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Sequestros e assassinatos geram revolta contra rebeldes em província síria

SYRIA
Shutterstock.com
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Em ao menos duas ocasiões, em 2017 e início de 2018, a província foi palco de combates

Os assassinatos seletivos e sequestros proliferam na província síria de Idlib, e os habitantes culpam extremistas e rebeldes no poder nesta região fronteiriça com a Turquia e na mira do regime sírio.

Esta província de 2,5 milhões de habitantes se encontra, sobretudo, sob o controle da organização extremista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), embora também conte com muitas facções rebeldes e “células adormecidas” do grupo Estado Islâmico (EI). Alguns especialistas consideram que também pode haver células trabalhando para o regime.

Dezenas de milhares de rebeldes e civis foram transferidos para a região por conta de sucessivos acordos de rendição negociados pela Rússia, aliada de Damasco, à medida que o governo de Bashar al-Assad foi reconquistando redutos insurgentes.

Idlib é palco de lutas entre facções insurgentes, e os civis – atingidos por uma guerra que deixou mais de 350 mil mortos desde 2011 – são vítimas colaterais.

Neste último grande reduto da Síria, os carros-bomba, os artefatos explosivos na beira das estradas e os ataques à mão armada se multiplicaram, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), e quase nunca são reivindicados.

Desde abril, 270 pessoas, entre elas 55 civis, morreram em ataques a dirigentes e combatentes da HTS ou insurgentes em Idlib e bolsões da insurgência nas províncias próximas de Hama e Aleppo, afirmou o OSDH.

– ‘Dispostos a se sublevar’ –

A insegurança criou um clima de tensão entre os habitantes.

“Quando subi no carro, verifiquei com cuidado (…) para me assegurar de que não existiam artefatos”, explica sob anonimato um ativista do sul de Idlib. “Quando passo perto de uma lixeira acelero por medo da explosão de uma bomba”.

Na oração muçulmana de sexta-feira, ele fica o longe possível da entrada da mesquita para se proteger em caso de atentado.

Em ao menos duas ocasiões, em 2017 e início de 2018, a província foi palco de combates entre a Hayat Tahrir al-Sham e o também grupo rebelde Ahrar al-Sham. No começo de agosto, formou com outros insurgentes a Frente Nacional de Libertação – apoiada pela Turquia – para enfrentar os extremistas.

O centro de análises Omran, com sede em Istambul, considera em um recente relatório que o “caos da segurança” em Idlib se deve “à competição entre as muitas forças locais”.

A instabilidade está afetando a popularidade de todos os grupos rebeldes, afirma à AFP o autor do relatório, Nawar Oliver. “Muitas regiões de Idlib odeiam a HTS e estão disposta a se sublevar a qualquer momento”.

O ativista do sul de Idlib também se exaspera. A HTS “é a força mais poderosa sobre o terreno, supostamente deve garantir a segurança”, protesta.

Em junho, médicos e farmacêuticos da cidade fizeram uma greve de três dias para protestar contra “o caos e a insegurança”.

Um responsável de Saúde, o médico Jalil Agha, foi sequestrado em agosto e libertado uma semana depois, após o pagamento de um resgate no valor de 100 mil dólares, segundo seu departamento.

– ‘Desestabilizar Idlib’ –

Diante do mal-estar reinante, vários grupos rebeldes, incluindo a HTS, arremeteram contra células do EI, que reivindicaram assassinatos e atentados.

Mas ultimamente também detiveram dezenas de pessoas suspeitas de “espionagem a favor do regime”, indicou o OSDH. O relatório do centro Omran fala em “células armadas do EI ou do governo” na região.

“Células do regime tentam desestabilizar Idlib para lançar uma operação militar”, afirma Khaled al-Ali, responsável da HTS contactado pela AFP por meio do serviço de mensagens instantâneas WhatsApp.

O presidente Assad declarou em julho que a reconquista de Idlib era uma prioridade.

Os especialistas consideram que, se for realizada, esta ofensiva se limitaria aos setores periféricos para permitir a turcos e russos chegar a um acordo sobre o futuro da província.

Contudo, a ira dos habitantes poderia “facilitar a tarefa do regime”, afirma Oliver. “Os civis poderiam aceitar qualquer solução (…) que ofereça uma alternativa à presença de insurgentes”.

(AFP)