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Nossa Senhora de Caacupé, “a Virgem dos Milagres” do Paraguai

OUR LADY OF CAACUPE
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A harmoniosa relação entre identidade indígena e fé católica no mais religioso e resiliente dos países sul-americanos

Pouco sabem os países vizinhos sobre a história e a identidade do Paraguai.

Literalmente dizimado no maior conflito armado internacional já ocorrido na América do Sul, a guerra de 1864 a 1870 contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai, o país então florescente chegou a perder exorbitantes 69% a 75% da população, exterminada pela mistura explosiva de batalhas, fome e péssimas condições de higiene. Nunca é fiel aos fatos históricos colocar um país no papel de pura vítima, e é reconhecido que o governo de Assunção fez na época provocações que não devem ser subestimadas, mas é fato que a população paraguaia foi, de modo incomparável e patente, a mais injustamente devastada por essa guerra desproporcional.

Reerguer-se como nação foi obra extraordinária, dificultada ainda mais pela sina sul-americana de ditaduras e governos corruptos.

Ao longo do século XX, durante décadas, o país sem acesso ao mar foi estigmatizado como nação subdesenvolvida, dependente de extrativismo e de comércio informal de quinquilharias chinesas e taiwanesas na fronteira com o Brasil – quadro que também favoreceu a mortífera estruturação do tráfico de drogas e armas para o gigante país vizinho, vitimado hoje, em grande medida, pela própria incompetência em cuidar dessa fronteira.

Nos últimos anos, porém, o Paraguai tem surpreendido pelo sólido crescimento de seu produto interno bruto, pela diversificação da sua economia e pelas condições atrativas para empreendedores locais e estrangeiros.

O povo castigado pela história e pelos caudilhos de quinta categoria do seu próprio território e dos países vizinhos é dono de um patrimônio cultural que engloba de arquitetura colonial a reduções jesuíticas, passando por uma riqueza raríssima entre os países contemporâneos: é um dos poucos no mundo que preservaram como língua oficial um idioma indígena, o guarani, parente direto do tupi antigo que, no Brasil, foi proibido pelas políticas excludentes do português Marquês de Pombal, quando o país ainda pertencia a Portugal.

missões jesuíticas Paraguai
CC

Unindo mais harmoniosamente do que os vizinhos a identidade indígena e a Boa Nova de Jesus Cristo, o povo paraguaio também se tornou essencialmente um povo cristão, mantendo-se até hoje, em termos percentuais, como o país mais religioso do continente americano: 92% da população se declara religiosa, em comparação com 79% no Brasil, 72% na Argentina, 56% nos Estados Unidos e 34% em Cuba.

A própria Nossa Senhora participa dessa harmoniosa junção entre a identidade guarani e a fé em Cristo.

A Virgem Maria entre os índios

Assim como no México, onde Nossa Senhora de Guadalupe se apresentou com características indígenas para o índio São João Diego, ela também se mostrou como indígena para os índios da região do atual Paraguai.

Era o final do século XVI. Um índio converso, escultor de profissão, subiu ao topo de uma colina e se encontrou com membros hostis de uma tribo mbayá, dos quais conseguiu escapar ocultando-se atrás de um tronco. Nos momentos angustiantes que passou no esconderijo, ele pediu à Virgem Maria que intercedesse e lhe obtivesse a graça de sair com vida. Mais tarde, já livre do risco, ele esculpiu uma imagem da Mãe de Deus com o mesmo tronco que o havia protegido, em cumprimento à promessa que fizera à Virgem Santíssima.

Virgen Caacupe
Diego Duarte Colman

Em 1603, o lago Tapaicuá transbordou e alagou todo o vale do Pirayu, arrasando tudo pelo caminho – inclusive a imagem da Virgem. Quando as as águas retrocederam, porém, apareceu milagrosamente a imagem que o índio tinha esculpido.

Os locais começaram a espalhar a sua devoção e a invocá-la como “a Virgem dos Milagres”. Um dos devotos, José, carpinteiro de ofício, construiu para ela uma modesta capelinha: foram as origens da veneração à Virgem de Caacupé, cuja pequena imagem, de pouco mais de cinquenta centímetros, tem os pés descansando sobre uma esfera, rodeada de bandagem branca de seda.

Sua festa é celebrada no dia 8 de dezembro, quando peregrinos aos milhares vão ao santuário demonstrar amor e gratidão a “la Virgen Azul del Paraguay“, Mãe de Deus e de todos nós.

É significativo, ainda, observar que algumas representações da Virgem de Caacupé combinam elementos guaranis com elementos europeus, os dois principais formadores do povo paraguaio, conforme se constata na imagem abaixo, cujos olhos são azuis:

Virgen de Caacupe
CC

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