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Merkel pede mobilização de alemães contra ‘o ódio’

ANGELA MERKEL

MAXENCE CC BY 2.0

Agências de Notícias - publicado em 03/09/18 - atualizado em 03/09/18

"O movimento de extrema direita já anunciou sua vontade de continuar a vir"

A chanceler Angela Merkel pediu aos alemães, nesta segunda-feira (3), que se mobilizem contra o “ódio” propagado pela extrema-direita que tem ganhado terreno, após novos episódios de violência no último final de semana.

“O que nós infelizmente testemunhamos nos últimos dias, incluindo durante o fim de semana, essas marchas de extremistas de direita e neonazistas preparados para a violência, não têm nada a ver com o luto de um homem, mas visam a enviar uma mensagem de ódio contra estrangeiros, políticos, policiais e imprensa livre”, declarou Steffen Seibert, porta-voz de Merkel, a repórteres.

“Precisamos deixar claro: todo cidadão pode tomar a palavra e tomar uma posição contra a divisão de nosso país”, ressaltou.

O porta-voz reagiu, assim, a uma nova passeata organizada no sábado por várias organizações de extrema direita nas ruas de Chemnitz, que reuniu 8.000 pessoas para denunciar a morte de um alemão de 35 anos morto a facadas na rua.

A Justiça prendeu um requerente de asilo iraquiano de 22 anos e um suposto cúmplice sírio pelo caso.

– Angela Merkel atacada –

Liderada pelo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), a primeira força de oposição na Câmara dos Deputados em Berlim, a extrema direita tem-se aproveitado deste assassinato para relançar suas críticas aos imigrantes e à política de abertura de Angela Merkel.

A chanceler é acusada de ter aumentado a insegurança no país, ao receber em 2015 e 2016 mais de um milhão de demandantes de asilo.

O AfD também faz campanha há meses sobre o assassinato de uma adolescente de 15 anos no final de 2017 em um supermercado na cidade de Kandel, no sudoeste do país, perto da fronteira com a França.

Nesta segunda-feira, seu ex-namorado, Abdul D., um solicitante de asilo que alega ser proveniente do Afeganistão, foi condenado a oito anos e meio de prisão pelo crime. Ele será expulso do país ao final de sua detenção.

Apesar do fim do julgamento, o prefeito da cidade de Kandel acredita, porém, que a mobilização do AfD local vá continuar.

“O movimento de extrema direita já anunciou sua vontade de continuar a vir” para manifestar na cidade nos próximos meses, declarou Volker Poss à rádio pública SWR.

Em Chemnitz, 18 pessoas, incluindo três policiais, ficaram feridas na noite de sábado, à margem do protesto anti-imigrantes, e de uma contramanifestação da esquerda, que reuniu 3.000 pessoas. Entre os feridos: um jovem afegão de 20 anos espancado por homens mascarados, um militante do Partido Social-Democrata e uma equipe de televisão.

No final da tarde de hoje, nesta cidade, um show de rock contra a xenofobia está previsto, sob o slogan “Somos mais numerosos”.

Além disso, os moradores da terceira maior cidade da Saxônia foram convidados pelas redes sociais a participarem de uma “manifestação nas janelas”, adotando esse slogan e pendurando mensagens de tolerância em suas varandas.

Para o ministro alemãos das Relações Exteriores, Heiko Maas, essa mobilização continua modesta demais.

“Infelizmente, nossa sociedade se acomodou de tal forma que precisamos nos movimentar” contra os desafios de Chemnitz, disse esse líder social-democrata no último fim de semana.

“Temos que deixar nossos sofás confortáveis ​​e falar em voz alta”, acrescentou.

O chefe de governo da Saxônia, Michael Kretschmer, membro do partido de centro-direita de Angela Merkel, também pediu nesta segunda-feira “à maioria da população que dê voz” a Chemnitz.

Seja como for, a mobilização anti-imigrantes está dando frutos para a extrema direita. De acordo com as últimas pesquisas, o AfD está crescendo nas intenções de voto para cerca de 16% e em terceiro lugar, logo atrás do Partido Social-Democrata, com apenas 17%.

(AFP)

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