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Teologia da Libertação: Não e Sim!

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O grave perigo de se mesclar cristianismo e marxismo

Leitores perguntam o que pensar a respeito da Teologia da Libertação, pois enquanto alguns a julgam malévola e marxista outros a têm como “oportuna, útil e necessária”.

Em resposta rápida aos amigos, dizemos, por ora, que a Teologia da Libertação sempre foi, de modo oficial, desabonada pela Igreja quando buscou se valer, em sua teoria ou prática, do marxismo ou do comunismo, ideologia perversa em si mesma (cf. Pio XI. Divini Redemptoris, n. 58).

Com efeito, observa o Documento de Puebla (1979) que, erroneamente, “alguns creem ser possível separar os diversos aspectos do marxismo, em particular sua doutrina e sua análise. Recordamos que seria ilusório e perigoso chegar a esquecer o nexo íntimo que os une radicalmente, aceitar os elementos da análise marxista, sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e da sua interpretação marxista, deixando de perceber o tipo de sociedade totalitária e violenta a que conduz tal processo” (n. 544). Basta dizer que o comunismo deixou como legado mais de 100 milhões de mortos!

Também o Papa São João Paulo II alertou os Bispos latino-americanos, em 2 de fevereiro de 1980, sobre o grave perigo de se mesclar cristianismo e marxismo. Dizia, então, o Pontífice:

“A Igreja não necessita de recorrer a sistemas e ideologias para amar, defender e colaborar na libertação do homem… A libertação cristã usa meios evangélicos com a sua eficácia peculiar e não recorre a algum tipo de violência, nem à dialética da luta de classes… ou à práxis ou à análise marxista, pelo perigo de ideologização a que se expõe a reflexão teológica, quando se realiza partindo de uma práxis que recorre à análise marxista. Suas consequências são a total politização da existência cristã, a dissolução da linguagem da fé na das ciências sociais e o esvaziamento da dimensão transcendental da salvação cristã” (n. 54s).

Defender, portanto, um modelo de teologia desses é colaborar para afastar o povo das paróquias ou dioceses – e, talvez, de Deus – contribuindo para o secularismo e o relativismo religioso. Aqui é preciso dizer “Não” a essa Teologia da Libertação.

Em contrapartida, alguns afirmam, sem mais, que o Papa São João Paulo II disse ser a Teologia da Libertação “oportuna, útil e necessária”, mesmo a de cunho marxista. Ora, quem retira o texto do contexto cria pretexto para fazer a outra pessoa dizer qualquer coisa, menos o que ela quis, realmente, falar. Isso é o que se tem dado com essa alocução do Santo Padre proferida, em 9 de março de 1986, a uma representação do Episcopado Brasileiro em Roma.

Eis o que João Paulo II realmente disse:

“Na medida em que se empenha por encontrar aquelas respostas justas – penetradas de compreensão para com a rica experiência da Igreja nesse país, tão eficazes e construtivas quanto possível, e, ao mesmo tempo, consonantes e coerentes com o anúncio do Evangelho, Tradição viva e do perene Magistério da Igreja – estamos convencidos, nós e os senhores, de que a teologia da libertação, é não só oportuna, mas útil e necessária. Ela deve construir uma nova etapa – em estreita conexão com as anteriores – daquela reflexão teológica iniciada com a Tradição apostólica e continuada com os grandes Padres e Doutores, com o Magistério ordinário e extraordinário, e, na época mais recente, com o rico patrimônio da Doutrina Social da Igreja, expressa em documentos que vão da Rerum Novarum à Laborem Exercens”.

Hoje, temos novos documentos nessa área.

Em síntese, a Teologia da Libertação defendida por São João Paulo II é aquela fiel à Tradição e ao Magistério da Igreja. Nada tem a ver com o marxismo. É a Doutrina Social da Igreja aplicada. A essa ação libertadora, fundada, de modo verdadeiro, no Evangelho, o cristão pode, sem receio, dizer “Sim”.