha tido tempo de terminá-lo. Quatrocentas e vinte e duas páginas não pareciam se encaixar no tempo de sobra entre trabalho e estudos. O relógio, no entanto, sempre um inimigo, marcava mais de trinta minutos de sobra. Isso quase me deixou animada.

Entrei na primeira cafeteria que encontrei próxima da estação do metrô, deslocada o suficiente para uma metrópole. Pequena, reservada e com todos os cheiros possíveis de se encontrar em um lugar como aquele. Uma mesa sossegada, um café bem forte e algumas páginas. Isso quase parecia perfeito.

Mas antes de me sentar para ler, perdida em algum devaneio, acabei esbarrando em alguém. Parece estranho, parece clichê, mas realmente aconteceu. Rapidamente tentei me desculpar, articular alguma frase que expressasse o que eu sentia. Mas ele simplesmente me calou com um “está tudo bem”.

Eu o conhecia. Ele era o cara que buscava coragem para conversar desde que comecei a faculdade. Ele se afastou. Eu iria me sentar. Isso me deu quase vontade de…

Não. Não dessa vez não seria “quase”.

Então eu corri atrás dele. Sem pensar, sem temer. Apenas fui e convidei-o para um café, para conversarmos e talvez nos conhecermos melhor.

Aquele dia não seria apenas quase feliz e perfeito. Sem quase. Apenas faria com que as pequenas coisas daquele dia fossem maravilhosas.

(via Prosa e poesia)