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Pesquisa desta semana reconfirma: brasileiros não querem descriminalizar aborto

Brasil pela vida contra aborto
Creative Commons
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A batalha ideológica pela imposição do aborto livre é resultado de interesses alheios aos da maioria absoluta da população do Brasil

Segundo pesquisa divulgada nesta semana, 59% dos brasileiros entrevistados são contra alterar a legislação atual para tornar o aborto livre até a 12ª semana da gestação.

O instituto Datafolha ouviu 8.433 pessoas de 313 municípios entre 20 e 21 de agosto, numa pesquisa cuja margem de erro é de dois pontos percentuais. Resultados:

  • 59% dos entrevistados não querem alterar as atuais regras em relação ao aborto;
  • 14% consideram que o aborto deveria ser legalizado em qualquer situação.

Os resultados são semelhantes aos de pesquisas feitas em 2017 pelos institutos Paraná e Locomotiva:

  • Paraná Pesquisas (2.056 entrevistados em 26 Estados brasileiros, entre 28 de novembro e 1º de dezembro de 2017): 86,5% dos brasileiros são contrários à “legalização do aborto em qualquer situação”.
  • Instituto Locomotiva (1.600 entrevistados em 12 regiões metropolitanas, entre 27 de outubro e 6 de novembro de 2017): 62% dos brasileiros são contra o aborto livre.

Em março de 2017, o instituto Ipsos havia feito um levantamento sobre o assim chamado “direito à interrupção de gravidez“, apontando que:

  • o Brasil é o segundo país que mais rejeita o aborto entre os 24 que participaram do mesmo estudo;
  • 13% dos brasileiros apoiam o aborto livre;
  • 17% dos brasileiros são totalmente contra o aborto em qualquer cenário;
  • 21% dos brasileiros são contra o aborto livre, mas o admitem nos casos de risco de vida da mãe.

Uma imposição ideológica que os brasileiros rejeitam

A respeito da pesquisa Datafolha veiculada nesta semana, Ângela Martins, doutora em Filosofia do Direito e professora visitante de Harvard, observa que os números reforçam não apenas que a população brasileira não quer alterar a legislação do aborto, como também que “não deveríamos ter deslocado esse debate para o Supremo, e sem representatividade”.

De fato, a atual e agressiva batalha ideológica pela imposição do aborto livre até a 12ª semana de gestação, encabeçada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), é resultado de interesses que, além de serem alheios aos da maioria absoluta da população do Brasil, são ainda mais antidemocráticos por apelarem ao ativismo judicial e driblarem o poder legislativo, a quem compete a deliberação sobre o tema.