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Chile: até mesmo vítimas de abusos sexuais condenam linchamento de padres

HANGED
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Anticlericais se aproveitam do crime de alguns para generalizar contra todo o clero

Três bonecos vestidos de batina e faixa vermelha foram pendurados a uma ponte sobre o rio Mapocho, em Santiago do Chile, com um grande cartaz que defendia o enforcamento de padres abusadores.

Depois que a imagem viralizou, Juan Carlos Cruz, um dos leigos que sofreram abusos sexuais por parte do padre afastado Fernando Karadima, reagiu à incitação à violência escrevendo em sua conta no Twitter:

“Condeno energicamente esta barbaridade de pendurar bonecos numa ponte representando padres. Não podemos cair nesta espiral de violência. Discutamos, levantemos a voz, denunciemos, levemos os criminosos à justiça. Mas NÃO assim”.

Uma crise sem precedentes

A Igreja no Chile enfrente uma forte crise institucional deflagrada por uma vergonhosa série de abusos sexuais e de poder, todos comprovados.

O abusador

O núcleo do escândalo é Fernando Karadima, um padre julgado e condenado pelo próprio Vaticano como culpado de pedofilia, efebofilia, abusos psicológicos e abuso de poder eclesiástico para amedrontar e calar as suas vítimas, menores de idade. O padre foi suspenso para sempre do ministério sacerdotal e a sua condenação por parte do Vaticano reabriu o caso também na esfera judicial chilena.

O acobertamento

Além do padre abusador, as vítimas acusavam o bispo Juan Barros, da diocese de Osorno, de acobertar os abusos sexuais perpetrados por Karadima. As provas dessa acusação, porém, não chegavam ao Papa Francisco: as informações repassadas ao pontífice eram “filtradas” de modo a beneficiar o bispo.

A investigação pontifícia

Mesmo sem ter recebido as provas alegadas, Francisco enviou ao Chile o arcebispo de Malta, dom Charles Scicluna, para ouvir os depoimentos das vítimas. O enviado papal permaneceu no Chile de 19 a 28 de fevereiro e elaborou o relatório que confirmava a veracidade das acusações.

A reação do Papa

Papa Francisco caso Barros
Sobreposição em foto de FERNANDO LAVOZ / NurPhoto

Depois de ler as mais de 2.300 páginas do relatório, o Papa Francisco declarou:

“Creio poder afirmar, após uma leitura atenta das atas do processo de escuta, que todos os testemunhos coletados falam de modo direto, sem acréscimos nem adocicamentos, de muitas vidas crucificadas. E lhes confesso que isto me provoca dor e vergonha.

No que diz respeito a mim, reconheço e quero que vocês transmitam com fidelidade que cometi graves equívocos de avaliação e percepção da situação, especialmente devido a uma falta de informação verdadeira e equilibrada. Por isso, peço perdão a todas as pessoas que ofendi e espero poder fazê-lo pessoalmente, nas próximas semanas, nas reuniões que terei com representantes das pessoas entrevistadas”.

A renúncia dos bispos

Francisco convocou ao Vaticano todos os bispos chilenos para discutir as falhas graves cometidas pelas estruturas eclesiais no país em relação às denúncias de abusos sexuais e para reforçar a política vaticana de tolerância zero contra padres abusadores, tanto no campo sexual quanto no dos abusos de autoridade e poder. Após essa reunião, todos os bispos do Chile colocaram seus cargos à disposição do Papa, que deverá se pronunciar em breve.

O desafio da reconciliação

(AP Foto/Gregorio Borgia)

As vítimas foram convidadas e recebidas pessoalmente pelo Papa Francisco no Vaticano. O Papa lhes pediu perdão pelos pecados e crimes perpetrados por membros do clero contra eles, incluindo o pecado gravíssimo da omissão. As vítimas agradeceram ao Papa pelo acolhimento e reconhecimento e declararam apreço pela postura do Vaticano de empreender uma faxina profunda nas estruturas que permitiram abusos tão abjetos.

Desde o pontificado de Bento XVI, o Vaticano vem adotando novas diretrizes para reformar os seus procedimentos em relação aos casos de abuso sexual, visando evitá-los e, no caso dos que ocorreram, investigá-los com mais presteza e garantir a devida punição aos criminosos. No papado de Francisco, a política de “tolerância zero” chegou a etapas de duras punições: dezenas de padres já foram julgados e condenados pela Santa Sé e pela esfera civil de seus países, incluindo, entre os condenados, até bispos como dom Anthony Sablan Apuron, ex-arcebispo de Agaña, na ilha de Guam. Ainda há inúmeros processos em andamento, envoltos alguns em elogios pela agilidade e outros em críticas pela lentidão.

Em paralelo às investigações e à condenações de culpados, acontece o processo de acolhimento das vítimas, que são as que mais precisam de atenção e apoio. O processo inclui o acesso à justiça e às indenizações devidas, mas também o alívio dos traumas sofridos e a cura dos sentimentos de rancor para que as pessoas feridas possam retomar uma vida digna.

São João Paulo II afirmava:

“A espiral da violência só é freada pelo milagre do perdão”.

Cabe à Igreja, em nome de Cristo, recompor as confianças rompidas e embasar um perdão autêntico, acompanhado de verdadeira justiça e de bálsamo espiritual.

Outro lado do escândalo: as manipulações anticlericais

A justiça também exige honestidade intelectual e moral para que as culpas sejam atribuídas apenas aos reais culpados. Há grupos ideológicos, no entanto, que têm se aproveitado de escândalos reais para manipular a opinião pública e induzi-la contra a totalidade do clero católico. A onda de acusações falsas chegou a provocar prisões de padres inocentes e até mesmo a morte de sacerdotes injustamente condenados por crimes que nunca cometeram, conforme se pode conferir neste artigo.

O linchamento moral que alguns vêm promovendo no Chile não é justiça. É mais uma chaga numa lista já longa, vergonhosa e dolorosa de escândalos, crimes e sofrimentos que clamam por genuína reparação.

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