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10 discursos que mudaram o mundo (para melhor ou pior)

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Por homens como Kennedy, King e Castro

Um bom discurso pode mudar o curso da história. Desde os dias de Jesus Cristo e Sêneca, sabemos que a palavra – oral ou escrita – tem um enorme poder.

Com esse poder vem uma grande responsabilidade: um discurso pode provocar uma guerra ou trazer a paz; pode mover o coração das pessoas ou despertar o ódio; pode levantar espíritos ou enterrar esperanças. Pode construir ou destruir.

Aqui apresentamos 10 discursos famosos que deixaram sua marca na história mundial recente, de Lênin a Charles de Gaulle e Hitler. No final do artigo, incluímos 10 características que ajudam a fazer um bom discurso, de acordo com Christophe Boutin, professor de direito e especialista em oratória.

1 – Vladimir Lênin. As teses de abril, pronunciadas em dois discursos e posteriormente publicadas no jornal Pravdaem 7 de abril de 1917. O texto foi proclamado no contexto do início da revolução russa contra o Czar. Nessas teses, Lênin apela à paz “derrubando a capital” e ao início do programa de coletivização. A Rússia sofreria as consequências pelos próximos 100 anos.

2 – Charles de Gaulle. Apelo aos franceses, difundido na rádio da BBC em 18 de junho de 1940. Tendo sido nomeado Subsecretário de Guerra nesse mesmo mês, o general De Gaulle foi à BBC para responder à “rendição” da França aos nazistas sob o general Pétain. O discurso pedia resistência após a derrota francesa pela invasão nazista. Se a França pode ser contada entre os vitoriosos em 1945 e não como um país colaboracionista, foi graças a ele.

3 – Winston Churchill. Sangue, sofrimento, lágrimas e suor. 13 de maio de 1940. O primeiro-ministro britânico pronunciou este discurso na Câmara dos Comuns, em Londres, pedindo cooperação e sacrifício dos cidadãos para derrotar a Alemanha, 8 meses após eclodir a Segunda Guerra Mundial. A frase “sangue, sofrimento, lágrimas e suor” ficou na história, e Churchill repetiu em várias ocasiões. Este discurso mudou literalmente o curso da guerra porque conseguiu restaurar a esperança em um país aterrorizado.

4 – Adolf Hitler. Discurso sobre o “Esquema de Ajuda de Inverno”. Berlim, 3 de outubro de 1941. Neste discurso, Hitler avalia seu trabalho e se refere ao inimigo britânico como “tolos loucos”. Hitler era um verdadeiro mestre da oratória, capaz de incendiar as massas com sua voz. Não precisamos explicar aqui os efeitos de sua “arte”…

5 – Juan Domingo Perón. “Eu quero continuar sendo o Coronel Perón”. Buenos Aires, 17 de outubro de 1945. Discurso dado quando os sindicatos se levantaram pedindo sua libertação, porque ele foi preso na Ilha Martín García. Ele agradece aos trabalhadores por seu apoio e anuncia seu desejo de convocar eleições. Perón foi considerado um orador incrível, pois sabia como se adaptar ao público e conseguia ser pragmático e conciliador. Suas palavras ainda inspiram muitos argentinos.

6 – David Ben Gurion. Declaração de independência israelense. Tel Aviv, 14 de maio de 1948. Ben Gurion (1886-1973), polonês de nascimento, emigrou para a Palestina em 1906. Com este discurso em 1948, ele proclamou a criação do Estado de Israel. O texto começa dizendo que “a Terra de Israel era o lugar de nascimento do povo judeu”, onde “sua identidade espiritual, religiosa e política foi moldada”. De acordo com o calendário judaico, esta declaração foi assinada no 5º dia do mês de iyar no ano 5708. Este discurso positivo e conciliador favoreceu a recepção positiva do novo Estado de Israel (quase) pelo mundo inteiro – embora 24 horas depois estourasse a primeira guerra com os vizinhos árabes.

7 – Mao Tsé-Tung. Sobre o Manejamento Correto de Contradições entre as Pessoas, Pequim, 27 de fevereiro de 1957. Este discurso estabelece as teses do Partido Comunista e explica que os contrarrevolucionários foram “eliminados” porque isso era “absolutamente necessário”. Diante da dissidência, Mao reconhece neste discurso que “não é apenas inútil, mas muito prejudicial, usar métodos brutos para lidar com questões ideológicas entre as pessoas. Você pode proibir a expressão de ideias erradas, mas as ideias ainda estarão lá”.

8 – Fidel Castro. A revolução começa agora. Santiago de Cuba, 1 de janeiro de 1959. Este discurso é um exemplo do estilo carismático de Fidel Castro, no qual ele declara que a “Revolução… está começando agora. Nossa Revolução não será uma tarefa fácil, mas um empreendimento áspero e perigoso”. Castro diz que “[ele] acreditava tão profundamente no povo de Cuba” e diz a seus compatriotas que os combatentes revolucionários sempre serão “servos fiéis” cujo único emblema é o “serviço”.

9 – John F. Kennedy. “Ich bin ein Berliner” (Eu sou um berlinense). Berlim Ocidental, 26 de junho de 1963. O presidente Kennedy visitou Berlim dois anos após a construção do muro. Este discurso é uma validação do chanceler Adenauer (“comprometido com a causa da democracia, da liberdade e do progresso na Alemanha”, nas palavras de Kennedy). O presidente americano declara: “Há muitas pessoas no mundo que realmente não entendem, ou dizem que não, qual é o grande problema entre o mundo livre e o mundo comunista. Deixe-as vir até Berlim”. O muro, diz Kenney, “é a demonstração mais óbvia e vívida das falhas do sistema comunista”.

10 – Martin Luther King Jr., “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho). Washington, 28 de agosto de 1963. Cinco anos antes de ser assassinado em Memphis, o Rev. Martin Luther King falou diante de 200 mil pessoas em Washington, D.C. Seu discurso está cheio de referências bíblicas e é um apelo à igualdade de todas as pessoas, no contexto da não violência. Este discurso é um momento decisivo na história dos Estados Unidos pela defesa dos direitos civis.

Atrás de todos esses discursos, existem dez características subjacentes. O professor de direito francês Christophe Boutin explica-os em seu livro Les grands discours du XXe siècle (Grandes discursos do século XX):

  1. Acima de tudo, um discurso deve ser convincente.
  2. O orador deve fazer todo o possível para que sua audiência se sinta especial.
  3. Os políticos sabem muito bem o funcionamento do subconsciente coletivo.
  4. Um grande discurso é, acima de tudo, um exemplo de ambiguidade calculada.
  5. O orador prefere fortalecer a unidade com seus seguidores em torno de ideais compartilhados.
  6. O discurso presta-se a todos os tipos de lisonjas (“Somente você me entende, só você está ciente do que está em risco”).
  7. Na medida em que um discurso é dirigido a um grande público, deve incluir vários elementos que atraem sentimentos mais que a razão.
  8. O discurso é composto de fórmulas bem codificadas.
  9. Ao pronunciar o discurso, tudo é controlado, até mesmo as expressões em um momento emotivo do discurso.
  10. O orador, por alguns momentos, compartilha uma revelação com a multidão que o escuta.

Claro, esses critérios não resolvem o problema se um determinado discurso trará paz ou guerra. No entanto, ter pelo menos algum conhecimento dos mecanismos internos de um discurso poderoso pode ajudar aqueles que ouvem a não se deixar levar tão facilmente pela emoção.

 

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