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É hora de repensar como abordamos a depressão

WOMAN,ALONE,DEPRESSED

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Calah Alexander - publicado em 06/08/18

A depressão é uma epidemia e é mais complexa do que a tratamos

Não é novidade que o suicídio é uma epidemia. Hoje em dia é raro encontrar alguém que não perdeu um amigo ou um membro da família para o suicídio, muitas vezes após uma longa luta contra a depressão ou outra doença mental.

Para aqueles de nós que ficamos, lutamos para dar sentido ao que, muitas vezes, parece esmagador. Mesmo que experimentemos depressão ou nos desesperemos, é difícil não tentar encontrar uma resposta que faça sentido.

Nós tendemos a adivinhar cada conversa, cada interação, procurando a clareza nas repostas. “Por que não enxerguei isso?”, perguntamo-nos. “Por que eu não fiz mais, de forma diferente, tentei mais? Por que eles não sabiam como eram amados, quão maravilhoso eram, quão necessário, quão insubstituível eles eram neste mundo?”.

Às vezes, é mais fácil culpar outras pessoas ou coisas – os conselheiros que falharam, os médicos que prescreveram o remédio errado ou a dose errada. As empresas farmacêuticas que não divulgaram os riscos de uma medicação. Quando enquadramos a depressão como nada mais do que um desequilíbrio químico, algo que deu errado em algum lugar, pensamos que a medicação correta pode consertar tudo magicamente. Assim, existe o risco de que aqueles que estão lutando contra a depressão desistirão com desespero se a medicação não os ajudar a levantar da lama.

A verdade é que a depressão é uma aflição complexa, que pode ser ajudada pela medicação, mas geralmente não é resolvida por ela. A Organização Mundial da Saúde iniciou uma campanha de um ano em 2017 para aumentar a conscientização sobre a depressão como a principal causa de saúde e deficiência em todo o mundo e estimular os países a repensar suas abordagens para a saúde mental e tratá-la com a urgência apropriada. Tratar a depressão como um desequilíbrio inexplicável de substâncias químicas cerebrais, não relacionadas ao passado ou ao presente, desconecta uma pessoa do que ela está experimentando, ignorando a validez de seus sofrimentos, impedindo a pessoa de confrontar sua dor.

Johann Hari passou três anos pesquisando as verdadeiras causas de depressão e ansiedade depois de se formar na Universidade de Cambridge e descobriu que existem nove principais causas de depressão e ansiedade, das quais apenas duas são biológicas. Ele ficou tão chocado com suas descobertas que escreveu um livro sobre isso, explicando no Huffington Post que sua pesquisa o levou a rever a maneira como devemos entender e abordar a depressão.

“Isso me levou à evidência científica de que devemos tentar resolver nossas crises de depressão e ansiedade de uma maneira muito diferente (juntos aos antidepressivos químicos, que, evidentemente, devem permanecer no conjunto do tratamento).

Para fazer isso, precisamos parar de ver a depressão e a ansiedade como uma patologia irracional, ou uma mera falha de substâncias químicas cerebrais. Elas são terrivelmente dolorosas – mas elas fazem sentido. Sua dor não é um espasmo irracional. É uma resposta ao que está acontecendo com você. Para lidar com a depressão, você precisa lidar com suas causas subjacentes. Na minha longa jornada, eu aprendi sobre sete tipos diferentes de antidepressivos – os que tratam de eliminar as causas, em vez de deixarem de lado os sintomas. Liberar sua vergonha é apenas o começo”.

A causa mais poderosa de depressão para Hari também foi a mais difícil de tratar: trauma de infância. É muito conhecido que o trauma de infância aumenta significativamente o risco de depressão no adulto e tudo o que resulta disso, desde o uso de drogas ao suicídio. E enquanto os antidepressivos podem ajudar aqueles que sofrem de depressão como resultado de um trauma de infância, apenas lidar com o trauma em si pode trazer a cura real.

Infelizmente, o acesso a serviços de saúde mental como o aconselhamento de longo prazo pode ser caro. Embora existam iniciativas que tenham começado a se concentrar no aumento do acesso ao aconselhamento e à diminuição do estigma em torno da depressão, levará muito tempo para que vejam um sucesso generalizado. Por enquanto, a melhor maneira de ajudar amigos e familiares que lutam contra a depressão, segundo Dr. Robert Anda (um dos colegas da Hari), e mudar a narrativa é:

“Quando as pessoas estão se comportando de maneiras aparentemente autodestrutivas, ‘é hora de parar de perguntar o que há de errado com elas’, disse ele, ‘e hora de começar a perguntar o que aconteceu com elas’”.

Tags:
DepressãoSaúde
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