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Papa Francisco: Jesus chamou um corrupto para ser seu apóstolo – e ele virou santo

Caravaggio vocação Mateus
Caravaggio - Domínio Público
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“Se você quiser chegar ao coração de Deus, siga o caminho da misericórdia e se deixe tratar com misericórdia. Não se esqueça de onde Ele foi chamar você”

A Igreja celebra em 21 de setembro o Apóstolo e Evangelista São Mateus. A liturgia do dia nos fala do chamado de Mateus, o improvável cobrador de impostos que foi escolhido por Deus segundo o Seu desígnio de misericórdia.

O Papa Francisco destaca três expressões na missa matutina na Casa Santa Marta: misericórdia, chamado e instituição como apóstolo.

Mateus era corrupto

Mateus era um corruptoporque traía a pátria por dinheiro”. Um traidor do seu povo: o que havia de pior. Alguém poderia dizer que Jesus “não tem bom gosto para escolher as pessoas”, observou o Papa – e parece que realmente não tem, porque, além de Mateus, Ele escolheu muitos outros “dos lugares mais desprezados”. Foi assim com a samaritana e com muitos outros pecadores, a quem ele transformou, porém, em santos e apóstolos.

“E depois, na vida da Igreja, muitos cristãos, muitos santos que foram escolhidos do mais raso … escolhidos do mais raso. Esta consciência de que nós cristãos deveríamos ter – de onde fui escolhido, de onde fui escolhida para ser cristão – deve durar toda a vida, permanecer ali e ter a memória dos nossos pecados, a memória que o Senhor teve misericórdia dos meus pecados e me escolheu para ser cristão, para ser apóstolo”.

Mateus não esqueceu as suas origens

Depois, o Papa descreve a reação de Mateus ao chamado do Senhor: ele não se vestiu de luxo, não começou a dizer aos outros: “eu sou o príncipe dos Apóstolos, aqui eu comando”. Diz o Papa: “Não! Ele trabalhou toda a vida pelo Evangelho”.

Quando o Apóstolo esquece as suas origens e começa a fazer carreira, se afasta do Senhor e se torna um funcionário; que trabalha muito bem, mas não é Apóstolo. Será incapaz de transmitir Jesus; será um organizador de planos pastorais, de tantas coisas; mas, no final, um negociante. Um negociante do Reino de Deus, porque esquece de onde foi escolhido.

Por isso, prosseguiu Francisco, é importante a memória das nossas origens: “Esta memória deve acompanhar a vida do Apóstolo e de todo cristão”.

Falta-nos generosidade

Em vez de olhar para os nossos próprios pecados, porém, somos levados a olhar para os dos outros e a falar mal deles. Um costume que envenena. É melhor, sugeriu o Papa, recordar de onde o Senhor nos escolheu e nos trouxe.

Nosso Senhor, acrescentou o pontífice, quando escolhe, escolhe para algo maior.

“Ser cristão é grande, é belo. Somos nós que nos afastamos e ficamos na metade do caminho. Falta-nos generosidade e ficamos negociando com nosso Senhor, mas Ele nos espera.

Diante do chamado, Mateus renuncia ao seu amor, o dinheiro, para seguir Jesus. E convidou os amigos do seu grupo para almoçarem com ele e festejarem o Mestre. Assim, àquela mesa se sentava o que havia de pior naquele tempo. E Jesus estava com eles”.

O escândalo dos doutores da Lei

Os doutores da Lei se escandalizaram. Chamaram os discípulos e disseram: “Como é que o seu Mestre faz isso, com essas pessoas? Ele se torna impuro!”: de fato, comer com um impuro era contaminar-se com a impureza. E Jesus parte dessa palavra para afirmar: “Vão aprender o que significa ‘Quero misericórdia e não sacrifício’”.

A misericórdia de Deus procura todo mundo, perdoa a todos. Ela pede somente que digamos: “Sim, me ajuda”. Só isso.

Para quem se escandaliza, Jesus responde que não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes. “Quero misericórdia e não sacrifício”.

O Papa conclui:

“Entender a misericórdia do Senhor é um mistério; mas o maior mistério, o mais belo, é o coração de Deus. Se você quiser realmente chegar ao coração de Deus, siga o caminho da misericórdia e se deixe tratar com misericórdia”.

O chamado ao Papa Francisco

O próprio Papa Francisco sentiu o chamado de Cristo exatamente num dia 21 de setembro, a festa de São Mateus.

O ano era 1953. Jorge Mario Bergoglio tinha 17 anos de idade e, depois de se confessar, sentiu-se convidado à vida religiosa na Companhia de Jesus, a congregação dos padres jesuítas.

É por causa da data de hoje, aliás, que o escudo pontifício de Francisco traz o lema “Olhou-o com misericórdia e o escolheu”. É uma descrição do encontro de Jesus com Mateus.

A misericórdia é a palavra-chave do pontificado de Francisco desde o dia da sua eleição ao trono de São Pedro.

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A partir de matéria de Adriana Masotti para o Vatican News

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