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Nunca quis ser mãe

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Até que percebi que tudo aquilo que eu queria SER, de nada importava se não pudesse SER passado para alguém

Calma! Antes de me julgar, leia!

É verdade! Eu nunca quis ser mãe!

Eu sempre quis ser a melhor profissional possível, fazer cursos, viajar, conhecer o mundo, me desafiar, encarar novos cargos e propostas no meu campo de atuação, ser a melhor em tudo, ser reconhecida etc etc etc. Eu encarava o mundo, mas ser mãe? “Ahhh, isso não é pra mim!” Parto normal? “CreiInDeusPai genteeeee! Como passa uma criança naquele buraquinho?” Eu dizia, repetia, gargalhava junto com meus alunos que sempre me perguntavam se queria ser mãe.

Não. Eu nunca quis ser mãe!

Minha mãe, uma pessoa maravilhosa, que cozinha divinamente, deixou seus sonhos de lado para cuidar das filhas. Sim! Ela sempre disse que se pudesse voltar atrás, não teria tido filhos. Não! Isso nunca me magoou. Mas, talvez, meu cérebro internalizou tal informação e eu só conseguia pensar que eu não queria ser mãe.

Minha mãe sempre nos falou da importância de sermos independentes e não “depender de marido”; da importância de sermos aquelas mulheres que, quando saem de um relacionamento, o fazem de cabeça erguida porque sabem para onde irão, porque não precisam do auxílio – principalmente financeiro – de um homem.

Não. Eu nunca quis ser mãe!

Minha irmã, uma mulher e mãe maravilhosa se transformou em outra pessoa quando se tornou mãe e eu sentia falta da minha irmã; sentia saudades de poder estar com ela como antes; sentia saudades da pessoa que ela era. Chorei várias vezes de saudades, principalmente nos primeiros meses da maternidade dela. Mal nos falávamos… ela não tinha tempo.

Não. Eu nunca quis ser mãe!

Meu pai nunca disse nada. Nunca questionou se teria filhos; nunca disse que queria ter um neto ou uma neta. Conhecendo meu pai como ‘meu pai’, filho de quem foi e tendo levado a vida que levou, entendo este ‘não se importar’. Entendo a dor que carregou (e sei que ainda carrega) quando sua mãe era viva. Uma mãe que vivia a maltratar o filho mais velho por ser trabalhador e ter prosperado na vida; uma mãe que defendia os irmãos que não trabalhavam e criticava o filho mais velho por não ajudar os irmãos que pouco ou nada se esforçavam para ser alguém na vida.

Não. Eu nunca quis ser mãe!

Meu marido dizia que queria se tornar pai, mas que nunca me cobraria ser mãe. A vontade deveria surgir de mim, pois ele sabia que quem mais teria trabalho seria eu. Ele queria ser pai, mas, não queria me pedir para ser mãe. Eu brincava dizendo que ser professora de adolescentes já era o suficiente para que eu não quisesse ser mãe. Chamava (e ainda chamo) meus alunos de ‘filhos’; aconselho como se fossem meus e dou bronca como se também o fossem.

Não. Eu nunca quis ser mãe… até que…

Eu percebi que entrava ano e saía ano e eu continuava trabalhando para ter uma casa maior e ter mais sapatos de salto na sapateira (Ahhh! Como eu amava sapatos de salto!). Percebi que tudo aquilo que queria SER, de nada importava se não pudesse SER passado para alguém. Como saber se sou uma boa pessoa se nunca ensinei alguém a sê-lo? Como saber se sou uma boa profissional se nunca nenhum de meus alunos foram ‘meus filhos’ de verdade?

No mês em que planejei engravidar, eu engravidei. Disse para o meu marido que tínhamos que fazer sexo durante uma semana e tinha que ser naquela semana. Fizemos… ou quase hahahaha. Lá pelo quarto dia, estávamos cansados e deixamos para o dia seguinte. Na mesma semana falei com a minha irmã que, ao me perguntar sobre a gravidez, obteve como resposta: “Já estou grávida!” Não, eu ainda nem sabia que estava. E estava!

Comprei o teste para fazer no dia seguinte. Mas, eu já sabia que estava grávida. Meu marido ficou felicíssimo e eu tive certeza do propósito da vinda da minha bebê.

Ela veio para me mostrar que nada faria sentido se eu não pudesse passar adiante tudo aquilo em que eu acreditava. Nada faria sentido se não fosse através dela. Ela veio do jeitinho que eu pedi a Deus; veio para me mostrar que desafio mesmo é ser mãe e que o resto do mundo podia esperar, que eu preciso ser a melhor que eu puder para ela, para servir de exemplo para ela e que o melhor campo de atuação é aquele em que eu me mostro como sou: fraca diante de tamanha responsabilidade.

Não. Eu nunca quis ser mãe! Eu me tornei mãe!

Eu me tornei mãe no dia em que a peguei nos braços e prometi que daria o melhor que pudesse para ser reconhecida, única e exclusivamente, por ela.

 

Por Fabiana Paganini de Andrade, 35 anos, mãe da Ana Clara (BBUrsa) de 1 ano e 2 meses, professora apaixonada por ensino-aprendizagem. Artigo originalmente publicado em Blog Mamães da Vida Real