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Redação da Aleteia

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Aborto em um mundo desumanizado

CHŁOPIEC I MIŚ
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Brincar de dono da vida dos outros é muito perigoso

Depois de ler artigos esclarecedores e técnicos, mas, às vezes, com uma evidente pitada de doçura ao falar sobre “quando começa a vida”, decidi também escrever.

Afinal, é muito animador saber que existem pessoas que pensam e lutam pela vida, nesses tempos incertos, em que a apologia à morte, e à violência permeiam, sorrateiramente, nossos pensamentos.

Vamos pensar que somos parte interdependente de tudo isso. As palavras que escolhemos, o jeito desconfiado como olhamos o outro, o tom da nossa voz, a forma como julgamos as pessoas, a atração que temos por uns e a aversão que sentimos por outros, entre tantas outras coisas não poderiam resultar em nada mais nada menos do que na insana defesa da “morte para proteger a vida”, no caso do aborto.

E entendo, nesse contexto, que o aborto está na mesma categoria da eutanásia. São faces de uma mesma moeda e se encontram nos limites muito tênues entre o começo e o fim da vida.

Sinto que tentar definir sobre quando começa a vida e quando ela termina é apenas mais um dos recursos nefastos e egoístas que utilizamos para justificar essa nossa violência disfarçada de preocupação com os direitos e os sofrimento das mulheres e dos seus filhos já nascidos. Aquele por nascer não interessa.

Sou médica e sou mãe. Todavia, agora, não falo nem como médica nem como mãe. Agora, falo apenas como gente, como ser humano tal qual somos todos nós. E como gente, afirmo: para mim não existe nenhum motivo plausível que justifique tirar a vida de alguém. Nem que seja para aliviar o sofrimento de outra pessoa.

Afinal, a beleza da vida está no seu modo natural de se apresentar a cada um de nós, trazendo, muitas vezes, boas surpresas e outras vezes nem tanto. Por isso, creio que interferir na dinâmica natural da vida é, no mínimo, ingênuo e perigoso!

Creio que é por isso que se tem perguntado, firmemente, se a humanidade tem futuro? Sim, pode parecer estranho – e até bobagem – dizer isso, mas não é. Há livros publicados sobre o tema, nos Estados Unidos, a afirmar que nosso grande (ou maior) problema é a desumanização genética do ser humano. O humano por nascer, não obstante todas as provas científicas em contrário, não seria gente. É um amontoado de células, é algo (não alguém) sem vida, um ser cerebralmente morto etc.

É o perigo de não sermos mais gente. De recusarmos a humanidade do próximo e, por consequência, a nossa própria. Nada é nada. Tudo é válido e lícito, porque está na moda e a lei permite. Seria o fim da humanidade na qual alguns decidem quem vive e quem morre. Ou pior, quem, segundo os padrões desses poucos, podem viver e quem deve ser exterminado, no ventre materno ou fora dele.

Afinal, quem teria humanidade ética suficiente ou seria gente para condenar qualquer tirano homicida da História, se também essa pessoa defende o homicídio. Brincar de dono da vida dos outros é muito perigoso. Nem quero pensar nisso. Com uma arma na mão, esse alguém tira, de repente, a vida de quem, segundo seus insanos e subjetivos critérios, não mereça viver. Digo insano, mas se for analisar bem, essa pessoa que brinca de poder decidir (e decide) sobre a vida dos outros pode pensar: que diferença faz matar no útero materno ou fora dele?

É em nome dessa humanidade, desse ser gente, presente em cada um de nós, que faço um apelo em favor da vida, desde a concepção até o seu fim natural. Sem exceções. É perigoso demais querer – e poder – decidir sobre a vida alheia. Pensemos nisso!

 

Gisele Sugai é médica generalista. Especialização em Neurologia/Neurociências.