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Riscos pós-abortamento

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Jaime José de Arruda Martins - publicado em 26/08/18

O aborto, além de ceifar a vida da criança, traz inúmeras consequências negativas à saúde da mãe

Sabemos, há décadas, das muitas consequências trágicas da interrupção forçada da gravidez, apesar disso, grupos ideológico-partidários pregam tal prática maligna, aproveitando-se da fragilidade comum às mulheres no período em que carregam uma nova vida em seu ventre.

Tentando mostrar os graves danos à saúde das mulheres causado pela prática do abortamento, estudo americano publicado no ano de 2002 observou entre os anos de 1980 e 1992 uma maior propensão à depressão clínica, ao suicídio e ao abuso no uso de drogas em mulheres que interromperam a gravidez comparada às que não a interromperam. O estudo concluiu que o risco, mesmo após 8 anos do evento, era 132% maior de depressão nesse grupo. Outro importante estudo americano publicado em 2003 – talvez o que mostre mais fortemente essa associação positiva entre depressão pós-interrupção forçada da gestação – mostrou um risco 65% maior de depressão pós-abortamento.

A fim de eliminar o viés socioeconômico em tal avaliação, que é um dos principais fatores de confusão nesse tipo de análise, e sempre questionado pelos defensores dessa prática homicida, outro estudo do ano de 2002, a partir do registro médico de mais de 17000 mulheres de baixos estratos sociais e que não haviam passado por qualquer avaliação psicológica anteriormente à gestação, observou chances 63% maior de mulheres necessitarem de atendimento psicológico 90 dias após interromperem a gestação com a prática do aborto. Essa mesma equipe ainda concluiu um risco 2,6 vezes maior de necessidade de internação para tratamentos psiquiátricos em mulheres que o praticaram. O aborto está, portanto, fortemente ligado à depressão, à psicose depressiva e à desordem bipolar.

Também é profundamente conhecida a associação entre abortamento induzido e infertilidade materna. As complicações do abortamento provocado incluem perfuração do útero, retenção de restos de placenta seguida de infecção, peritonite, tétano, e septicemia. As sequelas ginecológicas podem trazer ainda a esterilidade e também inflamações das trompas e sinéquias uterinas. O risco e a gravidade das complicações crescem com o avanço da gestação. Tietze & Henshaw (1986) afirmaram que a incidência das complicações do aborto está relacionada com a forma como ele é realizado.

Entretanto, existe pouca informação concreta que mostre a redução das complicações quando o aborto é legalizado, ou, em contrário, o aumento das mesmas, quando é ilegal, um dos principais argumentos daqueles que o defendem. Estudo brasileiro de 1992 mostra que o aborto quando realizado em clínicas e com métodos cirúrgicos mais modernos reduziu o número de complicações fisiológicas, mas mesmo assim, continuaram apresentando cifras bem elevadas. Tal estudo ainda apresenta a crítica de um pequeno número de pacientes estudados não descrever as complicações ocorridas.

Outro dado muito questionado, usado pelos defensores da prática, é o de que, realizando-os, clandestinamente, temos uma alta taxa de mortalidade. Observando, porém, dados oficiais, facilmente acessados pelo portal do DATASUS, vemos que no ano de 2016 em todo o Brasil morreram apenas 44 mulheres, e não milhares como se alardeia. Isso somando os CID por falha na tentativa de aborto (CID O.07), aborto NE (CID O.06), outros tipos de aborto (O.05), de um total de 67.147, correspondendo a menos de 0,1%, contrapondo-se, portanto, a dados inverídicos transmitidos por parte da imprensa, como é o caso da matéria publicada, em 2017, no jornal O Estado de São Paulo, a afirmar que 4 mulheres morrem por dia por complicações referentes ao aborto, correspondendo a 3,3% das causas de morte materna.

Temos, assim, dados científicos, a partir de estudos sérios, mostrando que o aborto (e não a sua proibição, como alegam aqueles que querem a legalização dessa prática), além de ceifar a vida da criança, traz inúmeras consequências negativas à saúde da mãe.

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