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Megaoperação brasileira contra pornografia infantil repercute no mundo inteiro

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Polícia Civil - Divulgação
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"Luz na Infância 2" prendeu mais de 250 pessoas - um dos presos, um advogado, tinha estarrecedores 780 mil arquivos de pornografia infantil

Tem atingido repercussão inédita, inclusive fora do país, a megaoperação da polícia brasileira contra a pornografia infantil que, na última semana, prendeu mais de 250 pessoas em ações realizadas em 24 Estados e no Distrito Federal.

É a maior operação do tipo já realizada no Brasil e uma das maiores do mundo, com cerca de 2.600 policiais civis cumprindo 578 mandados de busca e apreensão de arquivos com conteúdos relacionados a crimes de exploração sexual contra crianças e adolescentes. A operação, coordenada pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, visa desmantelar uma rede de criminosos envolvidos nessas práticas.

Uma dos presos pela operação é um advogado de 25 anos de idade, flagrado em Uberlândia, MG, com cerca de 780 mil arquivos de pornografia infantil, somando fotos e vídeos. Nesse material há imagens de uma criança de 4 anos, nua, que seria do convívio social do advogado.

O Ministério da Justiça explicou por ocasião da primeira fase da operação, executada em 2017:

“Luz da Infância significa proporcionar às crianças e adolescentes vítimas de abuso e violência sexual o resgate da sua dignidade”.

Fala o Papa Francisco

Sobre o fenômeno abjeto da exploração sexual, ainda mais hediondo quando as vítimas são crianças e adolescentes, o Papa Francisco se pronunciou em diversas situações, denunciando o teor gravíssimo desses crimes e pedindo empenho total no seu combate.

Em outubro de 2017, o Vaticano sediou o congresso “A dignidade das crianças no mundo digital”, durante o qual Francisco observou que, além da pornografia pedófila, há outros perigos de natureza sexualmente doentia rondando os menores:

“Estão se propagando pela rede fenômenos extremamente perigosos: a difusão de imagens pornográficas cada vez mais extremas, porque, com o vício, aumenta o nível da estimulação; o crescente fenômeno do ‘sexting’ entre meninos e meninas que usam as redes sociais; a intimidação cada vez maior na rede, uma autêntica violência moral e física contra a dignidade dos jovens”.

O Papa propôs estabelecer uma “agenda global na luta contra o abuso sexual infantil na internet e a proteção das crianças no ambiente digital”.

Tolerância zero contra pedófilos na Igreja

O Papa Francisco tem sido rígido na política de tolerância zero contra a pedofilia entre membros do clero católico, um escândalo que apodreceu setores inteiros da Igreja em anos passados e mesmo recentes. Em setembro de 2017, ele já tinha afirmado, durante audiência com a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores:

O escândalo do abuso sexual é verdadeiramente uma ruína terrível para toda a humanidade e afeta muitas crianças, jovens e adultos vulneráveis em todos os países e em todas as sociedades. Também para a Igreja tem sido uma experiência muito dolorosa. Sentimos vergonha pelos abusos cometidos por ministros consagrados, que deveriam ser os mais dignos de confiança. Reitero hoje, mais uma vez, que a Igreja, em todos os níveis, responderá com a aplicação das mais firmes medidas a todos aqueles que traíram o seu chamado e abusaram dos filhos de Deus“.

De fato, uma longa lista de padres e bispos já sofreram severas punições do Vaticano por terem cometido esse crime abominável ou mesmo por tê-lo acobertado. No mês passado, por exemplo, um padre suspeito de acessar pornografia infantil foi preso pela Gendarmeria da Santa Sé em pleno território vaticano. Em março deste ano, um arcebispo foi condenado pelo Vaticano por ter abusado sexualmente de menores quando era pároco na ilha de Guam. Atualmente, vem repercutindo em todo o mundo a dura ação do Papa Francisco após confirmar a veracidade de graves casos de omissão ou acobertamento, por parte de bispos chilenos, de crimes de pedofilia perpetrados naquele país. Por outro lado, uma onda de injustiças contra clérigos falsamente acusados de abusos também tem se verificado em diversos países, com casos aberrantes de prisão arbitrária e até extremos como a morte de um padre inocente.

Todo católico que tiver qualquer prova ou sólido indício real de crime de pedofilia praticado por qualquer membro da Igreja tem o dever moral de denunciar o suspeito tanto às autoridades civis quanto às autoridades eclesiásticas. O mesmo vale para o caso de qualquer outro suspeito de abusos, seja ou não seja membro da Igreja. O combate a essa chaga depende de cada um de nós em todos os âmbitos – inclusive no âmbito familiar, que, tragicamente, é o ambiente em que acontece a esmagadora maioria dos casos de abuso e de violência sexual, moral e física.

Urgência das ações de combate

As dimensões desta ação policial contundente contra a pornografia infantil no Brasil demonstram a urgência do combate a este delito para que a infância tenha de fato mais luzem meio às sombras e trevas da suposta “liberação sexual”, que reduz as práticas sexuais a meros atos hedonistas de busca inconsequente de prazer, usando pessoas como objetos e meios para satisfações fugazes – com toda a devastação psíquica e até física inevitavelmente ligada a esse tipo de vício.