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Confira as dúvidas sobre ‘atentado’ denunciado por Maduro

MADURO
Shutterstock-Marcos Salgado
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Foi um atentado? Uma operação para mostrar a vulnerabilidade de Nicolás Maduro? Uma montagem? São muitas as dúvidas geradas pelo incidente com dois drones, supostamente carregados com explosivos que detonaram perto do presidente.

– Surpresa ou não? –

O governo socialista e a Procuradoria consideram tentativa de magnicídio a detonação de um drone carregando um quilo de explosivo C4 perto do palanque no qual Maduro assistia a uma parada militar, no sábado, em Caracas.

“Foi uma tentativa não apenas de magnicídio, poderia qualificá-lo como uma tentativa de massacre porque o objetivo era atingir (…) a tribuna presidencial, todos teríamos explodido”, denunciou nesta segunda o procurador-geral, Tarek William Saab, convidado ao ato e de orientação governista.

O governo assegura que esta aeronave foi “desorientada” pelas autoridades com inibidores de sinal, evitando que explodisse no palanque.

Mas não esclareceu se a detonação foi controlada pelas forças de segurança, se foi espontânea ou se ocasionada por quem manipulava o aparelho.

O outro drone perdeu o controle e impactou um edifício de apartamentos, segundo o boletim oficial.

Há seis detidos, com identidades não reveladas, pelos fatos, dos quais Maduro culpa a oposição e o presidente colombiano, Juan Manuel Santos. Sete militares ficaram feridos.

Alguns analistas consideram que o ocorrido surpreendeu Maduro – que parece desorientado após a detonação – e os militares. Na transmissão oficial pode-se ver como os militares correm assustados após a segunda detonação.

“O governo simularia um atentado para justificar a repressão, mas os militares foram vistos correndo. Não seria o efeito procurado”, disse à AFP Carlos Delgado, diretor do Centro de Investigação da Comunicação da Universidade Católica Andrés Bello.

– Oportunismo do governo? –

Outros especialistas consideram que não houve atentado, mas uma série de coincidências que o governo busca capitalizar como tentativa de magnicídio.

Fernando Ochoa Antich, ex-ministro da Defesa, assegura ter informação de que um artefato desconhecido explodiu em um apartamento perto da parada, surpreendendo Maduro e os militares.

“Enquanto ocorria esta explosão, havia um drone de (a televisão estatal) VTV gravando o ato e os franco-atiradores (militares) atiraram nele após o estrondo. O drone caiu e ocorreu o estampido”, informou Ochoa à AFP.

Jorge Septién, especialista em segurança internacional e terrorismo, disse à CNN que é possível que o círculo de seguranças de Maduro tenha detonado o drone “antes de chegar ao destino”.

“As câmeras gravaram os militares correndo e os seguranças cobrindo Mauro. Para o governo, essa imagem é terrível e aproveita para usar a tese do atentado”, acrescentou Ochoa.

No sábado, o procurador afirmou que o drone que explodiu em frente ao palanque era o que fazia a gravação oficial do ato. “Pude observar como o drone que filmava explodiu”, disse à CNN.

– Maduro vulnerável? –

Outros aventam a hipótese de que ocorreu o ataque com drones ao ato de Maduro, mas só para demonstrar sua vulnerabilidade e a dos militares da Guarda Nacional, que celebravam seu aniversário.

“Parece que a ação foi concebida não para matar alguém, mas para aumentar o apoio à ‘rebelião’. Uma ação tática. Se foi assim, teve êxito ao demonstrar a vulnerabilidade do governo”, disse à AFP uma fonte política, que pediu para ter a identidade preservada.

Um suposto grupo de militares e civis rebeldes, autodenominado Movimento Nacional Soldados de Camisetas, até agora desconhecido, assumiu a autoria do ataque.

“Poderia se tratar de um grupo minoritário”, acrescentou a fonte.

– Montagem para distrair? –

Mas há quem considere que o ocorrido foi uma “montagem” do governo para desviar a atenção da crise econômica, com uma inflação que, segundo o FMI, poderia chegar a 1.000.000% este ano.

“Não houve atentado. A situação econômica está fugindo do controle do governo, recorrem a este teatro para desviar a atenção. É cópia do teatro de Fidel Castro, que sempre denunciava atentados”, disse à AFP o capitão reformado e ex-senador Carlos Guyón.

Guyón assegurou que se um quilo de C4 tivesse explodido perto do palanque, “a quantidade de mortos teria sido alta”.

“Um quilo de C4 é mais do que suficiente para destruir todo o palanque”, disse o capitão reformado, que acompanhou o falecido ex-presidente Hugo Chávez em um golpe de Estado frustrado em 1992, e depois virou seu adversário.

Maduro denunciou vários planos de magnicídio e golpes de Estado, sem dar provas.

“Penso que os feridos se devem ao pânico”, acrescentou Ochoa.

“Se o governo planejou para se fazer de mártir, se saiu muito mal porque mostra um grupo muito medroso”, afirmou Septién.

(AFP)