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O hábito que está criando uma geração de crianças ansiosas

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Calah Alexander - publicado em 02/09/18

A ciência está encontrando vínculos cada vez mais fortes entre esse avanço tecnológico e nossa saúde mental

Alguns anos atrás eu tive um colapso nervoso. Eu tinha acabado de sair de uma depressão pós-parto e me sentia energizada e capaz, então eu comecei a assumir mais responsabilidades e compromissos sociais. Comecei um trabalho voluntário na escola primária da minha filha mais velha e na pré-escola da minha filha mais nova, marquei encontros semanais com os amigos e, basicamente, me superestimei.

Previsivelmente, isso rapidamente se tornou esmagador e outras áreas da vida – como a roupa suja – ficaram fora de controle. Quando eu percebi o erro dos meus caminhos, eu comecei a recusar radicalmente os compromissos. Mas, mesmo depois de limpar minha agenda inteira para me concentrar na casa, eu ainda estava dominada. Eu estava tão sobrecarregada que sofri do meu primeiro e único episódio de agorafobia (medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão) até hoje, onde comecei a chorar porque não conseguia entrar em uma festa de aniversário.

Esta foi a minha primeira experiência com ansiedade clínica, embora não a minha última. Uma coisa que eu aprendi na terapia é que a ansiedade é basicamente enraizada na evasão e, naquela época, meu principal mecanismo de evasão eram as mídias sociais.

O New York Times apresentou um artigo sobre o aumento alarmante de adolescentes americanos que sofrem de ansiedade clínica. Há muitas teorias sobre por que a ansiedade triplicou nos adolescentes desde a virada do século, mas apenas um tem o peso da evidência por trás disso: o advento dos smartphones.

“Em um wokshop para pais no outono passado no NW Anxiety Institute em Portland, Oregon, Kevin Ashworth, diretor clínico do instituto, alertou sobre a ‘ilusão de controle e certeza’ de que os smartphones oferecem aos jovens ansiosos desesperados para gerenciar seus ambientes. ‘Os adolescentes irão aos lugares se sentirem que sabem tudo o que acontecerá, se eles conhecerem todos os que estarão lá, se eles puderem ver quem confirmou presença’, disse Ashworth aos pais. ‘Mas a vida nem sempre vem com esse tipo de certeza, e eles nunca estão praticando a habilidade de tolerar, de entrar em uma situação social desconhecida ou estranha e aprender que podem sobreviver’.

Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de São Diego, que pesquisa a saúde mental de adolescente e as diferenças psicológicas entre as gerações, costumava ser cética em relação àqueles que alarmavam sobre o uso da internet na adolescência. ‘Parecia uma explicação muito fácil por causa dos resultados negativos na saúde mental dos adolescentes, mas não havia muita evidência disso’, ela me disse. Ela procurou outras possíveis explicações, inclusive econômicas. Mas o aumento de adolescentes ansiosos e deprimidos desde 2011, que ela chamou de um dos mais significativos que ela viu, ‘não está certo’, disse ela. ‘A economia estava melhorando quando esse aumento começou’”.

Eu tive algum sucesso gerenciando minha própria ansiedade com medicação e terapia, mas eu ainda lutava. Tudo realmente mudou quando eu fiz uma mudança séria e intencional nos meus hábitos em relação à mídia social.

Meu tempo parecia se multiplicar exponencialmente durante a noite. Sem o meu smartphone nas mãos, os dias pareciam que tinham mais tempo – mais tempo para lavar roupa, limpar a casa, brincar com as crianças e até relaxar depois do jantar e assistir a um filme ou ler um livro.

Demorou um pouco mais de tempo para eu voltar a me socializar. Eu sempre fui uma pessoa extrovertida, social, mas anos de Facebook me condicionaram a um tipo diferente de interação. Era estranho e desanimador reaprender como ter conversas que não podiam ser pensadas, digitadas e editadas.

Mas foi imediatamente evidente quanto à interação social pessoal (cara a cara) foi mais gratificante para mim. Mesmo quando as conversas eram incômodas e eu me sentia estranha sobre elas, eu ainda saia me sentindo mais leve e feliz. E todo encontro para um café ou um copo de vinho me devolvia um pouco de confiança e diminuía a ansiedade.

Existe o risco de viver a vida no mundo real que não existe no mundo virtual. Na vida real, você não pode bloquear alguém no meio de uma conversa ou cultivar um grupo seleto de pessoas que pensam exatamente como você. Você inevitavelmente encontrará pessoas que não concordam com você e podem não gostar de você – e você precisa aprender a aceitar isso e seguir em frente.

Esta é a maior razão pela qual meus filhos não têm permissão para ter telefones ou contas em redes sociais. A mídia social pode começar como uma forma de evitar, mas geralmente acaba como uma fonte significativa de ansiedade. O mundo já é bastante estressante e quero que meus filhos possam enfrentar esse estresse e vencer. Os smartphones tornam isso muito, muito mais difícil.

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FilhosmidiaRedes sociaisSaúde
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