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Uma católica pode ser feminista? Veja o que João Paulo II pensava sobre isso

Dominika Cicha - publicado em 16/09/18

Inspirado por Edith Stein, João Paulo II pediu a criação de um “novo feminismo”

Muitas vezes vemos o feminismo como uma ideologia em desacordo com os ensinamentos da Igreja. É bom lembrar, no entanto, que houve e ainda existem muitos tipos de feminismo: radical, liberal, pós-moderno, marxista e acadêmico. O “novo feminismo” que João Paulo II pediu tem um lugar particular na nossa cultura moderna.

Uma curta história do feminismo

Os pesquisadores dizem que o feminismo começou já no século XVIII. Naqueles dias, era principalmente um movimento sociopolítico destinado a igualar os direitos dos homens e mulheres no trabalho e na educação. O nome em si provavelmente foi usado pela primeira vez por Charles Fourier em 1837.

A primeira grande onda de feminismo começou aproximadamente entre 1890 e 1920, e durou até o início da década de 1960. Seu objetivo mais importante foi estabelecer direitos iguais para homens e mulheres, e os sufragistas ingleses e americanos desempenharam um papel de liderança. Seus esforços levaram aos direitos de voto para as mulheres em 1920 nos EUA e em 1918 na Polônia. Em comparação, as mulheres na Suíça receberam o direito de votar apenas em 1971 e na Arábia Saudita em 2015.

A segunda onda de feminismo começou na década de 1960 e continuou nos anos 70. Desta vez, o objetivo principal era o salário igual, a liberdade sexual e/ou o direito ao aborto. A maternidade e o casamento eram considerados uma forma de escravidão. A feminista mais famosa dessa época é, provavelmente, Simone de Beauvoir, autora de O Segundo Sexo.

E, finalmente, veio a terceira onda, começando na década de 1980. Inspirada pelo movimento LGBT e ambientalismo, levou em consideração questões raciais, econômicas e religiosas.

Edith Stein: nenhuma mulher é só mulher

Se falarmos sobre o feminismo, não podemos ignorar Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz. A história se lembra dela como uma filósofa eminente, e suas palestras, artigos e ensaios sobre mulheres de 1928 a 1932 não podem ser esquecidos.

Ela enfatizou que “nenhuma mulher é só mulher”. Ela tentou examinar a natureza das mulheres desde o momento da criação e mostrar que cada mulher é uma criatura cuidadosamente planejada por Deus e chamada por Ele para tarefas específicas, independentemente do momento em que ela vive e de onde ela vem. Além de dons femininos, como a capacidade de olhar por completo a outra pessoa, e uma empatia e desejo de ajudar, cada mulher recebe dons e talentos inteiramente individuais como pessoa, que ela pode usar no trabalho e como esposa, mãe, religiosa ou pessoa solteira.

Stein estava à frente de seu tempo, e ela advertiu contra a direção em que o movimento de emancipação estava tomando. Ela enfatizou que o objetivo das mulheres não deveria ser igualar-se aos homens, mas viver em harmonia com sua natureza e cumprir sua vocação.

João Paulo II e seu novo feminismo

Hoje chamamos Edith Stein de precursora do novo feminismo, que João Paulo II resumiu brevemente na encíclica Evangelium Vitae, “O Evangelho da Vida”, na seção 99. Não é certo se o Papa se baseou nos textos de Santa Teresa Benedita, mas suas opiniões sobre o assunto parecem se alinhar muito. João Paulo II escreveu:

Nessa viragem cultural a favor da vida, as mulheres têm um espaço de pensamento e ação singular e talvez determinante: compete a elas fazerem-se promotoras de um « novo feminismo» que, sem cair na tentação de seguir modelos «masculinizados», saiba reconhecer e exprimir o verdadeiro gênio feminino em todas as manifestações da convivência civil, trabalhando pela superação de toda a forma de discriminação, violência e exploração. (…) Vós sois chamadas a testemunhar o sentido do amor autêntico, daquele dom de si e acolhimento do outro, que se realizam de modo específico na relação conjugal, mas devem ser também a alma de qualquer outra relação interpessoal.

Este não é o único documento papal sobre as mulheres. O primeiro foi a carta apostólica Mulieris Dignitatem, “Sobre a dignidade e a vocação da mulher”, emitida em 1988 durante o Ano Mariano. João Paulo II também escreveu sobre a feminilidade na carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis, “Ordenação Sacerdotal”, em 1994 e na carta A Ciascuna di Voi, “A cada uma de vocês”, dirigida a todas as mulheres do mundo para a Conferência Mundial da ONU em Pequim em 1995.

O Papa enfatizou que a dignidade e a responsabilidade de uma mulher são iguais à dignidade e à responsabilidade de um homem e que a igualdade dos sexos é cumprida em dedicação mútua. Ele também escreveu que os deveres maternos e familiares de uma mulher e suas tarefas profissionais devem se complementar, e que somente desse modo o desenvolvimento cultural e social será integral. Se uma mulher decide trabalhar em casa, ela deve ser apoiada nessa escolha.

No entanto, é difícil dar uma definição específica do novo feminismo. Michele M. Schumacher, teóloga e uma das principais pesquisadores dessa tendência, entende isso como a “tarefa – ou missão – de delinear exatamente o que diferencia uma mulher de um homem, e assim como ela o complementa e vice-versa; também tem como objetivo promover a cultura humana e cristã autêntica”.

O feminismo antigo e novo concordam que precisamos lutar contra todos os tipos de violência, exploração e discriminação contra as mulheres, que são um legado do pecado.

O talento feminino

O novo feminismo dá mais atenção ao talento feminino, que aponta que cada mulher tem uma predisposição especial e é capaz de enriquecer o mundo de acordo com sua própria vocação. Encoraja uma mulher a reconhecer seus talentos, e mostrar seu potencial para construir uma civilização de amor.

Ao mesmo tempo, o novo feminismo nos lembra a igualdade entre homens e mulheres. Não é que uma mulher deve ser sujeita a um homem, mas que ambos devem estar sujeitos a Deus. Ambos são criados à imagem e semelhança de Deus; “ambos são igualmente capazes de compartilhar a verdade divina e o amor no Espírito Santo”, explica João Paulo II em Mulieris Dignitatem.

“… a mulher deve «auxiliar» o homem — e que este, por sua vez, deve ajudar a ela — em primeiro lugar por causa do seu idêntico «ser pessoa humana»: isto, em certo sentido, permite a ambos descobrirem sempre de novo e confirmarem o sentido integral da própria humanidade. É fácil compreender que — neste plano fundamental — se trata de um «auxiliar» de ambas as partes e de um «auxiliar» recíproco. Humanidade significa chamada à comunhão interpessoal”. (Mulieris Dignitatem, 7).

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