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A incrível história do missionário italiano que virou o “padre cigano”

Padre cigano Renato Rosso
Toni Gortz
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Ele está na origem da Pastoral dos Nômades, no Brasil, voltada aos povos ciganos, circenses e parquistas

Neste fim de semana, o Arsenal da Esperança, em São Paulo, recebeu uma visita especial: a do padre Renato Rosso, missionário italiano que vive há mais de 30 anos junto ao povo cigano em vários países de diversos continentes: Itália, Brasil, Índia, Bangladesh e outras nações muçulmanas do centro e do sul da Ásia e do norte da África, como a Argélia, onde esteve recentemente entre nômades do Saara expulsos do território marroquino.

O Arsenal da Esperança

O Arsenal da Esperança da capital paulista foi instalado em 1996 na antiga Hospedaria dos Imigrantes, que, do final do século XIX até os anos 1970, recebeu milhões de imigrantes do mundo todo. Hoje, o Arsenal da Esperança é uma casa que acolhe 1.200 pessoas em dificuldades, o assim chamado “povo em situação de rua”: a essas pessoas, que estão em busca de novas oportunidades de trabalho e de vida, o Arsenal oferece não apenas alojamento e refeição, mas também, e principalmente, capacitação para o trabalho, além de atenção psicológica e espiritual.

Trata-se de uma iniciativa surgida em Turim, na Itália, ligada ao SERMIG – Servizio Missionario Giovani (Serviço Missionário para os Jovens). Seus fundadores, em 1964, foram Ernesto Olivero e sua esposa Maria Cerrato, que pretendiam concretizar o sonho de derrotar a fome e combater as injustiças sociais no mundo, promovendo ações de justiça e desenvolvimento, vivendo a solidariedade para com os mais pobres e dando especial atenção aos jovens.

O “padre cigano”

A vocação do pe. Renato Rosso como “cigano” surgiu na década de 1970, na mesma Turim em que nasceram o Sermig e o Arsenal da Paz – modelo italiano que inspirou o Arsenal da Esperança em São Paulo. O pe. Renato acompanhou todos os passos dessas instituições com grande participação.

Para explicar o porquê da sua “vida cigana“, o missionário relata um episódio ocorrido em sua terra natal: certo domingo, ele encontrou uma família de ciganos na porta da igreja, esperando a missa acabar. Eles queriam rezar, mas não encontravam na igreja ninguém que fosse “do mundo deles”. Sentiam-se forasteiros. O pe. Renato se convenceu então de que não bastaria visitar os ciganos: ele precisaria “se tornar” um deles.

A Pastoral dos Nômades

Não se pode apontar uma origem exata da pastoral católica a serviço do povo cigano, circense e parquista, mas, oficialmente, no Brasil, a Pastoral dos Nômades foi criada em 1985. E o pe. Renato Rosso teve protagonismo nessa empreitada: ele fixou residência no Brasil, morou com os ciganos e organizou a pastoral, trabalhando em conjunto com o então bispo de Caxias do Sul, dom Benedito Zorsi.

Há diversas teses a respeito da origem do povo cigano, mas uma das mais aceitas é que eles surgiram na Índia entre os anos 500 e 1000 d.C. e se espalharam em seguida pela Europa.

No Brasil, há relatos de que o primeiro cigano tenha chegado em 1547. Hoje, eles são mais de 800 mil no país, enquanto somam mais de 36 milhões no mundo todo.

Inculturação

Atender pastoralmente a população cigana exige compreensão e respeito às tradições, hábitos, língua e cultura próprias desse povo. O pe. Wallace Zanon, um dos sacerdotes que atuam na Pastoral dos Nômades, realizou uma experiência de imersão na cultura cigana ao morar durante quatro anos em acampamentos no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

O pe. Wallace destaca valores cruciais desse povo, como a unidade familiar e a partilha. Em entrevista ao portal A12.com, ele declarou:

“A família é o sustento, é a vida deles. Eles vivem em função das famílias. No acampamento ninguém passa fome. Quem está de fora não conhece. Quando a gente conhece de fato o povo cigano, a gente percebe que há coisas muito belas”.

Segundo o pe. Wallace, a pastoral procura conscientizar e motivar as dioceses onde existam esses povos a iniciarem um trabalho mais profundo de acolhimento. Ele observa que a grande maioria dos ciganos é católica, embora eles vivam uma religiosidade popular própria da sua cultura. Batizam os filhos e valorizam o sacramento do matrimônio, a catequese e as celebrações litúrgicas.