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É possível viver constantemente em paz e com alegria?

Shutterstock-Syda Productions
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Jesus nunca quer que a gente se encha de amargura e tristeza. Então, por que vida tem enfermidades, fracassos e morte?

Jesus fala sobre a cruz aos discípulos. Mas eles não entendem. Jesus quer que eles estejam preparados, que saibam que vida passa pela cruz. 

Eles não entendem. Esperam o céu na terra, o sucesso acima dos fracassos. A morte é maior que os fracassos. Mas eles não escutam. Ou não entendem.

 A paciência de Jesus me surpreende. Ele sempre volta para explicar, sabendo que muitos são torpes para entender. E eles não entendem mesmo. Nem sabem do que Jesus está falando. É curiosos isso. 

Não sei bem o que eu lhes diria naqueles dia de milagres, de palavras de vida e refeições cheias de esperança. Não sei o que faria para que eles compreendessem. 

Jesus respeita o tempo de cada um. Não força. Não é agressivo. Simplesmente fala sobre o que vai acontecer. E eles não tiram conclusões. 

Creio que acontece algo parecido na minha vida. Jesus quer que eu entenda que nem tudo será sempre rosas. Haverá muitos espinhos em minha alma. 

E haverá noites com estrelas e noites de escuridão. Noites de amargura e dor. Nessas noites, terei que lembrar que, quando eu era jovem, intui que poderia ser assim algum dia. 

Chegará o momento no qual terei que enfrentar a dor na minha vida. “A escuridão do silêncio permite ao homem fixar o olhar em Deus. O silêncio é mistério e o maior mistério, Deus, permanece em silêncio” [1].

No silêncio de seu mistério, do mistério da minha vida, enfrentarei o olhar de Jesus. Ele vai me olhar. Não vai querer que eu fique só. Ele nunca quer que eu me encha de amargura e tristeza. 

Jesus caminha ao meu lado, tentando fazer que eu entenda o que Ele quer para a minha vida. Sabe o que melhor me convém. E eu não costumo pedir o que me convém, mas o que eu quero. O desejo vem primeiro em meu coração.

 O que me convém me assusta. Opto por meus desejos mais instintivos. Talvez também os mais egoístas. Desejos que me levam a procurar a mim mesmo. 

Não quero a tristeza. Evito saber das más notícias. Prefiro viver num mundo de paz interior, de alegrias constantes. Mas a tristeza insiste em chegar à minha vida. 

Ela pesa a minha alma. E, em meio às noites escuras, busco a Deus, exigindo respostas. Peço a Ele que ressuscite a morte que habita em minha alma. Que dê luz à noite que escurece o meu entendimento. 

Não é simples. Temo refugiar-me em meus medos e angústias. Na tristeza que não me deixa sonhar. 

O otimismo e o sorriso desaparecem do meu coração. Deixo de ficar alegre com as pequenas coisas da vida. Os golpes da vida me deixam ferido de morte. Talvez eu não esteja preparado para o inevitável. A vida sempre tem cruz. A vida sempre tem enfermidades, fracassos e morte.  

Haverá momentos de grandes milagres. Jesus também teve. E virão momentos de dor, nos quais eu não serei capaz de levantar a cabeça e continuar lutando. 

Sempre creio que não saberei a profundidade da minha fé até que chegue a grande prova. Mas eu não quero que ela chegue.

 Sinto-me como os discípulos que não escutam as palavras de Jesus. Não aceito a ideia de que seguir a Cristo é carregar a minha cruz. 

Quero evitar tudo o que me dói. Quero viver com alegria. Que ninguém me arrebate o sorriso nem o otimismo.

Há tanta dor em minha volta que não quero deixar de ser um motivo de esperança para os outros. E, se eu não sorrio, se eu não creio, se não elevo o meu coração, será difícil fazer sonhar quem já perdeu seus sonhos.  

Hoje, quero prestar atenção em Jesus. Ouvir com muita paz as suas palavras. Saber que nem tudo será fácil no caminho. Sei que nem sempre terei razões para sorrir. E sei que sem sorriso fico mais feio. Deixo de ter a luz que vem do alto.

Fico diante de um espelho e espero até que um sorriso brote em meus lábios. Sem esse sorriso não tenho vida. Não quero que a amargura me encha de raiva. Não quero desconfiar dos outros. Nem invejar o sorriso do próximo. 

Quero aprender a ouvir Jesus. Tento entender suas palavras cheias de mistério. O Filho do Homem teve que morrer na cruz. 

Não entendo o sentido do desprezo. Nem o motivo pelo qual alguns homens, que foram tão amados, acabaram entregando Jesus a uma morte tão cruel. 

Mas de uma morte absurda surge a vida. Não sei como. Mas é assim. Eu creio. Embora não entenda tudo, sei que sou pobre de coração e, por isso, continuo confiando. Deus sabe de tudo. E cuida de mim.  

 

[1] Cardenal Robert Sarah, La fuerza del silencio, 84